Sidney invadido por aranhas venenosas
Tubarões e crocodilos deixaram de ser a maior ameaça do continente australiano, ou pelo menos em Sidney, onde uma praga de aranhas venenosas, cuja picada pode ser mortal no espaço de duas horas, tem gerado o pânico entre a população.
Vários entomologistas lançaram já um aviso sobre a invasão de aranhas-teia-de-funil, considerada uma das espécies mais mortais do Mundo.
Os especialistas acreditam que as mudanças climatéricas drásticas que se fazem sentir na região - um longo período quente acompanhado por inesperadas chuvas fora de época – estão na origem da praga.
“Nós tivemos um longo período de tempo muito quente, combinado com a chuva', esclareceu Mary Rayner, directora do Australian Reptile Park, onde várias dezenas de exemplares são entregues para extracção do veneno, a fim de serem criados antídotos.
Também Rex Gilroy, responsável por um serviço de socorro em casos de confronto com animais perigosos, acredita que o clima é culpado pelas mudanças sentidas.
“O clima pode ter algo a ver com estas alterações. Este ano tem sido húmido e menos frio, o que permitiu às aranhas reproduzirem-se em maior número… Os números são claramente superiores aos do ano anterior.”
Contrariamente à maioria das espécies, as Atrax robustus (nome científico da aranha teia-de-funil), quando perturbadas não fogem, optando por fazer pequenas tocas de onde fazem depois o seu ataque.
Há já inúmeros casos de pessoas que sofreram ataques de aranha-teia-de-funil, entre os quais se regista uma criança de 12 anos, embora não tenha sido fatal.
“As pessoas devem sempre sacudir os sapatos antes de entrar em casa e ter cuidado com roupa deixada a secar nos quintais, pois podem levar os aracnídeos para os seus lares. É também importante que os pais estejam muito atento às crianças e aos locais onde estas brincam”, avisa Rayner.
As aranhas são mais activas durante o seu período reprodutivo, por norma durante o mês de Fevereiro, embora as mudanças no clima possam antecipar essa época. A sua picada possui um forte veneno, requerendo a aplicação de 17 ampolas de antídoto.
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