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‘Correio da Manhã’ está no ar, 100 anos depois das primeiras emissões

A rádio informou na guerra colonial, foi senha no 25 de abril e democratizou-se em finais dos anos 80. Agora, escreve-se mais uma página no éter.

10 de novembro de 2024 às 01:30

O nascimento da CMR (a partir de segunda-feira em 90.4 em Lisboa e em 84.8 no Porto) é o último capítulo da centenária história do mais resiliente dos meios de comunicação social. Um século depois das primeiras transmissões e dos pioneiros aparelhos recetores, o ‘Correio da Manhã’ coloca a sua produção noticiosa nas ondas hertzianas. Depois do jornal, do online e da televisão, nasce a rádio.

“Somos o único grupo de comunicação social em Portugal a ocupar toda a circunferência do espaço informativo: papel, online, televisão e rádio. Penso que amanhã se escreve uma página dourada, sobretudo para a Medialivre, que dá aqui um passo significativo no compromisso com o leitor, espectador e agora com o ouvinte”, afirma Carlos Rodrigues, diretor-geral editorial da Medialivre.

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‘Correio da Manhã’ está no ar, 100 anos depois das primeiras emissões

Um século de História

As primeiras experiências radiofónicas foram realizadas pelo italiano Guglielmo Marconi, na transição do século XIX para o XX. As suas investigações na área foram de tal forma relevantes, que venceu o prémio Nobel da Física em 1909.

Mas a descoberta não era apenas teórica. No célebre naufrágio do Titanic salvaram-se 712 das 2208 pessoas a bordo graças às mensagens de SOS radiotelegrafadas que chegaram a Halifax e permitiram o imediato envio de navios para o local da tragédia.

A partir deste acontecimento, a rádio tornou-se indispensável na segurança marítima e em todos os processos de comunicação. Na I Grande Guerra, por exemplo, a rádio foi usada para comunicação militar, permitindo a transmissão rápida de informações entre as frentes de batalha e os quartéis-generais.

A importância social da rádio cresceu exponencialmente e esse crescimento confirmou-se em 1938, quando o talentoso produtor e realizador Orson Welles resolveu adaptar para a rádio o romance de H. G. Wells ‘A Guerra dos Mundos’.

O realismo foi conferido com a interrupção de um programa de música, anunciando uma notícia de última hora a dar conta de uma invasão de marcianos na localidade de Grover’s Mill, no estado de Nova Jérsia, nos EUA.

O tumulto social que se seguiu foi indescritível, com milhares de pessoas a fugir da região, levando tudo o que podiam, acreditando na referida invasão, sem que ninguém tenha visto, de facto, qualquer ser de outro planeta.

Dois mil rádios antigos

A informação e a contrainformação na II Guerra Mundial, a propaganda dos regimes, a troca de mensagens na crise dos mísseis de Cuba, em 1962, entre John Kennedy e Nikita Khrushchev, tiveram como protagonista principal a rádio.

E se a transmissão evoluiu, sobretudo com a opção da frequência modulada (FM) em detrimento da onda média (AM), os aparelhos de receção conheceram transformações inacreditáveis.

“Hoje, um aparelho de rádio tem escassos centímetros, mas já foi um móvel de sala”, diz Luís Simões, dono da maior coleção de rádios de Portugal, que reúne mais de dois mil aparelhos.

“Tenho rádios de 1920, quase todos de fabrico alemão, e alguns deles ainda funcionam. Assim como quatro aparelhos que designamos por ‘rádios do Hitler’, que têm a águia, a cruz suástica e tudo. Eram rádios baratos, que o ditador mandou fazer para expandir a sua propaganda, mas que hoje são muito raros e, naturalmente, caros. Tenho um, americano, igual àquele do filme do António Silva, ‘O Costa do Castelo’, que também é bastante valioso”, afirma Luís Simões.

Mas apesar do inestimável valor desta coleção, as autoridades locais não lhe conferem grande importância, pelo que, afirma o colecionador, “o mais certo é que, em breve, estes 200 rádios integrem o espólio de um museu da rádio em Espanha”.

Hoje, em Portugal, entre locais, regionais e nacionais, existem cerca de 300 estações de rádio. Falta, nesta curta História da Rádio, referir que, em 1989, teve lugar em Portugal a legalização das rádios locais e regionais, organizando um setor que viveu desregulado ao longo de quase uma década.

A rádio escreveu a democracia em Portugal

Na guerra colonial portuguesa (1961-1974), a rádio desempenhou, ao nível da informação (e porque não dizer na contrainformação e na propaganda), o papel principal. Mas foi também na rádio que se escreveu pela primeira vez a democracia no nosso País. Na preparação do golpe de Estado, os militares escolheram duas emissoras de rádio para a transmissão das senhas da Revolução dos Cravos. A primeira, a canção ‘E Depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho, para a preparação das tropas, às 22h55 do dia 24 de abril de 1974, nos Emissores Associados de Lisboa. A segunda, a ‘Grândola, Vila Morena’, de Zeca Afonso, foi emitida vinte minutos depois da meia-noite, no programa ‘Limite’, da Rádio Renascença. E, a partir daí, o essencial da informação foi sendo transmitido nas várias estações de rádio.

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