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Luís Archer, de 80 anos, é padre jesuíta, cientista na área da genética molecular e professor universitário. Participa frequentemente em conferências e colóquios em Portugal e no estrangeiro e colecciona prémios académicos – tem uma magnífica colecção de selos da coroação da rainha Isabel II de Inglaterra. Ontem recebeu mais um prémio, o Annualia Verbo, da Editorial Verbo, numa cerimónia que decorreu no final do dia no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Mas o que lhe dá mais prazer é – confidencia ao CM – exercer o sacerdócio. Com humildade, diz que os portugueses o acarinham de mais: “Já recebi muitas homenagens e tenho outra agendada para segunda-feira.”
Luís Archer vive, há 35 anos, na Casa de Escritores de S. Roberto Belarmino (Residência da ‘Brotéria’, a prestigiada revista cultural editada pelos padres da Companhia de Jesus). É uma moradia com um pequeno jardim que funciona como um espaço de cultura aberto ao público.
Na mesma casa viveram e trabalharam figuras marcantes da cultura portuguesa, com destaque para os padres Manuel Antunes, Mário Martins, Serafim Leite, Francisco Rodrigues e Domingos Maurício. Os móveis e estantes forram as paredes com cerca de 150 mil livros, alguns exemplares raros sobre a história dos jesuítas, História Medieval, Teologia, Filosofia e Literatura.
RELIGIÃO E CIÊNCIA
Questionado sobre se se sente mais homem da religião ou da ciência, não hesita: “Sou as duas coisas”.
Contudo, confrontado com alguns temas polémicos para a Igreja – como o uso do preservativo para prevenir a sida, a despenalização do aborto ou ainda a utilização de células estaminais dos embriões – o cientista Luís Archer refugia-se nas posições públicas oficiais do Vaticano e da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida, organismo que integrou.
Luís Archer explica que enveredou pelos caminhos da ciência porque os seus superiores na Companhia de Jesus decidiram que era necessário ter alguém a fazer ciência, sendo ao mesmo tempo padre. “É preciso ser profissional nos dois campos, porque pode haver problemas de entendimento entre a ciência e a religião, que se dissolvem se houver um conhecimento profundo. Caso contrário, pode haver mal-entendidos, com um cientista a atacar a Igreja de há um século ou certos elementos da Igreja pouco conhecedores do progresso da ciência.”
Luís Archer nasceu em 1926, no Porto. Apesar do gosto pelas letras, segue ciências, por influência de um professor de Biologia no Liceu e dos Jesuítas, a ordem religiosa que escolheu. Licencia-se aos 21 anos, na Universidade do Porto. Faz três licenciaturas (Ciências Biológicas, Filosofia e Teologia) e dois doutoramentos, em Genética Molecular e Biologia. Faz parte do grupo selecto incluído em ‘O Grande Livro dos Portugueses’, do Círculo de Leitores.
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