Em causa está um modelo em que os jornalistas comandam e a tecnologia apoia.
Os portugueses manifestam-se mais confortáveis com a aplicação moderada da inteligência artificial (IA) pelos media, em que os jornalistas comandam e a tecnologia apoia, num modelo híbrido, segundo o Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25) esta segunda-feira divulgado.
Os homens, os jovens entre os 18 e 24 anos, pessoas com escolaridade elevada e com formação em literacia mediática tendem a ter maior abertura para o uso de IA no jornalismo, conclui ainda o estudo.
Nos últimos dois anos (2024-2025), "o debate sobre o impacto da IA no jornalismo intensificou-se, num contexto de rápida consolidação destas tecnologias a nível global", destaca o DNRPT25.
De acordo com o relatório, "os portugueses se mostram mais confortáveis com a aplicação moderada da IA --- ou seja, com jornalistas no comando e a IA em apoio --- do que com notícias produzidas sobretudo por IA com alguma supervisão humana (34% vs. 17% de conforto declarado)".
Nos cenários de maior automação, a rejeição disso é "significativamente maior", com quase metade (47%) "a declarar desconforto perante notícias produzidas sobretudo por IA face a 27% quando a produção é feita por jornalistas com alguma ajuda tecnológica".
O nível de aceitação da IA varia perante o perfil sociodemográfico: "homens, jovens (especialmente 18-24 anos), pessoas com escolaridade alta e indivíduos com formação em literacia para os media tendem a apresentar maior abertura ao uso da IA no jornalismo", lê-se mo documento.
Em termos de perceção sobre o impacto da IA na qualidade de informação, o relatório aponta que "os portugueses destacam aspetos como a maior rapidez e redução de custos de produção (28% e 27%, respetivamente)".
Contudo, "demonstram forte ceticismo quanto ao potencial da IA para melhorar dimensões como a confiança, a precisão e a imparcialidade das notícias --- apenas 17% acreditam que a IA tornará as notícias mais confiáveis, enquanto 35% consideram que terá um impacto negativo nesse sentido".
No relatório é sublinhado que "a existência de uma elevada proporção de respostas neutras ou indecisas reforça a ideia de que ainda há um grande desconhecimento sobre as aplicações concretas da IA no jornalismo".
Relativamente ao tipo de aplicações preferidas, o interesse por funcionalidades de formato como sumarização, tradução de notícias, recomendações personalizadas) lidera em detrimento de conteúdos sintéticos (produzidos pela inteligência artificial).
"A personalização de conteúdos com base na experiência passada é bem aceite, especialmente no caso da meteorologia (67%), mas o conforto é menor quando se trata de redes sociais ou desporto", refere o estudo.
Em síntese, "a aceitação é mais elevada entre jovens, pessoas com rendimentos mais altos e indivíduos com escolaridade elevada ou formação em literacia para os media".
O DNRPT25 é produzido anualmente pelo OberCom - Observatório da Comunicação desde 2015, publicado a par do relatório global do RISJ - Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Este é o 10.º relatório anual do Digital News Report Portugal.
Com trabalho de campo a cargo da YouGov, o projeto inquiriu a nível global em 2025 cerca de 97 mil indivíduos utilizadores de Internet, em 48 países. Este ano, a Sérvia junta-se ao conjunto de mercados globais em estudo, depois da inclusão de Marrocos em 2024.
O trabalho de campo decorreu entre 13 de janeiro e 24 de fevereiro deste ano.
Em Portugal foram inquiridos 2.012 indivíduos.
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