Estrela ‘côderosa’

Nuno Graciano, apresentador da CMTV, assina um texto de opinião no CM de hoje em homenagem à pequena Nonô, que morreu de cancro.

06 de setembro de 2014 às 11:47
Nuno Graciano Foto: Pedro Garcia
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No último ano tive o privilégio de conhecer a Nonô. Era sobrinha de uma colega nossa, a Lara Afonso. Criámos uma relação gira, assente numa picardia e desafio constantes. A mãe da Nonô diz que ela me achava um "borracho" e por isso me picava. Mulheres são mulheres. Mesmo princesas com cinco anos...

Tive o privilégio de a receber no meu programa por três vezes. De todas elas, de todas as vezes em que falámos, sempre me espantou a maturidade, a dignidade com que enfrentava o que lhe estava a acontecer. Era uma criança. Eu sou um adulto, homem feito, mas não foram raros os dias em que invejei a sua coragem.

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Também sou pai, tenho quatro filhos. Quantas vezes tenho medo de um dia o destino me pregar uma partida destas. É impossível não pensar – e se fosse um dos meus? Quando penso nisso a angústia paralisa-me o coração, um aperto sufoca-me a garganta. Não é justo!

A Nonô merecia tudo, tinha a vida inteira pela frente.

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Hoje é uma estrela, uma princesa "côderosa" num céu de príncipes e princesas luminosos que – chamem-me o que quiserem - não deviam lá estar. Meninos que, como ela, travaram uma luta dura e injusta contra um monstro que todas as espadas de diamante não conseguiram vencer, deviam vencer. E talvez vençam, mas os nossos olhos não conseguem alcançar. Resta-nos o coração acreditar.

Mãe Vanessa, pai Jorge, querida Lara e todos... Aceitem a sorrir. Foi ela que nos ensinou.

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