Jornalista recebeu prémio por ter capturado "imagens icónicas" do período eleitoral do país em 2024.
A jornalista Luísa Nhantumbo, da agência Lusa, foi galardoada na quinta-feira com o prémio de "Melhor Repórter de Imagem" pelos Media Club Awards 2025, em Moçambique, por ter capturado "imagens icónicas" do período eleitoral do país em 2024.
"A Luísa Nhantumbo é uma jornalista da agência Lusa [desde 2019]. É repórter de imagem, mas também é repórter de texto. Notabilizou-se, e tem estado a notabilizar-se, nos últimos tempos, principalmente pela cobertura pré, durante e pós-eleitoral [do escrutínio presidencial de outubro de 2024]. Captou imagens icónicas", referiu o apresentador da 3.ª edição desta gala anual dos 'media', organizada pela empresa de comunicação MediaClub, que decorreu no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo.
O trabalho de fotojornalismo de Luísa Nhantumbo relativo às eleições gerais de 2024 - marcadas por uma forte contestação dos resultados eleitorais, que mergulharam o país num caos, causando 411 mortos e 7.200 detidos, segundo dados da plataforma Decide - fez com que fosse apelidada de "fotógrafa das manifestações".
A jornalista e coordenadora da delegação da Lusa em Moçambique, declarou que este prémio é o reconhecimento da correria diária que tem tido, assim como da própria delegação e agência de notícias, para contar histórias desta nação lusófona.
"[O prémio] é importante porque especifica a coisa que eu mais gosto de fazer, que é reportar através de imagens - no caso fotograficamente e, por vezes, em vídeo - e evidencia-me de novo como sendo esta pessoa que está 'à frente' a registar os momentos mais, ou até os menos, importantes do país, desde o período pré-eleitoral à tomada de posse do novo Presidente, Daniel Chapo", referiu.
Para a fotojornalista, é significativo e gratificante estar à frente desses eventos e poder ser "um espelho nacional e internacional dos acontecimentos que marcam a História de Moçambique".
Nhantumbo referiu ainda que já não é possível dissociar-se o seu nome desse período moçambicano.
A violência em Moçambique cessou após um primeiro encontro, em março, entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados eleitorais, estando em curso um processo de pacificação que prevê o compromisso governamental de realizar várias reformas, incluindo na Constituição e leis eleitorais.
Relativamente à liberdade dada aos jornalistas no país, Nhantumbo explicou que, durante este período de cobertura, nunca sentiu impedimentos, mesmo em fases de maior tensão, mas esclareceu que não pode dizer que há uma efetiva liberdade de imprensa no país, "porque há lacunas".
"Gostava que continuasse assim, que o espaço para a imprensa, o espaço para os jornalistas se abrisse mais. Porque eu não senti isso nas manifestações, mas posso já ter sentido noutras circunstâncias, e como outros tantos jornalistas já sentiram", lamentou.
Por isso, Nhantumbo pede que seja dado "mais espaço aos jornalistas para serem jornalistas".
A direção de informação da agência Lusa felicitou esta sexta-feira a jornalista pelo prémio, considerando que "ao longo dos últimos anos, as fotografias e vídeos da Luísa têm mostrado um lado da vida real moçambicana menos retratado, com inegável qualidade e talento".
"O prémio atribuído a Luísa Nhantumbo (...) bem como a nomeação do delegado Paulo Julião para o prémio de melhor correspondente estrangeiro, atestam o excelente trabalho realizado pela delegação em Moçambique e, assim, o reconhecimento do papel da Lusa neste país. Os nossos jornalistas em Moçambique estão de parabéns e também a Lusa", acrescentou.
A Luísa Nhantumbo já tinha sido, este ano, nomeada como uma das 30 mulheres mais influentes na Comunicação, Marketing e Relações Públicas pelo Fórum de Comunicação, Marketing e Relações Públicas em Moçambique (COMARP Fórum).
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