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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Apple vai permitir que utilizadores consertem próprios iPhones

Loja 'online', batizada de "Self Service Repair", vai adquirir mais de 200 peças de reposição e ferramentas úteis para os problemas mais comuns dos últimos modelos do iPhone.

18 de novembro de 2021 às 07:10

A Apple vai começar a permitir que os seus utilizadores consertem os seus próprios dispositivos, uma cedência inesperada da gigante de tecnologia, conhecida pelo seu ecossistema muito fechado em termos de 'hardware' e 'software', foi anunciado na quarta-feira.

A loja 'online', batizada de "Self Service Repair", vai adquirir mais de 200 peças de reposição e ferramentas úteis para os problemas mais comuns dos últimos modelos do iPhone (12 e 13), como baterias ou ecrãs com defeito, segundo um comunicado.

A marca da maçã restringe há muito tempo a reparação aos técnicos das suas lojas oficiais -- no balcão "bar genius" -- e a alguns comerciantes autorizados, mas o tempo de espera e os preços são geralmente elevados.

Essa característica da Apple e as acusações de obsolescência planeada costumam gerar críticas sobre a durabilidade dos seus aparelhos.

"Nunca pensámos que veríamos isso", reagiu no Twitter o iFixit, um 'site' que se apresenta como um guia para consertar dispositivos eletrónicos.

O que a Apple está a oferecer "não é perfeito, mas estamos felizes por admitirem finalmente o que sempre soubemos: toda a gente suficientemente inteligente para reparar um iPhone", acrescentou.

O novo serviço vai ser lançado nos Estados Unidos no início de 2022, antes de chegar a outros países, e incluirá em breve, além dos smartphones, computadores equipados com o chip M1, fabricado pela Apple.

"Os clientes juntam-se a mais de 5.000 fornecedores autorizados e 2.800 reparadores independentes que têm acesso a peças de reposição, ferramentas e manuais", escreveu a gigante tecnológica.

O diretor de operações da Apple, Jeff Williams, lembrou que, "nos últimos três anos, a Apple quase duplicou o número de pontos de serviço com acesso a peças".

Esta decisão surge no momento em que a Apple é criticada por empresas e autoridades, por controlar muito de perto o seu ecossistema físico e intangível. Problemas de compatibilidade com dispositivos de outras marcas, por exemplo, encorajam fortemente os consumidores a permanecerem na marca da maçã.

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