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Tribunal obriga casal de idosos acamados a mudar de casa

Despacho apanha família de Famalicão de surpresa. Cuidadora teme pela vida dos pais e já recorreu para a Relação.

04 de janeiro de 2019 às 01:30

"O que mais me custa é saber que estão a contrariar a vontade da minha mãe, que sempre disse que queria viver na casa dela até ao fim. Os meus irmãos sabem disto." É de lágrimas nos olhos que Gracinda Gomes fala da decisão do Tribunal de Famalicão que a obriga a entregar à irmã mais velha os pais, de 88 e 92 anos, ambos acamados.

O despacho do juiz, de 26 de dezembro, durante as férias judiciais, apanhou a família de surpresa. Gracinda recorreu para o Tribunal da Relação de Guimarães, mas até  esta quinta-feira não havia decisão.

O tribunal fixou a saída do casal para esta sexta-feira, às 14h00, com a presença da GNR. "Surpreende-nos a rapidez do Tribunal em período de férias judiciais. Mas o que mais nos surpreende é não ter havido uma avaliação ao estado de saúde do casal e do impacto da mudança na saúde deles", refere o advogado de Gracinda.

Orlando Oliveira diz que mais do que uma questão de Direito, este é "um caso de humanidade". "Estas pessoas correm risco de vida. Exigia-se ponderação e bom senso", diz.

O casal está há vários anos aos cuidados de Gracinda, a mais nova de 4 filhos, na casa onde sempre viveu, em Joane, Famalicão. Mas um desentendimento familiar levou a filha mais velha, tutora dos pais - interditados devido à doença - a exigir a mudança de residência. O CM tentou esta quinta-feira, sem sucesso, ouvir o advogado da tutora.

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