De golfinhos a cães, gatos, cavalos, burros, coelhos, galinhas... a lista da bicharada usada no que a medicina chama de terapia auxiliada pelos animais prossegue e, em todo o Mundo, multiplicam-se as iniciativas e projectos que recorrem aos amigos de duas e quatro patas para ajudar miúdos e graúdos com diferentes problemas de saúde.
Não usam bata branca nem estetoscópio. Não receitam medicamentos nem realizam cirurgias, mas contribuem para melhorar o tratamento de vários problemas de saúde. E tudo sem sair de dentro de água. Recentemente, os golfinhos têm despertado atenção especial por parte da medicina, graças à sua capacidade de ajudar crianças que sofrem de doenças que vão desde a síndroma de Down à surdez ou autismo.
Em Espanha chamam-lhe delfinoterapia mas, ao contrário do que acontece no país vizinho, onde já existem centros especializados, por cá ainda não está disponível.
Nos Estados Unidos existe há anos com resultados comprovados. Joe é um exemplo do que os ‘doutores’ golfinhos são capazes. Quando nasceu, há 20 anos, em Denver, os pais foram obrigados a enfrentar a dura realidade de um diagnóstico que obrigou a várias passagens pela sala de operações. Depois de uma delas, Joe sofreu um acidente vascular cerebral que lhe destruiu a metade direita do cérebro. Para os médicos, a hipótese de voltar a ter uma vida normal era inexistente. Mas os pais não desistiram e levaram o filho para uma zona a cem quilómetros de Miami, onde existia um delfinário que, segundo asseguram, foi fundamental para a recuperação.
Mas para Élio Vicente, director científico do Zoomarine, é preciso ter cuidado quando se atribui aos golfinhos capacidades acima do normal. “São tão extraordinários como o cão, gato ou cavalo. O que podem fazer é ser usados como instrumentos para terapia”, avança. Contesta que os golfinhos sejam “o remédio para todos os problemas clínicos” e vai mais longe. “Não são animais milagrosos. São mamíferos e têm tanta capacidade para curar como cada um de nós. O que aconteceu é que foi criado um mito à volta destes animais.”
Sandra Fernandes, psicóloga clínica, concorda. “Um dos aspectos fundamentais a esclarecer é que a terapia auxiliada pelos animais não tem o poder de curar a patologia, contribui sim para uma melhor qualidade de vida do indivíduo segundo os seus problemas.”
No entanto, acrescenta Élio Vicente, “a conjugação entre um golfinho treinado e a água é uma combinação que pode ajudar jovens e adultos a relaxarem, a ouvirem melhor os terapeutas e a colaborarem”.
ANIMAIS AMIGOS
Cães, gatos, cavalos, burros, coelhos, galinhas, a lista de bichos usados na chamada terapia auxiliada por animais continua a aumentar. Sandra Fernandes trabalha com cães, na FunSchoolDog, que existe desde 2001, “associando a psicologia e o cão”. O objectivo é “promover a terapia, assistida pelo animal, no acompanhamento de casos relacionados com distúrbios emocionais, síndroma de Down e deficiência motora”.
Quanto aos resultados, apesar de não existirem estudos nacionais a experiência permite observar “melhorias ao nível da comunicação, da interacção social e do comportamento”.
TERAPIA COM CAVALOS PARA DEFICIENTES
São as pessoas com deficiências físicas, psíquicas e as crianças com transtornos de comportamento, dificuldades de aprendizagem ou problemas afectivos os que mais beneficiam da terapia equestre. Este tipo de tratamento deve ser feito sob a supervisão de uma equipa de multidisciplinar, sendo o contacto com os cavalos capaz de produzir efeitos positivos que vão desde melhor coordenação motora, controlo da postura, concentração e aquisição de várias competências.
SALTO DA CAPOEIRA PARA A MEDICINA
Patos, galinhas, pássaros... a terapia com animais tem crescido de forma sistemática desde a década de 80, com vários programas a aplicarem esta forma de tratamento como catalisador na recuperação da saúde mental. Foi usada pela primeira vez, ainda sem o nome que tem hoje, no século XVIII em doentes mentais e foi nesse mesmo século que alguns especialistas começaram a usar cavalos para melhorar a coordenação e equilíbrio de quem tinha problemas nas articulações. Mais tarde os animais participaram no tratamento de epilépticos, mas o primeiro registo oficial desta forma de terapia surge em 1944, como forma de relaxar pilotos da Força Aérea dos EUA, submetidos a tratamentos intensos.
UM REMÉDIO DE QUATRO PATAS
Foi com o psiquiatra infantil norte-americano Boris Levinson que, durante os anos 60, se percebeu que os cães, considerados os melhores amigos do homem, podiam ser usados como co-terapeutas no tratamento de alterações do comportamento, défice de atenção e problemas de comunicação em crianças.
Para além desta vertente, ter um animal de estimação, como um cão ou gato, pode ser um bom remédio para combater a solidão, reduzir a depressão, ansiedade e uso de medicação. Isto para além de favorecer a prática de exercício físico por parte dos donos. Os cães e gatos são, diz quem sabe, os melhores aliados dos idosos.
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