As previsões da Initiative apontam para uma audiência média de 125 milhões de pessoas por jogo. Um valor recorde quando comparado com os 93 milhões do Mundial 2006.<br/>
Quando, às 15h00 de hoje, Ravshan Irmatov, árbitro do Usbequistão, apitar para o começo do jogo inaugural do Mundial de Futebol, entre a África do Sul e o México, não vai estar apenas a dar o arranque na prova, irá estar também a assinalar o início do maior evento televisivo de sempre da História. Os 64 jogos do Mundial da África do Sul deverão ter uma audiência média global acumulada de oito mil milhões de pessoas, o que faz deste o maior evento de sempre da televisão. Por exemplo, em 2006, no campeonato disputado na Alemanha, a audiência acumulada foi de ‘apenas’ 5,9 mil milhões de espectadores, enquanto o Mundial da Coreia, quatro anos antes, foi visto por 5,3 mil milhões de pessoas. Números muito superiores, por exem-plo, aos dos Europeus de Futebol. O Euro 2004, realizado em Portugal, contou com uma audiência total de 2,49 mil milhões de pessoas, valor ultrapassado quatro anos depois no Campeonato da Europa da Áustria/Suíça, que contou com uma audiência acumulada global de 2,53 mil milhões de espectadores.
De acordo com as previsões da agência de meios Initiative, cada jogo do Mundial 2010 será visto, em média, por 125 milhões de pessoas, um recorde quando comparado com a média de 93 milhões de espectadores registados na prova de 2006 e os 83 milhões do Mundial 2002. Já a audiência esperada para a final é de 350 milhões de pessoas. Uma vez mais, um recorde absoluto. Para tal basta recordar que a final de 2006 (em que a Itália venceu a França na marcação de grandes-penalidades) foi vista por 284 milhões de pessoas. O impacto televisivo do Mundial de Futebol só encontra paralelo nos Jogos Olímpicos, onde a cerimónia de abertura dos Jogos de Pequim continua a ostentar o título de maior transmissão da História.
“O jogo final do Campeonato do Mundo de Futebol poderá alcançar uma audiência média global em directo de 350 milhões de telespectadores, o que, a confirmar-se, será a final mais vista em termos globais da história dos Campeonatos do Mundo de Futebol. No entanto, mesmo registando aquela audiência, não ultrapassaria a audiência média da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim (593 milhões), dada a dimensão do território chinês e a sua contribuição para o visionamento da cerimónia”, diz à Correio TV Rita Martins, directora de ‘Insight’ na Initiative. Contudo, a responsável explica que este fenómeno está directamente ligado à dimensão do território chinês, já que é esperado que “o visionamento da final do Campeonato do Mundo de Futebol, em cada um dos restantes mais de 200 países em todo o Mundo, ultrapasse o visionamento da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim”.
Apesar de as perspectivas mundiais serem de recorde absoluto, em Portugal as audiências devem ser inferiores às do Mundial 2006, devido, sobretudo, ao horário dos jogos. Estes vão ser disputados, na sua grande maioria, em horário laboral. Por exemplo, a selecção nacional arranca a sua participação às 15h00 de 15 de Junho contra a Costa do Marfim. Segue-se a partida com a Coreia do Norte, às 12h30, e com o Brasil, novamente às 15h00.
Mas não é por isso que as televisões portuguesas vão deixar de apostar no evento (ver caixas). A RTP, que comprou os direitos de transmissão destes jogos em 2005, destacou uma equipa de 19 pessoas para a África do Sul e, além dos jogos, vai emitir diversos programas em torno do evento. O mesmo faz a SIC, que transmite 18 partidas e tem uma equipa de 11 pessoas em território sul-africano. Já a TVI, o único dos três canais generalistas que não vai emitir jogos do evento, tem mais de 50 profissionais a trabalhar no Mundial, sendo que doze estão no terreno.
Eventos como o Mundial de Futebol são, de resto, uma grande oportunidade para as televisões em termos de audiências e também comerciais. No entanto, as expectativas para a prova da África do Sul são inferiores às do Mundial da Alemanha, onde Portugal atingiu as meias-finais. A causa? O horário dos jogos e a crise económica. Ou seja, além de ser esperada uma menor audiência para os jogos da selecção nacional (que em 2006 foram vistos por uma média de 2,9 milhões de pessoas em Portugal), os cortes publicitários que as marcas estão a fazer vão afectar os canais que investiram no evento.
“Os canais ainda não venderam todo o espaço publicitário”, revela Alberto Rui, director-geral da Initiative, que recorda que o mercado publicitário está a passar por um “processo difícil”. “Os orçamentos são limitados, e se as marcas que patrocinam o futebol têm presença garantida, outras que até gostariam de estar não o vão fazer”. Assim, prevê que as receitas que vêm do Mundial “não serão tão elevadas como as de 2006”. Para este evento, e como já vem sendo normal, as televisões criaram ainda pacotes especiais de publicidade, que permitem às marcas “um acesso privilegiado e garantem que estas aparecem sempre”, explica André Freire de Andrade, CEO da Carat. Assim, e além dos anúncios no meio dos jogos, estas marcam presença em tudo o que é espaço dedicado ao Mundial, como os “programas associados, resumos, entrevistas, entre outros”. “Se uma marca não comprar o pacote, depois corre o risco de querer e não ter espaço”, diz este responsável. No entanto, Alberto Rui adianta que para a segunda fase da prova ainda há muito espaço por vender. Uma decisão que está directamente ligada à performance da selecção nacional. Ou seja, quanto mais longe Portugal for na prova, mais publicidade os seus patrocinadores vão comprar.
O Mundial 2010 será também um foco de inovação tecnológica, com as empresas de ‘media’ e de telecomunicações a investirem forte na cobertura multiplataforma, nas emissões em alta-definição e a três dimensões e também na interactividade. Em Portugal, empresas como a Portugal Telecom e a Sonaecom estão a apostar em informação interactiva para que os seus clientes possam tornar mais rica a experiência de assistir a um jogo de futebol. O Meo, por exemplo, criou um canal interactivo gratuito em parceria com a RTP. Este dá acesso a notícias, vídeos, estatísticas, entre outros. Durante os jogos emitidos pela RTP, este disponibiliza também seis ecrãs adicionais que permitem acompanhar a táctica das equipas, os jogadores (um de cada equipa) e os treinadores. Já o serviço de televisão da Optimus, através da aplicação Mundial Interactivo, possibilita aceder a informação complementar sobre o jogo de futebol a que estão a assistir, como o resultado da partida, alinhamento das equipas, substituições, estatísticas, resultados de outros jogos a decorrer em simultâneo e notícias de última hora.
Mas a televisão não será o único meio onde será possível acompanhar os jogos do Mundial. A TMN, por exemplo, vai transmitir em directo, via Meo Mobile e com um tipo de filmagem optimizado para a visualização de televisão no telemóvel, todos os jogos do Campeonato da África do Sul. Também o Sapo, fruto de uma parceria com a RTP, irá emitir em directo na Internet 28 jogos do Mundial, entre estes os da selecção nacional.
MUNDIAL EM DIRECTO NA RUA
A RTP1 está a preparar uma vasta operação para o Mundial. Além dos jogos, o canal emite diariamente ‘Ligados a Portugal’ e ‘Força Portugal’. Um programa feito em directo de Lisboa e Porto. Na capital, na Praça da Figueira, vão estar Tânia Ribas de Oliveira e João Baião. Na Invicta, a partir da Ribeira, estão Sónia Araújo e Jorge Gabriel.
Luís Freitas Lobo vai ser um dos comentadores de serviço na RTP e irá acompanhar grande parte dos jogos. Os comentários às partidas de Portugal estarão a cargo de António Tadeia. A narração dos jogos da Selecção de Portugal vai estar a cargo do jornalista Hélder Conduto. A jornalista Rita Marrafa de Carvalho integra a equipa da RTP na África do Sul mas a sua missão não tem que ver com o Mundial. O objectivo é fazer reportagem sobre os aspectos sociais do país. São 19 os profissionais que a RTP (Rádio e Televisão) destacou para a África do Sul. “Temos de aproveitar ao máximo os nossos recursos”, diz José Alberto Carvalho.
SIC
INFORMAÇÃO E ENTRETENIMENTO
A estação de Carnaxide comprou à RTP um pacote de 18 jogos do Mundial e vai ter na África do Sul, pelo menos até ao final da fase de grupos, 11 profissionais (oito da Redacção e três da Programação). Além dos jogos e do acompanhamento do evento, a SIC Notícias vai emitir resumos alargados de todas as partidas e, diariamente, vai ter seis blocos noticiosos do ‘Diário do Mundial’ (dois na SIC e quatro na SIC Notícias). Além disso, a equipa de Daniel Oliveira participa em programas como ‘Companhia das Manhãs’ e ‘Vida Nova’. Outra das apostas da SIC é o programa ‘Football for Kids’ (de 21 a 25 de Junho), em que o treinador português José Mourinho dá conselhos sobre futebol a crianças. Pedro Santana Lopes é um dos convidados da SIC para comentar todos os jogos de Portugal no ‘Jornal da Noite’. Miguel Sousa Tavares é o outro comentador fixo da SIC e vai estar no ‘Jornal da Noite’ nos dias dos jogos de Portugal.
TVI
APOSTA EM ‘MAIS MUNDIAL’
A TVI é a única das três estações generalistas que não emite jogos do Mundial. Ainda assim, tem uma equipa de 50 pessoas a trabalhar no evento, doze das quais na África do Sul. Sousa Martins é o responsável pela equipa no terreno, que vai estar encarregada do acompanhamento da selecção nacional. A estação aposta também em ‘Mais Mundial’ (TVI 24, às 23h00), um programa de opinião e debate sobre o Mundial da África do Sul. João Querido Manha, Toni e Carlos Mozer são alguns dos comentadores.
SPORT TV
850 HORAS DE MUNDIAL
O canal desportivo é o único que vai emitir os 64 jogos do Mundial, tendo programado dedicar mais de 850 horas de emissão ao evento que se realiza na África do Sul. No terreno, Rui Orlando coordena uma equipa de 13 profissionais. O ex-seleccionador nacional Humberto Coelho é um dos comentadores de serviço da Sport TV. Os internacionais Jorge Andrade e Ricardo também fazem parte do ‘plantel’ do canal de TV. O ex-treinador do Sporting faz parte da equipa de comentadores residentes da Sport TV. José Peseiro, que também já treinou os leões, é outra das contratações da Sport TV para o Mundial.
CANAIS APOSTAM NA REPORTAGEM: CONHECER A ÁFRICA DO SUL
As televisões nacionais aproveitam o Mundial para apresentar a África do Sul aos portugueses, com diversas reportagens sobre o país. Foi o caso da SIC com ‘Mandela: Um Homem Bom’ (de Cândida Pinto) e ‘África do Sul: Depois do Apuramento’ (de Miriam Alves).
MEO INOVA: JOGOS A TRÊS DIMENSÕES
Alguns jogos deste Mundial podem ser vistos a três dimensões. O Meo fechou uma parceria com a Live it Well, Sagres, UCI e RTP que permite a transmissão de oito jogos em 3D nos cinemas da UCI, no Campo Pequeno, Lisboa, e no Arrábida Shopping, Porto. Os clientes Meo poderão comprar os bilhetes por um euro. Portugal x Brasil, as partidas dos quartos-de-final, as meias-finais e a final são os jogos escolhidos.
OS NÚMEROS: 500 JOGOS
A selecção nacional disputou até hoje 500 jogos. Luís Figo (127 internacionalizações) é o mais internacional e Pedro Pauleta (47 golos) o melhor marcador.
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