Relatório não detalhou venda de navio de Mário Ferreira
Documento contabilístico deveria conter pormenores do negócio efetuado entre as duas empresas, que tinham o mesmo dono.
Uma contabilista do grupo 'Douro Azul' foi ouvida esta quinta-feira no julgamento, no qual o empresário Mário Ferreira está a ser julgado por uma fraude de um milhão de euros. A testemunha foi questionada sobre o facto de na atividade contabilística o negócio de venda do navio Atlântida entre duas empresas, que pertenciam ao dono da TVI, não ter sido detalhado. Trata-se de uma exigência, segundo o procurador, que ocorre quando estão em causa entidades relacionadas. A acusação diz que neste caso uma das empresas era de fachada e foi criada em Malta para permitir a fuga aos impostos, nomeadamente ao nível do IRS.
“Não faço ideia porque é que isso não aconteceu, mas sei que é mencionada a venda do navio nesse relatório” , explicou Maria Casanova no Tribunal de São João Novo, no Porto, que depois não conseguiu dar resposta a algumas questões colocadas pelo juiz.
Em causa está a compra e venda do navio Atlântida em 2014. A 'Mystic Cruises' de Mário Ferreira comprou o navio aos estaleiros de Viana por 8,5 milhões de euros e vendeu-o por mais de 11 milhões à ITW, uma empresa de Malta também gerida pelo empresário. Meses depois o navio viria a ser vendido por 17 milhões a uma empresa norueguesa. Esta quinta-feira foi ouvida também uma testemunha, que figurava como secretária da ITW e que explicou que lhe foi pedida a criação desta empresa em Malta. Alegou que nunca contactou com Mário Ferreira diretamente e disse não entender como a acusação viu um esquema na forma como tudo foi feito. "Não faz sentido nenhum, para mim é absurdo. Se a 'Mystic Cruises' criou uma estrutura tão pesada para ter menor tributação porque é que não foi logo para a Madeira como depois foi?", questionou Sofia Braga.
Mário Ferreira, que foi dispensado de comparecer no julgamento, alegou na primeira sessão que está inocente. O empresário devolveu, entretanto, o valor que estava em falta, mas o Ministério Público continua a reclamar 110 mil euros de juros compensatórios.
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