Projeto prevê ainda "modernizar infraestruturas de investigação e aplicar agricultura de precisão, deteção remota e sistemas inteligentes de monitorização".
Um projeto europeu liderado pela Universidade de Évora (UÉ), com um financiamento total de 16 milhões de euros, pretende reforçar a investigação e formação na área do restauro dos solos e do território, foi esta sexta-feira divulgado.
O projeto MEDSoil+ - Excellence in Mediterranean Soil Regeneration, liderado pelo MED -- Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da UÉ, é financiado em oito milhões de euros pela União Europeia e no mesmo valor através do Orçamento de Estado português e fundos regionais.
Em comunicado, a academia indicou que o MEDSoil+ integra o grupo de seis projetos liderados por instituições portuguesas selecionados para financiamento no concurso "Teaming for Excellence", do programa Horizonte Europa.
"Alinhado com as políticas europeias e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o MEDSoil+ reforça o papel de Portugal e da UE nos esforços europeus de restauro dos solos e do território", realçou a UÉ.
Contactada esta sexta-feira pela agência Lusa, Fátima Baptista, uma das coordenadoras do projeto, referiu que o tema da "importância e da saúde do solo na produção" agropecuária e florestal "está cada vez mais na ordem do dia".
"Uma percentagem muito grande dos solos está degradada e é importante olhar para o solo e pensar que temos que o conservar porque é uma peça fundamental na produção de alimentos", sublinhou a também diretora e investigadora do MED.
Segundo a UÉ, o MEDSoil+ contempla a instalação de "uma estrutura de excelência no MED", com vista a reforçar "a capacidade nacional para apoiar gestores do território, o setor agroalimentar e a administração pública na transição para práticas regenerativas do solo e na implementação da Lei Europeia de Monitorização dos Solos".
"O projeto criará uma infraestrutura alinhada com as políticas públicas para produzir dados de qualidade, formar especialistas e utilizadores e apoiar decisões baseadas em evidência", destacou.
O projeto prevê ainda "modernizar infraestruturas de investigação e aplicar agricultura de precisão, deteção remota e sistemas inteligentes de monitorização", de forma a contribuir para "melhorar a saúde do solo, a retenção de água e a capacitação de comunidades para a sustentabilidade a longo prazo".
Nas declarações à Lusa, Fátima Baptista revelou que está previsto que o MEDSoil+ arranque no início de 2027, salientando que, apesar de o financiamento estar assegurado por seis anos, a infraestrutura de excelência a criar no MED "terá, naturalmente, continuidade".
"Já temos identificado um edifício onde vamos instalar a infraestrutura de excelência", assinalou, limitando-se a adiantar que será no Polo da Mitra, situado a alguns quilómetros da cidade e onde já funciona o MED.
Além da criação do centro de excelência, acrescentou, o financiamento será aplicado na compra de equipamentos, recursos humanos e atividades de transferência de conhecimento e tecnologia.
Neste projeto, são parceiras da UÉ as instituições alemãs do Instituto Leibniz de Engenharia Agrícola e Bioeconomia (ATB) e o Centro Leibniz de Investigação sobre Paisagens Agrícolas (ZALF).
Dos oito milhões de euros de financiamento europeu, 6,5 milhões são concedidos à UÉ e os restantes 1,5 milhões são distribuídos pelas duas instituições alemãs parceiras.
Este projeto liderado pela UÉ foi o único apresentado por uma universidade de média dimensão do interior do país que foi aprovado no concurso "Teaming for Excellence", do programa Horizonte Europa.
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