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De olhos postos na América

O democrata Barack Obama e o republicano John McCain disputam a presidência dos Estados Unidos da América. Na próxima terça-feira, dia 4, todas as televisões do Mundo estão sintonizadas nestas eleições.

31 de outubro de 2008 às 00:00

Estações de televisão de todo o Mundo estão a mobilizar meios para uma cobertura completa e em directo das presidenciais norte-americanas. Barack Obama ou John McCain. Um deles será eleito o 44.º presidente dos EUA no dia 4, nas eleições mais mediáticas de sempre. Por cá, RTP, SIC e TVI já têm os seus enviados especiais do outro lado do Atlântico. Se para alguns, como Mário Crespo (SIC), esta cobertura jornalística não revela grandes surpresas e é até “banal”, para outros, como Judite de Sousa (RTP 1), significa uma estreia nas terras do Tio Sam.

Os principais serviços noticiosos da RTP 1, com destaque para o ‘Telejornal’ e o ‘Jornal da Tarde’, começaram a dar grande destaque às eleições com o correspondente Vítor Gonçalves, e mais recentemente com Márcia Rodrigues e Judite de Sousa, em Washington. Vítor Gonçalves está atento à campanha de Barack Obama e no dia das eleições estará em Chicago, sede de candidatura do candidato democrata. Márcia Rodrigues, editora do Internacional da estação pública, dedica-se a John McCain e no dia das eleições estará no Arizona, em Phoenix, sede da candidatura dos republicanos. Judite de Sousa, por seu turno, está em directo de Washington, todos os dias, dando conta das principais notícias que estão a marcar as eleições. No Dia D, 4 de Novembro, além do acompanhamento contínuo do acto eleitorial, a RTP terá um programa especial na madrugada de terça para quarta-feira, conduzido pelo jornalista José Rodrigues dos Santos. Programa este que será emitido em simultâneo na RTP 1 e RTP N e incluirá reportagens, assim como a análise de convidados em estúdio para dar conta das projecções e depois dos resultados. “As eleições norte-americanas são sempre um acontecimento de primeira linha”, afirmou Judite de Sousa à Correio TV, consciente do interesse que este acontecimento está a suscitar em todo o Mundo. “Estas eleições coincidem com a crise financeira, que atinge todos os países. Além disso, acontecem no final da presidência de George W. Bush, que foi muito criticada. Por fim, estamos perante a possibilidade, cada vez mais forte, de virmos a ter, pela primeira vez, um presidente negro na Casa Branca”, acrescenta a directora-adjunta de Informação da estação pública, que fará, pela primeira vez na sua carreira, a cobertura das presidenciais norte-americanas. “Já estive em Espanha e em França, mas é a minha estreia nos EUA.”

Também a SIC tem, desde há uma semana, o jornalista Luís Costa Ribas nos EUA. Mário Crespo juntou-se a ele na passada sexta-feira. “Cobrir as eleições norte-americanas foi o que fiz a maior parte da minha vida. É perfeitamente banal”, disse à Correio TV Mário Crespo, que recusou falar em favoritismos: “Isso é caricato, absurdo”. Já Luís Costa Ribas, mais descontraído, diz que votará em Obama, uma vez que é luso-americano. Até ao dia das eleições, Costa Ribas irá “explicar o complexo processo eleitoral americano”. Um sistema descentralizado, em que “quem ganha as eleições num determinado estado tem direito a mais votos no colégio eleitoral”. Relativamente ao seu plano de trabalho e à possibilidade de colocar questões aos candidatos, o jornalista explica que “as probabilidades de um dos candidatos dar uma resposta que ainda não deu é nula. Eles têm um discurso estudado. Não há espontaneidade”. Para Costa Ribas “é mais importante compreender o país e o contexto e transmiti-lo aos portugueses do que andar a perder tempo atrás de um candidato para este dar uma resposta que já deu”.

A TVI, por seu turno, tem a cobertura das eleições a cargo da dupla de jornalistas Miguel Cabral de Melo e Cristina Reyna. O primeiro ficará responsável pelas histórias de John McCain, enquanto Cristina Reyna vai cobrir todos os pormenores da campanha de Barack Obama. Até ao fecho desta edição, a TVI ainda não dispunha de informações relativamente aos jornalistas e aos comentadores que estarão em estúdio.

CORRESPONDENTES E ENVIADOS ESPECIAIS DA RTP 1, SIC E TVI

Vítor Gonçalves: O correspondente do canal público nos EUA é natural de Viseu.

Judite de Sousa: A directora-adjunta de Informação da RTP 1 estreia-se mas presidenciais americanas.

Márcia Rodrigues: A jornalista e editora de Internacional da estação pública vai seguir Obama.

SIC

Mário Crespo: O jornalista regressa aos EUA, onde já foi correspondente da RTP, acreditado na Casa Branca.

Luis Costa Ribas: Durante 22 anos o jornalista foi correspondente da SIC nos EUA, para onde volta agora para cobrir as presidenciais.

TVI

Miguel Cabral de Melo: Neto de Eunice Muñoz, o jornalista tem vindo a destacar-se na área internacional.

Cristina Reyna: A jornalista da estação de Queluz de Baixo tem feito carreira no estrangeiro, como enviada especial.

OS COMENTADORES

Na SIC Notícias, a emissão do dia das eleições é conduzida por Pedro Mourinho, que contará, em estúdio, com quatro comentadores de peso: Ricardo Costa, Martim Cabral, Nuno Rogeiro e Miguel Monjardino. Os directos estão a cargo de Luís Costa Ribas, Mário Crespo e Marta Reis. Pacheco Pereira, António Costa e Lobo Xavier, comentadores de ‘A Quadratura do Ciclo’ também dirão de sua justiça.

'VAI TUDO ABAIXO'

Ao longo do mês de Outubro, o programa ‘Vai Tudo Abaixo’, da SIC Radical, foi gravado em Nova Iorque. Em plena campanha eleitoral, Jel e companhia aproveitaram a popularidade de Barack Obama para criar as situações mais caricatas. ‘Ruce e Reco’ ou os ‘Homens da Luta’ conquistaram a simpatia dos nova-iorquinos e garantem a sua presença nos EUA até ao Dia D.

CANDIDATOS SEGUIDOS À LUPA

Os canais internacionais vão promover especiais de programação sobre as eleições, com destaque para a CNN, Euronews, BBC, NBC, France 24, entre outros.  O Canal de História percorre a carreira dos dois candidatos à presidência e outros acontecimentos relacionados com ex-presidentes entre 1 e 3 de Novembro.

Na noite das eleições, dia 4, a CNN International utiliza recursos globais e está em emissão simultânea com a CNN US. A estação mobiliza uma equipa de repórteres e analistas políticos e a mais avançada produção tecnológica. A partir do centro multimédia de Nova Iorque, conta com os jornalistas Wolf Biltzer, Anderson Cooper, Campbell Brown, Bill Schneider e John King. Um mapa eleitoral interactivo mostrará como cada estado votou. Correspondentes de todo o Mundo vão fazer directos para mostrar como as eleições estão a ser seguidas em todo o Planeta. Também o canal de informação europeu - Euronews - informará sobre as projecções e os primeiros resultados estado a estado. Sempre em directo da Casa Branca, com as primeiras reacções no momento em que for conhecido o 44.º presidente norte-americano. Na BBC World News a cobertura será conduzida pelos repórteres Matt Frei e Philippa Thomas, a correspondente em Washington, Katty Kay, e Matthew Price. A France 24 acompanha as presidenciais americanas no programa ‘White House’ (‘Casa Branca’), enquanto a ABC e a Fox News seguirão as eleições em ecrãs gigantes colocados em Times Square. A NBC quer instalar um mapa nacional electrónico no ringue de patinagem do Rockefeller Center, também em Nova Iorque.

As eleições serão acompanhadas na internet, através dos sites de cada estação e do www.politico.com, o site que denunciou as fraudes do canalizador Joe, usado como bandeira na campanha de McCain. A grande novidade destas presidenciais é o recurso aos cidadãos-jornalistas, que além de noticiarem factos também opinam. “A crise financeira foi dando voz aos americanos. Cada vez mais pessoas expressam abertamente a sua opinião nos media, nomeadamente na internet. E isso reflecte-se na cobertura da campanha eleitoral”, explica Bob Rucker, professor de Jornalismo na universidade pública de San Jose.

CNN COM COBERTURA EM LINHA

'NO CENTRO DE COMANDO'

“O Mundo tem prestado atenção à CNN em cada momento desta campanha e, na noite da eleição, estará outra vez no centro do comando”, disse Katherine Green, vice-presidente sénior da CNN International. “Com uma audiência de dois mil milhões de pessoas que prestam atenção, escutam e interagem em linha, a cobertura da noite das eleições promete ser um evento verdadeiramente global”.

TINA FEY VS SARAH PALIN

Desde que entrou em cena, a candidata à vice-presidência do partido republicano, Sarah Palin, já foi alvo de centenas de sátiras. A mais célebre foi a imitação da comediante Tina Fey em ‘Saturday Night Live’, que valeu 14 milhões de espectadores à NBC. O êxito do sketch levou Palin a mostrar que também tem sentido de humor e a aceitar participar no programa ao lado de Fey.

A CAMPANHA EM NÚMEROS

56,5 milhões de espectadores assistiram ao último debate de Barack Obama e John MCain.

477 milhões de euros é quanto o candidato democrata já angariou para a sua campanha.

4,7 milhões de euros é quanto Obama pode ter pago por um anúncio de 30 minutos na TV.

475 é o número de piadas de Jay Leno e David Letterman sobre os republicanos.

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