Depois da saída polémica da direcção da TSF, Carlos Andrade volta à televisão com o novo ‘Flashback’, o programa que moderou durante mais de uma década aos microfones da ‘sua’ rádio. ‘Quadratura do Círculo’, agora na SIC Notícias, é o título do seu novo projecto.
Correio da Manhã – Está contente com o regresso do ‘Flashback’ (agora ‘Quadratura do Círculo’)?
Carlos Andrade – Estou obviamente muito satisfeito, sobretudo porque me permite continuar ligado às notícias todos os dias e debruçado na janela da actualidade.
– Que expectativas nesta renovação do programa? Ou será antes uma continuação?
– É mais uma continuação. O ‘Flashback’ era uma marca. As gentes, a forma do debate e a alma do programa mantêm-se inteirinhos.
– Foi alterado porque, consultada a administração da TSF, não foi disponibilizada a utilização do título ‘Flashback’. Nunca admitimos disputar o nome com a rádio e resolvemos encontrar outra solução.
– A par com a TV, ainda se considera a hipótese de pôr o programa na Antena 1?
– Actualmente, as questões de rádio não estão em cima da mesa.
– Depois da SIC, que diferenças agora na SIC Notícias?
– O painel não é o mesmo. Antes estava o Nogueira de Brito e agora está o Lobo Xavier. Mas uma das características do programa é a constância dos participantes e não noto grandes diferenças. O clima de debate funcionaria em qualquer suporte.
– Quais as recordações dos tempos do ‘Flashback’ na TSF?
– O ‘Flashback’ está a fazer quinze anos. Começou com o Emídio Rangel como moderador e com dois terços do painel actual – já estava o José Magalhães e o Pacheco Pereira. Depois, quando eu entrei, apaixonei-me logo pelo programa.
– O que o apaixona verdadeiramente?
– Tenho o privilégio, todas as semanas, de poder debater com pessoas de vários quadrantes da política – dentro e fora do programa –, de invulgar craveira intelectual, profissional, cívica... E o ‘Flashback’ tem um prazo de validade, com estas pessoas, longe de estar esgotado. O facto de serem as mesmas pessoas faz com que algumas coisas até possam ser desviadas em nome da eficácia do debate. E a relação pessoal criada, não anulando diferenças, gera um ritmo que funciona por ele próprio.
– Não tem receio de que, a certa altura, se criem códigos de linguagem próprios, ‘private jokes’ até?
– Uma das missões de um moderador é impedir que isso aconteça ou explicar ao público, como já aconteceu, algumas das ditas ‘private jokes’.
– Ao longo de 15 anos de TSF, quais os melhores momentos?
– A TSF foi o que de mais gratificante pude fazer na minha vida profissional. Paixão é uma palavra que me ocorre muito quando falo da TSF e, por projecção, do ‘Flashback’. A melhor recordação é a possibilidade de trabalhar com uma equipa fantástica, com enorme amor à camisola. Crescer com ela foi um notável privilégio e um caso ímpar nas casas de informação em Portugal.
– Enquanto director, bateu-se sempre pela sua equipa...
– Bati-me sempre muito pela TSF.
– A saída foi uma desilusão?
– Desilusão não é a palavra. Às vezes, a paixão mistura-se com a razão. E a paixão impediu que tivesse tentações de desistir quando sentia que as coisas podiam não correr como desejaria. Os motivos de divergência por que me demiti da TSF foram racionais. Havia entendimentos diferentes sobre o que era melhor para a rádio e divergências estratégicas que tornaram natural a minha demissão. Mas as minhas relações pessoais com o conselho de administração – nomeadamente com Henrique Granadeiro, de quem me tornei amigo – começaram aí, mas não impediram as divergências que conduziram a que outras pessoas fossem chamadas à TSF certamente para fazer o melhor para a rádio, à luz de certos pressupostos.
– Como vê agora o rumo da TSF?
– Por razões óbvias, não quero comentar. Mas posso dizer que, quem está agora à frente da rádio estará a fazer o que acha que é o melhor para a TSF. Os resultados desse esforço traduzirão novas realidades... Continuando a ser a TSF a minha rádio, faz parte do meu passado profissional.
– Em algum momento sentiu que abandonou a sua equipa?
– Em momento algum. Muitos poderiam testemunhar o contrário.
– Agora é um quadro da TSF emprestado à PT Multimédia. Que funções exerce exactamente?
– Assessor editorial do presidente da Comissão Executiva, Zeinal Bava. Estou muito entusiasmado com o convite. Tenho um ‘cabedal’ de experiência nos conteúdos e estou cá para ajudar enquanto jornalista.
– O que lhe falta ainda fazer?
– Poder seguir a carreira de jornalista.
– Rádio ou televisão: qual a verdadeira paixão?
– Neste momento, mentiria se negasse que me sinto, sobretudo, um jornalista de rádio. O futuro, logo veremos...
Carlos Andrade conta com uma bem sucedida carreira de quase três décadas. Iniciou-se aos 18 anos, na imprensa escrita, numa revista especializada na área sindical, passou pelo ‘Portu-gal Hoje’ e pela Rádio Comercial (nos tempos, do grupo Radio-difusão Portuguesa), antes de integrar a equipa da TSF, logo nos primórdios da rádio fundada por Emídio Rangel, em 1988.
Nos últimos oito anos, comandou os destinos directivos da estação a par com o programa que mo-dera há mais de uma dezena de anos – o ‘Flashback’. Saiu, por “divergências estratégicas” com a administração da Luso-mundo Media (da qual a TSF faz parte) em Agosto passado, mas manteve-se no grupo Portugal Telecom (a empresa-mãe). Aos 44 anos e depois de um período de mais de dois anos na SIC, entretanto interrompido, Carlos Andrade regressa à televisão com ‘Quadratura do Círculo’ (o novo nome de ‘Flashback’), agora na SIC Notícias, aos domingos. A par, assumiu a assessoria editorial da PT Multimédia e mantém-se como professor na Escola Superior de Comunicação Social.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.