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Correio da Manhã

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Mulheres têm capacidade para ejacular no orgasmo

As mulheres têm uma estrutura semelhante à próstata masculina e ejaculam durante o orgasmo, divulgou um estudo conduzido por urologistas austríacos e publicado na edição de Setembro do ‘Journal of Sexual Medicine’.
10 de Setembro de 2007 às 00:00
Investigação conclui que algumas mulheres podem libertar um fluido orgásmico durante o coito
Investigação conclui que algumas mulheres podem libertar um fluido orgásmico durante o coito FOTO: d.r.
Os especialistas analisaram exaustivamente o aparelho reprodutor e urinário de duas mulheres (com 44 e 45 anos) que afirmavam ejacular durante o coito.
A questão da ejaculação feminina é abordada há vários séculos. No século XVI, o anatomista e cirurgião italiano da Renascença Matteo Realdo Columbus, professor na Universidade de Pádua, focou o tema quando referiu as funções do clítoris. Um século depois, outro especialista em anatomia, o holandês Reigner de Graaf, analisou detalhadamente a mucosa membranosa da uretra, dizendo que poderia ser correctamente apelidada de “prostatae feminina”.
TÉCNICA DE VANGUARDA
Para efectuar a investigação que agora veio a público, os especialistas austríacos submeteram as duas mulheres a uma técnica ecográfica de vanguarda, a ultra-sonografia perineal de alta definição, e analisaram a uretra com um endoscópio. Ao mesmo tempo, recolheram amostras de ejaculação e compararam com a urina expelida antes da actividade sexual. A imagem final revelou a presença de uma estrutura contígua à parede anterior da vagina que rodeava em toda a longitude a uretra e que, segundo os investigadores, tinha a aparência semelhante à da próstata masculina.
Este estudo sublinha ainda que o fluido orgásmico das voluntárias revelou a presença de componentes típicas do sexo masculino, tal como uma substância que só é excretada pela próstata.
INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Apesar dos estudos publicados, a comunidade médica e científica defendeu, antes do século XX, que a ejaculação feminina – que só acontecia por vezes e não necessariamente em todas as mulheres – era sinónimo de incontinência urinária, desassociando esta reacção biológica da actividade sexual.
No século XX, este tema voltou a ser estudado, particularmente depois de, em 1926, o sexólogo holandês Teodoor Hendrik van de Velde referir, no seu manual de casamento, que algumas mulheres expelem um líquido durante o orgasmo e de, em 1950, o sexólogo alemão Ernst Gräfenberg descrever minuciosamente a ejaculação feminina, associando-a, definitivamente, ao prazer da mulher no acto sexual.
A recente edição do ‘Journal of Sexual Medicine’ dissipa dúvidas e desmistifica conceitos anteriores, referindo que as mulheres, efectivamente, têm capacidade para ejacular.
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