"Há muita iliteracia digital" e também "acho que há uma responsabilidade dos 'websites'", considera.
O responsável do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) Pedro Mendonça aconselha os utilizadores a lerem "efetivamente" as opções disponibilizadas pelos 'cookies', em vez de "aceitarem cegamente", e defendeu que os 'sites' "devem ser mais transparentes" nesta matéria.
Os denominados 'cookies' são uma espécie de códigos de 'software' que são armazenados no computador através do navegador ('browser') e que retém informação relacionada com as preferências do utilizador.
"O que aconselho [às pessoas] é que leiam efetivamente as opções, em vez de aceitarem cegamente, e quaisquer que sejam as opções que façam relativamente a disponibilizar informações para fins comerciais, por exemplo", que tal seja feito em 'sites' "que considerem ser minimamente fiáveis, 'websites' reconhecidos, de entidades fidedignas", salienta Pedro Mendonça, que coordena o Observatório de Cibersegurança e trabalha no departamento de desenvolvimento e inovação do CNCS.
Acrescenta ainda que os "'websites' devem ser mais transparentes" na informação que disponibilizam aos utilizadores no âmbito dos 'cookies'.
Os 'cookies' "são um instrumento normal na utilização da Internet, são uma espécie de informação que é recolhida relativamente a cada um dos utilizadores dos 'websites' para que" estes "funcionem de uma forma supostamente mais eficaz, mais rápida, mais útil, antecipando cada vez que nós voltemos" ao 'site' "a informação que foi recolhida antes", explica.
Existem vários tipos de 'cookies', uns "são mais orientados para o funcionamento pura e simplesmente prático do 'website' e outros "procuram recolher informação para fins comerciais ou para que haja depois -- na consulta ao 'site' -- uma apresentação mais orientada às características do utilizador", refere Pedro Mendonça.
Em suma, os 'cookies', ao recolherem informação sobre o utilizador -- as suas características, o que faz no 'site' visitado -- podem ajudar a que o 'website' adapte um determinado tipo de conteúdos àquela pessoa.
"O que acontece é que muitas vezes as pessoas não atuam conscientemente em relação a esta realidade" e esta, como outras, "pode ser sujeita a abusos, mas ela em si é uma realidade que faz parte do funcionamento da Internet", salienta o responsável do CNCS.
Pedro Mendonça sublinha que as pessoas, "muitas vezes", aceitam que determinados 'cookies' estejam presentes nos seus dispositivos depois de visitarem determinados 'sites' "sem terem consciência que estão a disponibilizar informação para fins comerciais".
Isso acontece por "falta de informação e de consciência sobre os comportamentos" que se tem 'online' e isso pode resultar em algum nível de ameaça, uma vez que há 'sites' que são mais confiáveis do que outros.
Os utilizadores, diz, deveriam refletir sobre o que estão a autorizar, ler que tipo de 'cookies' querem autorizar ou não.
"As pessoas devem ler e tomar as suas opções, há uma escolha individual", pois "quanto mais deixarmos que os nossos dados sejam utilizados, mais expostos ficamos a essa utilização", prossegue.
No fundo, trata-se de uma "escolha individual" permitir que um 'site' utilize a informação relativamente à navegação ou para fins comerciais.
"É uma escolha que eu tenho de fazer, sabendo que ao disponibilizar determinada informação ela pode ser utilizada eventualmente, ou não, de forma abusiva", salienta.
Por exemplo, se os dados pessoais de um utilizador estão guardados numa determinada entidade através de 'cookies', se esta entidade sofrer um ataque de violação dados, estes podem ser expostos.
"Há muita iliteracia digital" e também "acho que há uma responsabilidade dos 'websites'", considera.
"Muitas vezes, o que acontece é que há 'websites' que fazem a pergunta ao utilizador relativamente aos 'cookies', mas não apresentam de forma clara a hipótese de ele apenas aceitar os 'cookies essenciais para o funcionamento" do 'site', rejeitando os que têm fins comerciais.
Acontece que até em alguns casos, diz, há 'websites' que por defeito, se o utilizador não toma uma opção, assumem que ele aceita todas as hipóteses.
"Há um misto de escolha individual, literacia digital, sem dúvida, e também responsabilidade por parte dos 'websites' de cumprirem com a lei e serem transparentes", sublinha Pedro Mendonça.
E como é que uma pessoa gere os 'cookies' no seu dispositivo? Tal pode ser feito através dos 'browsers' -- como o Google Chrome, por exemplo -- que no menu permitem a gestão dos conteúdos, entre os quais apagá-los ou bloquear.
Os 'cookies' são "uma questão muito própria da privacidade e da proteção de dados", mas que também tem ligação à cibersegurança.
Até prova em contrário, diz, "os 'cookies' são um dispositivo técnico que favorece a usabilidade da Internet e favorece também a necessidade que as plataformas têm de conhecer o seu público", da mesma maneira que se fazem estudos de mercado.
No início deste mês, a presidente da CNPD afirmou que a entidade vai emitir orientações sobre o tratamento de dados nos 'sites', onde se incluem as questões relacionadas com a utilização de 'cookies'.
A questão dos 'cookies' está na ordem do dia depois de o Expresso ter noticiado que os principais endereços do Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm disponibilizado dados dos cidadãos para exploração comercial da Google e de outras marcas ligadas à publicidade, referindo que, além de dados de tráfego, como os que são recolhidos pelo serviço Google Analytics, os endereços SNS24.pt e SNS.gov.pt recolhem dados para campanhas publicitárias através do serviço Doubleclick.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.