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Correio da Manhã

Sociedade
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Universidade Independente escondeu 4 milhões em despesas

Repetição do julgamento decorre no Palácio da Justiça, em Lisboa.
Bernardo Esteves 21 de Outubro de 2014 às 18:33
O julgamento da UNI está a ser repetido devido à morte de uma juíza do coletivo em 2012
O julgamento da UNI está a ser repetido devido à morte de uma juíza do coletivo em 2012 FOTO: Vítor Mota

A Universidade Independente (UNI) escondeu mais de quatro milhões de euros de despesas entre 2000 e 2003 para evitar declarar prejuízos, revelou esta terça-feira em tribunal Joaquim Rosa, que durante este período foi Revisor Oficial de Contas da SIDES (Sociedade Independente para o Desenvolvimento do Ensino Superior), entidade que detinha a universidade.

"Não foram lançados mais de 4 milhões de euros. Havia graves dificuldades económicas e financeiras", afirmou Joaquim Rosa, admitindo que nessa fase o vice-reitor Rui Verde "pôr dinheiro do bolso dele que os bancos reclamavam, por isso é compreensível que depois tenha tirado o dinheiro com que entrou".

Para tentar resolver o problema, a SIDES vendeu as instalações da UNI em Cabo Ruivo à Fundimo em 2003, por 2,3 milhões de euros. Joaquim Rosa viu o contrato e diz ter logo percebido que o problema financeiro não ficaria resolvido: "A SIDES ficava com a obrigação de readquirir o imóvel passados 15 ou 20 anos o que seria muito difícil. Não era solução, tendo em conta que tinha 10 milhões de euros de empréstimos bancários para amortizar".

O julgamento da UNI está a ser repetido devido à morte de uma juíza do coletivo em 2012, quando o processo que envolve mais de 20 arguidos estava nas alegações finais. Os principais arguidos são o vice-reitor Rui Verde, o accionista Amadeu Lima de Carvalho e o reitor Luiz Arouca, que estão acusados de associação criminosa, abuso de confiança e burla.

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