CHARMOSAS E MADURAS
Mulheres na casa dos 40, experientes e caprichosas, são a imagem de marca da TVI. Uma mais-valia que a estação não quer destacar, em benefício da promoção de jovens valores.
De quem nos lembramos nós quando invocamos a TVI? A intempestiva Manuela Moura Guedes, a irreverente Teresa Guilherme e a multifacetada Júlia Pinheiro são os nomes que nos ocorrem de imediato. Em contraste, a SIC impõe-se-nos através dos rostos de Sílvia Alberto, Maria João Simões e Marisa Cruz, entre outros. Por outro lado, na RTP ganham mais visibilidade jovens como Andrea Neves, Catarina Furtado e Sónia Araújo.
Se é verdade que a idade traz maturidade e sapiência, a estação de Queluz fez a escolha certa. Porém, quando confrontada com esta afirmação, a TVI discorda, argumentando pela voz do director de Relações Exteriores, Monteiro Coelho, que é “a estação que mais tem apostado no lançamento de novos valores, sejam eles na informação, no entretenimento ou na ficção”.
A realidade parece confirmar esta argumentação. As jornalistas Ana Sofia Vinhas, Ana Leal e Alexandra Borges e as apresentadoras Rita Seguro e Iva Domingues são algumas das apostas mais jovens da estação de Queluz de Baixo. No entanto, são as prestações dos três grandes pilares, Júlia Pinheiro, de 41 anos, Manuela Moura Guedes, de 47 anos, e Teresa Guilherme, de 48 anos, que marcam decisivamente a TVI.
A RTP e a SIC têm apostado igualmente em profissionais mais novos. Apesar de terem nos seus quadros mulheres maduras e experientes à frente de alguns programas e sectores de referência como é o caso de Judite de Sousa e Fátima Campos Ferreira, na informação da estação pública, são muitas as caras jovens nas respectivas grelhas. São disso exemplo Andrea Neves na informação e Isabel Figueira, Sónia Araújo, Maria João Silveira e Merche Romero no entretenimento.
Mesmo as contratações de Catarina Furtado e Alberta Marques Fernandes, profissionais que ganharam grande projecção na SIC, quando ainda estavam na casa dos vinte anos, recaíram em profissionais mais novos que os três pilares da TVI.
A constelação SIC nunca hesitou em apostar nos mais jovens. As apresentadoras Fátima Lopes, Sílvia Alberto, Maria João Simões, Marisa Cruz, Marta Cruz e Ana Marques, e as jornalistas Clara de Sousa, Maria João Ruela e Rita Ferro Rodrigues são alguns exemplos de rostos simbólicos da estação de Carnaxide.
Em Maio passado, a TVI foi, segundo a Marktest, a estação que registou maior ‘share’ na faixa dos telespectadores entre os 45 e os 54 anos de idade (28,6%). Entre os espectadores com idade superior a 64 anos, o ‘share’ da TVI (32,5%) foi ligeiramente ultrapassado pelo da RTP 1 (32,7%), embora sensivelmente superior ao da SIC (23,9%). Dos 55 aos 64 anos, a SIC foi mais vista em Maio (29,8%, contra 28,4% da TVI e 27,8% da RTP 1).
Questionado pelo Correio TV, Monteiro Coelho, director de Relações Exteriores da TVI, invoca dados da Marktest, do primeiro semestre deste ano, para afirmar que a penetração da estação “é claramente a de um canal jovem e activo junto do consumidor português.” E acrescenta: “A TVI tem junto dos indivíduos activos (com mais de 15 anos com um ‘status’ profissional concreto) um ‘share’ de 34,2%, ficando a SIC em segundo lugar com 33,5% e a RTP 1 em terceiro com 25,7%.”
Em termos globais, no que a Maio passado diz respeito, a SIC pode exibir valores de ‘share’ mais altos entre os 15 e os 24 anos (33,5%, contra 26,1% da TVI) e entre os 25 e os 34 anos (34,2%, contra 23,4% da TVI). É entre os 35 e os 54 anos que a TVI domina, em Maio, com valores de ‘share’ na casa dos 28% e algumas décimas, seguida pela SIC a pequena distância.
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