Aos 56 anos, Bryan Cranston viu-se catapultado para a fama com ‘Breaking Bad’, uma série que já lhe valeu três Primetime Emmy Awards para Melhor Actor em Série Dramática.
Correio da Manhã – Até que ponto ‘Argo’ foi também uma viagem no tempo para si? Com os cortes de cabelo, a roupa e sobretudo a atmosfera da altura...
Bryan Cranston - Foi óptimo, porque apenas tive de ir ao armário e tirar de lá os meus fatos velhos. Ainda com polyester, as lapelas amplas. Deixei crescer as patilhas. Acho que o cabelo era adequado à altura. Foi interessante, porque o Ben [Affleck] teve talento para nos transportar à velha sociedade daquele tempo. Vê-se nos detalhes: beber durante a tarde, fumar nos aviões, mensagens que são sugadas por aqueles tubos de ar... O constante matraquear das máquinas de escrever. Naquela altura, enviávamos uma mensagem e depois tínhamos de esperar... Hoje em dia, isso é dramático, porque se exige rapidez. E num filme ainda mais. É como uma montanha-russa.
Já lhe aconteceu perseguir um filme, como em ‘Argo’? Ou sentiu que perdeu algumas oportunidades por estar ‘preso’ na série ‘Breaking Bad’?
Eu nunca estive ‘preso’ em ‘Breaking Bad’. Aliás, foi graças a ‘Breaking Bad’ que fiz ‘Argo’! Não vejo as coisas assim. Quando estou envolvido numa história não penso em mais nada. Mas também sou fatalista, se o faço é porque é suposto ser para mim. Quando isso não acontece, é porque não era suposto ser para mim.
É incrível como Ben Affleck, um jovem actor-realizador, consegue fazer uma história tão incrível como esta...
Sim, sem dúvida. Doravante devemos tirar o hífen de actor-realizador. É um dos melhores realizadores com quem trabalhei. E terá uma grande carreira nessa qualidade.
O George Clooney produz o filme. Ele envolveu-se muito?
Sim, bastante. No entanto, o George não quer estar demasiado presente, por razões óbvias. Mas estava todos os dias no set. Até porque precisava de ajudar o Ben, enquanto ele estava no papel de actor.
Como vê o envolvimento e, sobretudo, o desfecho de Hollywood nesta história?
A verdade é que normalmente Hollywood é conhecido por fazer o contrário. Ou seja, explorar o momento em proveito próprio. Só que neste caso é exactamente o oposto que sucede. Naquela altura, John Chambers e os seus colegas tinham de saber que nada disto poderia ser conhecido, para se poderem salvar vidas. Independentemente das nacionalidades. Nunca haveria reconhecimento e nunca haveria retorno financeiro. Essas são boas razões.
Sentiu que o final, após aquela história incrível, aquele momento típico de Hollywood, com a perseguição final, era adequado?
Senti sim. Acho que é importante. Mas o mais importante é manter o espírito da história, que é verídica. Os reféns viveram aquelas circunstâncias, o resgate aconteceu com uma equipa de filmagem fictícia. Todos esses detalhes são verdadeiros, o que torna a história mais interessante. Quem desejar perceber o que foi adornado, também é fácil fazê-lo. Não é um segredo.
Acha que hoje em dia a televisão acaba por criar ficção mais agradável que o cinema?
Sim, acho que sim. A TV sempre foi um meio de argumentistas. E hoje parece que o cinema se preocupa mais em fazer dinheiro do que apoiar pequenos filmes. Mas nesse plano, a Warner Brothers tem seguido um caminho diferente, porque apoia histórias como estas. E muitas coisas poderiam ter corrido mal com ‘Argo’. É sexy? Não. Não há romance. Porque quererão os jovens ver este filme? É por isso, temos de conseguir contar uma boa história. Felizmente, ainda há pessoas nos estúdios que apoiam estes projectos.
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