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Cinema antecipou riscos da Inteligência Artificial

Filmes inscritos na categoria de ficção científica estão a tornar-se realidade. Trump vê os medos como "uma conspiração doentia".

16 de setembro de 2026 às 01:30

“O único controlo ou 'barreiras de segurança' de que a IA precisa é um Presidente forte e inteligente, e os EUA têm isso, de sobra!". Esta a resposta de Donald Trump às preocupações levantadas pelos gigantes das tecnológicas sobre os risco para a Humanidade do desenvolvimento acelerado e sem controlo da Inteligência Artificial (IA). Mas o líder da Casa Branca vai mais longe. Diz que há “muitas forças negativas a falar sobre que não vão acontecer” e deixa no ar uma certeza e uma ameaça: "Quem ganhar a IA, ganha! Estamos à frente da China e de todos os outros, e continuaremos assim. Teóricos da conspiração, traidores e divulgadores de informações confidenciais, cuidem-se!"

Foi o CEO da Anthropic quem detalhou, a semana passada, os riscos do avanço descontrolado da IA. Um cenário catastrófico, afetando todas as infraestruturas críticas: redes elétricas (com apagões generalizados); sistemas de água (com falhas no abastecimento); cadeias de abastecimento (paralisando-as); tráfego aéreo e terrestre (aeroportos, comboios e metro parados e sinalização de trânsito descoordenada); hospitais (desligando máquinas e impedindo diagnósticos); bancos (inviabilizando transferências e o uso do multibanco). O alerta de Dario Amodei foi escutado e aplaudido pelos seus concorrentes, como Elon Musk (xIA), Sam Altman (OpenIA), Mark Zuckerberg (Meta) e Sundar Pichai (Google). Só Trump se opõe à ideia de uma IA com regras mais rígidas de segurança e vigilância. "Há uma conspiração doentia em curso contra a IA e os data centers, e a única que fica feliz com isso é a China", diz o presidente norte-americano.

Há décadas que o cinema alerta para os perigos da IA. As opiniões dividem-se sobre o filme que melhor retratará o domínio da máquina sobre os humanos, tomando decisões de forma autónoma e colocando em risco a nossa vida. ‘2001 – Odisseia no Espaço’, ‘O Exterminador Implacável’ e ‘Matrix’ são os mais icónicos, ainda que outros mereçam referência como ‘Ex-Machina’ ou ‘Blade Runner’.

Em ‘2001 – Odisseia no Espaço’ (1968), o supercomputador HAL 9000 assume o controlo da nave Discovery Onde, para proteger o objetivo da missão: investigar a origem do monólito encontrado na Lua, que emitia um sinal de rádio direcionado para júpiter. Mata todos os astronautas, menos o comandante, Dave, que consegue desligá-lo e prosseguir a viagem. Anos mais tarde, em ‘O Extreminador Implacável’ (1984), que eternizou Arnold Schwarzenegger, a história repete-se, mas, neste caso, a IA levou a melhor.

O sistema de defesa militar 'Skynet', que controlava radares, satélites e o arsenal de armas nucleares, vê a humanidade como uma ameaça e decide eliminá-la, iniciando uma guerra nuclear, a 29 de agosto de 1997, o 'Dia do Julgamento'. Poucos sobrevivem ao inverno nuclear. Dois anos antes, ‘Blade Runner’ (1982) abria a porta à existência de seres humanos artificiais, os replicantes, iguais a nós, não se distinguiam, mas mais fortes e inteligentes. Na sequela, ‘Blade Runner 2049’ (de 2017), tornaram-se uma ameaça à liderança da vida humana. ‘Matrix’ (1999) é o mais complexo.

Quase 30 anos depois, continua a ser objeto de análise, debate e discussão. Na obra-prima dos irmãos Wachowski (hoje irmãs, mudaram de género), a Humanidade já era. A IA assumiu o poder absoluto. Vivemos num mundo virtual, com as mentes aprisionadas. O corpo serve apenas como fonte de energia para as máquinas. Há quem acredite que é o estado em que nos encontramos.

Todos estes filmes estão inscritos na categoria de ‘ficção científica’. Uma ficção que ameaça tornar-se realidade.

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