Medidas visam antecipar o impacto do calor extremo na saúde da população, com especial atenção a grupos mais vulneráveis.
Várias Unidades Locais de Saúde (ULS) da região de Lisboa ativaram ou reforçaram os níveis de resposta previstos nos planos sazonais, na sequência da previsão de temperaturas elevadas, adotando medidas de vigilância, prevenção e preparação assistencial.
As medidas visam antecipar o impacto do calor extremo na saúde da população, com especial atenção a grupos mais vulneráveis, nomeadamente idosos, crianças e doentes crónicos, e reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde perante um eventual aumento da procura assistencial.
A Direção Executiva do SNS adiantou à Lusa que as entidades do Serviço Nacional de Saúde elaboraram os respetivos Planos Locais com base nas orientações definidas no Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde 2026-2027, ativando os diferentes níveis de intervenção em função das necessidades identificadas em cada momento.
A ULS Loures-Odivelas ativou o Nível de Contingência I -- Alerta Amarelo entre os dias 11 e 13 de junho, após a monitorização efetuada pela Unidade de Saúde Pública e perante as previsões de temperaturas elevadas, adiantou numa resposta escrita à Lusa.
No âmbito desta ativação, a ULS prevê medidas como a comunicação de alertas à população e entidades parceiras, a articulação com os diferentes serviços e instituições da comunidade a adequação das respostas locais em função da evolução do risco.
Também a ULS Lisboa Ocidental ativou o Alerta Amarelo (o segundo de quatro níveis de risco -- verde, amarelo, laranja e vermelho), tendo reforçado a articulação interna e externa, com autarquias e instituições da comunidade da sua área de influência, que abrange os concelhos de Lisboa Ocidental e Oeiras.
A ULS São José encontra-se no Nível 1 -- Vigilância Reforçada, acompanhando permanentemente a evolução das condições meteorológicas, dos indicadores de risco e da atividade assistencial.
Segundo a instituição, a Direção Executiva do SNS tem mantido contacto regular com as ULS, emitindo alertas, orientações e informação de monitorização que apoiam a tomada de decisão local.
"Neste contexto, a ULS São José encontra-se atenta à evolução da situação e preparada para adequar o nível de resposta a qualquer momento, caso os indicadores de risco ou a pressão assistencial o justifiquem", sublinha.
A ULS São José alerta que os períodos de calor intenso podem traduzir-se num aumento da procura de cuidados de saúde, especialmente por situações relacionadas com desidratação, exaustão pelo calor, agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, bem como descompensações de doenças crónicas.
Questionada sobre o impacto da onda de calor registada em maio, a instituição indicou que Urgência Geral Polivalente do Hospital São José registou um aumento da procura em 2%. Verificou-se também um aumento de doentes com critério de internamento em 21%, principalmente idosos com desidratação e descompensação das doenças crónicas, mas não houve registo de doentes internados por "golpe de calor".
Por sua vez, a ULS Santa Maria acionou as medidas previstas para o atual nível de risco (1) no âmbito do Plano de Contingência para o Calor, em articulação com a Unidade de Saúde Pública.
Segundo a instituição, foi reforçada a monitorização diária da procura assistencial, ajustando a distribuição de recursos humanos e materiais em função da evolução da situação epidemiológica e da afluência aos serviços.
Está também prevista a possibilidade de reajustar procedimentos de triagem e recorrer a teleconsultas, quando necessário.
A ULS Santa Maria reforçou ainda junto dos profissionais a importância da avaliação de risco das populações mais vulneráveis, distribuiu materiais de sensibilização da DGS para afixação nas unidades de saúde e verificou a disponibilidade de água nas salas de espera e o funcionamento dos sistemas de climatização.
"Mantém-se igualmente a articulação com parceiros institucionais e a ativação das respostas conjuntas previstas para esta fase do plano", acrescentou.
Também a ULS Amadora-Sintra ativou o Nível 1 do seu plano de resposta sazonal, reforçando a vigilância e as medidas de preparação perante a previsão de temperaturas elevadas.
Na margem Sul, a ULS Almada-Seixal encontra-se em Nível Amarelo, tendo reforçado a monitorização das respostas assistenciais nos cuidados de saúde primários e hospitalares, bem como a comunicação de risco junto da população e a articulação com autarquias, proteção civil e instituições sociais.
A instituição faz a monitorização diária e ajuste dinâmico das respetivas respostas assistenciais, mantendo vigilância de proximidade junto das pessoas mais vulneráveis e das estruturas residenciais comunitárias.
Nos cuidados hospitalares, é também assegurada a gestão permanente das vagas de internamento e dos fluxos no Serviço de Urgência, para garantir a resposta assistencial face às flutuações da procura.
A ULS mantém ainda "uma estreita articulação" com os parceiros estratégicos da comunidade, uma rede que garante "uma resposta coordenada na vigilância dos grupos vulneráveis e na mobilização de recursos logísticos ou na ativação de abrigos temporários sempre que necessário", sublinha.
As unidades de saúde deixam recomendações à população que passam pela ingestão frequente de água, permanência em locais frescos e ventilados, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e atenção reforçada às pessoas mais vulneráveis. Em caso de sintomas associados ao calor, os utentes devem contactar o SNS 24 (808 24 24 24).
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