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Denominada "LandOS - A Minha Terra", a nova plataforma tecnológica foi criada por um empresário dos Países Baixos, residente há 15 anos em Portugal.
Uma nova plataforma que combina informação oficial, inteligência artificial e ferramentas tecnológicas quer ajudar à limpeza e proteção de terrenos rústicos para evitar incêndios e assumir-se como um polo agregador na relação entre proprietários e o território.
Denominada "LandOS - A Minha Terra", a nova plataforma tecnológica foi criada por um empresário dos Países Baixos, residente há 15 anos em Portugal e ligado ao desenvolvimento de tecnologia, casado com uma portuguesa, com família na zona de Manteigas, na Serra da Estrela, distrito da Guarda.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Rocha, que faz parte da equipa de 10 pessoas responsável pelo desenvolvimento da "LandOS", contou que o fundador do projeto, Alexander Griekspoor, sendo originário de "um dos países mais organizado em termos de ordenamento do território", acabou confrontado com a realidade portuguesa, no que à desorganização relacionada com os terrenos rústicos diz respeito, devido a uma questão surgida em família.
O investidor acabou por identificar "uma oportunidade enorme de poder ajudar os proprietários a navegar esta complexidade que existe, porque parece que, em Portugal, o Estado, para resolver um problema, decide sempre adicionar mais uma camada de informação, seja legislativa, seja de incentivos, apoio ao investimento ou de novas condicionantes", argumentou.
Apesar de estar em desenvolvimento contínuo e ainda longe das suas potencialidades máximas, a "LandOS" lançou, recentemente, um primeiro módulo funcional, de acesso gratuito, onde cada proprietário pode identificar o seu terreno e conhecer as medidas necessárias para o proteger dos incêndios.
Ao entrar na página, disponível em https://proteger.aminhaterra.pt/, a Lusa constatou que, primeiro, é pedido ao proprietário que indique o município ou freguesia onde o terreno se encontra.
O módulo indica, então, o risco de incêndio na zona e como o reduzir, e propõe, entre outra informação, a criação de uma lista de verificação adaptada ao terreno específico, bastando, para tal, responder a umas poucas perguntas sobre a utilização da parcela rústica, experiência do utilizador na gestão e prevenção de incêndios, a existência de edificações ou o tipo de vegetação, entre outras.
Durante o questionário, é ainda pedido ao utilizador que identifique os limites do terreno num mapa interativo, usando ferramentas de desenho fornecidas; depois, a plataforma gera a lista de verificação -- também enviada ao utilizador por correio eletrónico -- compilando um conjunto de obrigações legais e serem observadas, boas práticas e outra informação.
Pedro Rocha indicou que a "LandOS" utiliza um assistente de Inteligência Artificial (IA), denominado "Bom Vizinho", que tem como objetivo "transformar informação complexa em informação mais simples".
"A plataforma visa apoiar o proprietário, dando-lhe clareza e ajudando-o a compreender aquilo que ele pode, deve e tem de fazer", afiançou.
Por outro lado, a plataforma não é só uma ferramenta de prevenção do risco de incêndio, antes uma ferramenta, em contínuo desenvolvimento, relacionada com todas as questões da propriedade rústica.
"Nós temos parcelas de terreno que davam para cada português ter um quintal. São mais de 12 milhões de parcelas de propriedade privada rústica em Portugal. Mas sabemos que o território rural está muito abandonado, por mil e um fatores. Muitas das vezes a terra ficou para trás, não pode ir connosco na mala do carro e o proprietário abandona-o porque não tem outra alternativa, hoje tem uma vida urbana, ou teve de emigrar, ficou desconectado com aquele terreno e não sabe o que fazer", ilustrou Pedro Rocha.
Embora garanta que a plataforma "será sempre tendencialmente gratuita para os proprietários", no futuro a "LandOS" poderá desenvolver um modelo de negócio, conectando os utilizadores "com os parceiros certos", como uma cooperativa, uma associação florestal, um solicitador ou uma empresa de limpeza de terrenos, permitindo que quem, por exemplo, resida em Lisboa, possa usufruir de serviços locais em Bragança, sem ter de se deslocar especificamente com esse propósito.
"A pessoa pode contactar diretamente estes prestadores e isso irá adicionar valor aos territórios, a pessoas que vivem lá e trabalham lá, porque a plataforma passa a encaminhar esses serviços", explicou Pedro Rocha.
Essa colaboração poderá estender-se a municípios, podendo estes perceber "quais são os terrenos que já foram limpos, através de um consentimento informado do proprietário ou definir prioridades na limpeza onde há maior risco de incêndio. A própria plataforma pode ajudar a fazer esta gestão de recursos", vincou Pedro Rocha.
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