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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

AVENTURAS EM BOM PORTUGUÊS

A série ‘Uma Aventura’ regressa ao ecrã, a partir de Outubro, na SIC. As histórias inventadas por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada ganham nova vida e novos actores. Mas emoção e ritmo não vão faltar…

25 de setembro de 2004 às 00:00

Foi um osso duro de roer gravar uma corrida de natação num acampamento de férias. Uma das figurantes não sabia nadar, os outros não cumpriam as ordens à primeira e a galhofa reinante passava para a gravação.

Com nervos de aço, o realizador Carlos Dias Coelho, obrigado pelo guião a registar um falso afogamento, mantinha a calma no meio de todo aquele bulício. “Vamos fazer a cena só mais uma vez”, repetia até à exaustão. “Ninguém se afoga com os pés no chão”, explicava.

“Tenta manter o corpo dentro de água e não sorrias tanto”, repetia Nuno, o coordenador, a um dos jovens actores. De megafone em punho, caiu-lhe em sorte a dura tarefa de manter a ordem na trupe de adolescentes que via as filmagens como mais um dia divertido passado na escola de Ski de Rio Frio.

Rudy Rocha, Pedro Nolasco, Francisco Areosa e as gémeas Diana e Maria Figueiredo são os novos rostos de ‘Uma Aventura’, com uma nova fornada de 16 episódios a exibir pela SIC a partir de Outubro, e que adapta a mais conhecida e lida colecção da literatura juvenil de Portugal, assinada por Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães.

INEXPERIÊNCIA E SUCESSO

Inexperientes no que respeita a filmagens, os jovens actores nem sequer se preocuparam com o facto de estarem a substituir os primeiros intérpretes da série, que teve bastante sucesso. “Não há comparação. São épocas diferentes e este trabalho está a ser muito divertido”, explica Maria, a mais faladora das gémeas Figueiredo. Maria e Diana foram convidadas depois de terem aparecido numa revista social, ao lado da avó, Aida Mexia.

A falta de experiência perante as câmaras é compensada pelo à-vontade com que enfrentam esta nova tarefa e a mais-valia de serem gémeas idênticas. Iguais, como duas gotas de água, as irmãs Figueiredo são facilmente confundidas na rodagem e revelam que muitas vezes isso também acontece na vida real. “Às vezes dá jeito, mas por vezes é cansativo estarem sempre a perguntar-nos se somos a Maria ou a Diana.”

Francisco Areosa, de 17 anos, participou na curta-metragem ‘Os Cavaleiros de Água Doce’ (2000) e assume agora o papel do rebelde do grupo. Desinibido, gosta deste “desafio aliciante”, pois o Xico de ‘Uma Aventura’ dá respostas que nunca lhe passariam pela cabeça. Para mais, Francisco – que pretende cursar Economia - está bem a par da história, pois “em pequeno lia os livros que o irmão mais velho comprava”.

QUEM QUER SER ACTOR

Pedro Nolasco, de 20 anos, interpreta Pedro, o intelectual do grupo. Sério e compenetrado, como a personagem dos livros, vê neste trabalho uma “experiência interessante” mas dúvida quanto a seguir a carreira de actor. “Ainda é algo a pensar”, diz à Correio TV.

Rudy, de 18 anos, assume a personagem de João e é o mais experiente da série. Já participou na telenovela ‘O Olhar da Serpente’ (SIC) e encara estas filmagens com grande profissionalismo: “As filmagens em Rio Frio até correram bem, o único senão foi a água estar tão fria. Pior foi a noite passada na tapada de Mafra, durante a qual tivemos de simular um assalto a uma gruta para o episódio ‘Uma Aventura na Gruta’.”

Foi precisamente para completar esse episódio que o elenco se reuniu em Rio Frio. A história segue as aventuras dos cinco amigos num acampamento de férias, quando descobrem que um dos monitores (interpretado por Miguel Romeira) fabrica notas falsas. Seguem-se muitas peripécias e, no final, o malfeitor é desmascarado. No elenco destacam-se ainda Alda Gomes, Carla Salgueiro e Miguel Sá Monteiro.

TV ORIGINAL

Vera Sacramento, de 29 anos, é a responsável pela adaptação televisiva desta segunda série. Antes de finalizar cada episódio, a guionista reúne-se com o realizador, Carlos Dias Coelho, e as autoras, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e admite que estas têm sempre a última palavra.

Quem conhece as aventuras dos livros pode notar algumas diferenças na série de TV, mas isso é apenas mais uma das tarefas da adaptação. “É um trabalho moroso que exige alguns cuidados específicos”, explica Vera Sacramento à Correio TV. “É necessário ler o livro com outro olhar e ter alguns conhecimentos técnicos para ver o que é viável.” Nalguns casos, alteraram-se as cenas por não serem executáveis, mas determinadas situações mudaram apenas por estarem desajustadas no tempo.

“No episódio de ‘Uma Aventura no Ribatejo’, não era possível concretizar a cena final. Tratava-se de uma perseguição de helicóptero a um ‘gang’, que roubava gado na zona do Santarém. Nos livros descreve-se uma manada a fugir à frente do helicóptero, mas isso, não só ia custar muito dinheiro, como não seria espectacular em termos televisivos, pelo que optámos por mostrar a detenção do ‘gang’ num armazém…”.

Outra situação foi alterada logo no arranque de um episódio, quando o grupo de amigos fica retido na escola devido a um forte nevão que cai sobre Lisboa. “Isso seria muito complicado de filmar, porque na realidade não neva em Lisboa. Optámos por criar outra situação, em que uma ameaça de bomba obriga os cinco amigos a ficarem presos na escola”, lembra Vera Sacramento.

E a guionista salienta ainda que, pelo facto de os livros terem sido escritos há cerca de 20 anos, muitas situações estão desajustadas. “Lembro-me de uma história em que um dos rapazes entra num café para telefonar. Hoje todos os jovens têm telemóvel, por isso é preciso adaptar a esta nova realidade.”

CUIDADO COM O ‘CALÃO’

Objectiva na fidelidade ao bom português, a guionista Vera Sacramento evita sempre o uso de calão. “Incomoda-me quando deixam passar isso nas filmagens. Neste momento, há muita concorrência entre canais e uma das posturas é precisamente a de repetir a fala corrente dos adolescentes, os ‘bués’ e os ‘daaas’, com todos os erros que isso implica. A minha postura é a contrária”, refere.

“O que faz o sucesso desta série é o facto de o português ser muito cuidado. Os livros da série ‘Uma Aventura’ continuam a ser lidos na escola e isso só acontece porque há muito rigor na língua portuguesa.”

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