Venda de terreno abre nova polémica na RTP
A RTP desfez-se de um imóvel à beira-mar que em quatro anos valorizou sete vezes.
A RTP vendeu, em 2016, o edifício e o terreno da estação emissora de rádio em Miramar, Vila Nova de Gaia, por 1 751 000 euros ao empresário flaviense António Fontoura, que agora o recolocou à venda por 12,3 milhões - sete vezes mais do que o preço original.
O investidor está a revender o imóvel com a indicação de que os 27 mil metros quadrados, mesmo em frente ao mar, são uma boa oportunidade de negócio para erguer um hotel, ‘resort’ ou condomínio. A situação está a levantar suspeitas de má gestão e o CM sabe que o caso será levado ao Parlamento pelo BE. A venda foi feita quando a administração da RTP era composta por Gonçalo Reis, Nuno Artur Silva -atual secretário de Estado - e Cristina Vaz.
Contactado pelo CM, António Fontoura revela os contornos do negócio e explica o milagre por detrás da multiplicação do seu valor em menos de quatro anos. "Em 2016, o terreno estava à venda com um preço base de 900 mil euros, sujeito a ofertas em carta fechada. Fiz uma proposta, mas a RTP suspendeu a venda porque percebeu que o valor do terreno estava baixo", explica o construtor civil. Semanas depois o imóvel volta ao mercado por um preço base de 1,32 milhões de euros e Fontoura fez a oferta mais alta. "O terreno na altura não era urbanizável. Aliás, ainda não é porque estamos à espera da aprovação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira. Com a aprovação o terreno valerá este dinheiro e até já tenho uma oferta de 14,7 milhões", revela o proprietário.
Mas há outra questão por explicar: o CM analisou os relatórios e contas da RTP de 2016, 2017 e 2018 (ainda não foi aprovado o que 2019) e não conseguiu detetar em que rubrica(s) os mais de 1,7 milhões de euros da venda deste imóvel foram inscritos na sua totalidade. Confrontada, fonte da administração da RTP remeteu esclarecimentos para a próxima semana.
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