Constrangimentos resultaram da necessidade de "ajustamentos não programados" entre os serviços de urgência de Lagos e Portimão.
As urgências hospitalares do Algarve estão a funcionar normalmente, após um fim de semana com constrangimentos nas escalas e uma espera de várias horas para atendimento no hospital de Portimão, disse esta quarta-feira o presidente da ULS do Algarve.
Em declarações à Lusa, Tiago Botelho explicou que os constrangimentos registados em Portimão, resultaram da necessidade de "ajustamentos não programados" entre os serviços de urgência de Lagos e Portimão, o que obrigou à partilha de equipas entre as duas unidades.
"Durante um período noturno, essa reorganização provocou atrasos maiores do que o esperado e do que o desejável" no serviço de urgência de Portimão, onde o tempo de espera chegou a atingir 17 horas, referiu o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS).
Tiago Botelho salientou, contudo, que a decisão permitiu garantir que "nenhuma das portas abertas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) fechasse ao público", mantendo todos os serviços disponíveis.
"Não temos registo de que isso tenha tido impacto em termos assistenciais para os utentes, para além, de facto, de alguns momentos de maior espera acima do desejado", afirmou.
O responsável garantiu que a situação "está neste momento regularizada" e que as equipas dispõem dos meios humanos necessários para assegurar o funcionamento normal dos serviços de urgência.
Segundo o presidente da ULS do Algarve, a região dispõe de seis urgências hospitalares com funcionamento 24 horas, em Lagos, Portimão, Albufeira, Loulé, Faro e Vila Real de Santo António, às quais acrescem duas urgências pediátricas.
"Temos oito urgências diretas abertas ao público", notou, considerando que assegurar esta cobertura permanente constitui um desafio, "uma vez que as escalas são dinâmicas e podem sofrer alterações provocadas por situações imprevistas".
Já o presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM), André Gomes, disse à Lusa que os constrangimentos registados no Algarve são uma situação para a qual os sindicatos médicos têm alertado "ao longo de anos".
"Infelizmente, a exceção no Algarve torna-se regra", afirmou, apontando os desafios acrescidos durante o verão, quando a população da região pode duplicar ou até triplicar devido ao turismo.
Para André Gomes, o aumento da procura "não justifica a inoperância do Governo" na resolução dos problemas de recursos humanos na região, defendendo medidas que tornem mais atrativo o trabalho médico no Serviço Nacional de Saúde.
O médico e dirigente sindical apelou ao Governo que adote "medidas concretas para a região do Algarve", nomeadamente no âmbito das negociações atualmente em curso com os sindicatos.
"Estamos em mesa negocial com o Governo neste momento, portanto, que o Governo passe da propaganda ao ato na mesa negocial e no nosso acordo coletivo de trabalho para tornar a carreira médica mais atrativa nos serviços públicos", defendeu.
André Gomes considerou que não basta anunciar a contratação de mais médicos, sendo necessário criar condições para que os profissionais queiram trabalhar no SNS, apontando como prioridades a melhoria da carreira médica, a revisão da grelha salarial e a criação de benefícios específicos para a região algarvia.
O presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul destacou ainda os elevados preços da habitação no Algarve como um dos fatores que dificultam a fixação de profissionais de saúde.
"São tudo medidas que são necessárias tomar e que até agora nunca foram tomadas", afirmou, considerando que, sem alterações concretas, os anúncios de contratação de médicos não serão suficientes para resolver os problemas de falta de profissionais na região.
A ULS do Algarve assegura atualmente o funcionamento permanente de seis serviços de urgência hospitalar e de duas urgências pediátricas, num território cuja procura de cuidados de saúde aumenta significativamente durante a época balnear.
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