No primeiro confronto, ‘A Tua Cara Não me É Estranha’ levou a melhor, mas ‘Ídolos’ vendeu cara a derrota. Nos próximos meses, as noites de domingo serão de batalha
Os dados já estão na mesa e o jogo está lançado. É um frente-a-frente entre famosos que põe à prova as suas qualidades para imitar músicos de carreira feita e jovens que tentam provar o seu talento na voz. Ou seja, é um confronto entre ‘A Tua Cara Não me É Estranha’ (TVI) e ‘Ídolos’ (SIC).
O último domingo marcou o primeiro embate entre os dois ‘pesos pesados’ da programação das estações privadas. ‘A Tua Cara Não me É Estranha’, cuja primeira série chega ao final já este domingo, acabou por levar a melhor, com um share de 41,8% e 1 487 100 telespectadores, mas ‘Ídolos’ deu luta, com 36,2% e 1 412 900 telespectadores, um resultado muito acima do que o seu antecessor (‘Ganha num Minuto’) vinha a fazer. O programa apresentado pela jovem dupla Cláudia Vieira e João Manzarra chegou mesmo a ultrapassar, em certos períodos, o share obtido pelo formato conduzido pela veterana dupla Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha.
‘A Tua Cara Não me É Estranha’ atravessa uma fase crucial, com a finalíssima da primeira temporada, que contará com João Paulo Rodrigues, Romana, Daniela Pimenta e Toy, a realizar-se já este domingo. E a TVI lança já a segunda época, que arranca a 8 de Abril, como o trunfo para bater os ‘Ídolos’. Para isso conta já com nomes como José Raposo, Sílvia Rizzo, Merche Romero, Micaela, Dora e FF. Mas o maior trunfo será Luciana Abreu, um produto do ‘Ídolos’ (sétimo lugar na segunda edição de ‘Ídolos’, em 2005) que vai tentar bater o programa de Cláudia Vieira.
O êxito de audiências fez com que a estação de Queluz de Baixo não tivesse dúvidas em renovar o concurso de imitações para uma segunda ‘fornada’ e a estreia de ‘Ídolos’, na SIC, impulsionou a colagem de uma temporada à outra. Mas qual o verdadeiro impacto que o programa de talentos de Carnaxide terá no formato da TVI? "É bom termos um produto da concorrência que nos desafia e estimula a sermos ainda mais criativos. Esta semana voltámos a ganhar e não gostaríamos de perder. Para isso confio na grande final e na segunda série, com um novo elenco de concorrentes de grande qualidade. Queremos que a noite de domingo na TVI continue a ser a noite da família", confessa Manuel Luís Goucha à Correio TV. "O público tem produtos de qualidade à esco-lha. E quem manda é ele", conclui.
Sem medo da concorrência está Luís Jardim. O presidente do júri de ‘A Tua Cara Não me É Estranha’, que esteve presente nas duas primeiras temporadas de ‘Ídolos’, considera que os dois formatos têm "audiências diferentes" e, por isso, "não vai fazer grande mossa". "Nesta primeira fase eles vão tentar encontrar cromos e gente engraçada… mas infelizmente o ‘Ídolos’, como outros concursos só de canto, não tem funcionado em Portugal. Chega-se ao fim e não se cria uma estrela. Por isso não sei se o público vai embarcar na história de mais um ídolo que não vai vingar", sublinha.
Questionado sobre se teme o confronto com ‘A Tua Cara Não me É Estranha’, João Manzarra é peremptório: "Não conheço nenhum programa em Portugal que tenha os padrões de qualidade que tem o ‘Ídolos’, a nível de produção, talento ou entretenimento". O apresentador, que regressa à TV depois de ter apresentado ‘Chamar a Música’, no Verão passado, garante apenas saber que ‘Ídolos’ vai "ser visto por muita gente".
A ‘Correio TV’ confrontou ainda João Paulo Rodrigues, o principal candidato à vitória de ‘A Tua Cara Não me É Estranha’, com este frente-a-frente. O humorista prefere não fazer comparações, mas sempre acrescenta: "Este programa é ganhador porque juntou um conjunto de factores fundamentais para o sucesso: os jurados, os apresentadores, que são fantásticos, e este grupo de concorrentes." João Paulo Rodrigues, que foi já convidado para uma participação especial na segunda temporada do concurso da TVI, à semelhança do que aconteceu com os seus colegas de elenco, lembra ainda que "o programa já leva embalagem".
‘Embalagem’ que poderá ser aproveitada pelos nomes já confirmados na segunda edição, nomeadamente Luciana Abreu, cuja carreira ligada à música e representação a coloca entre os favoritos para a vitória na próxima temporada. De resto, ‘Lucy’ já teve uma passagem bem-sucedida por ‘A Tua Cara Não me É Estranha’, com uma imitação de Beyonce, em ‘Listen’.
Sílvia Rizzo, outra das famosas escolhidas para a segunda edição, e que também participou na primeira temporada com uma imitação das Spice Girls, não tem dúvidas de que "é mais simpático ver este programa do que outros menos interessantes". A actriz de ‘Remédio Santo’ considera que o programa da TVI é "uma mais-valia para os participantes". "Não quer dizer que vá ser o meu caso, que até pode correr mal", adianta.
A iniciar o percurso está ‘Ídolos’. O programa da SIC, que vai na quinta edição, mas está afastado dos ecrãs desde a passagem de ano de 2010, inicia agora uma nova fase, com os mesmos apresentadores mas um júri renovado. Bárbara Guimarães, Tony Carreira e Pedro Abrunhosa juntam-se ao presidente, Manuel Moura dos Santos. Estes são nomes de ‘peso’ com os quais a produção pretende fazer frente a um júri que ganhou forte popularidade nas últimas semanas – Alexandra Lencastre, José Carlos Pereira, António Sala e Luís Jardim. O que não muda é a procura de talentos musicais mas também de ‘cromos’ que façam o telespectador soltar uma gargalhada. O primeiro programa, que acompanhou os castings na cidade do Porto, mostrou já alguns dos potenciais talentos e os ‘desastres musicais’ que vão preencher o ecrã da SIC nos próximos meses. "Os ‘cromos’ fazem parte do que é fazer televisão. Há muita gente que vem aqui só para se mostrar, mas esses não têm qualquer hipótese. Só contamos com aqueles que acreditam que têm mesmo uma hipótese e que sabem cantar. Há gente que não se enxerga!", afirma Manuel Moura dos Santos. Também Tony Carreira ficou surpreendido com a falta de talento de alguns dos candidatos. "Tinha as minhas dúvidas quanto aos ‘cromos’, mas deixei de as ter quando percebi que o pior cantor chega aqui convencido de que é o melhor", revela.
Por outro lado, a quinta edição também está repleta de boas vozes, algumas delas bastante jovens. "Vimos muitos rapazes e raparigas de 16 e 17 anos de guitarra na mão. Foi uma surpresa", referiu Bárbara Guimarães. "No início não estava muito entusiasmado para participar neste programa, mas agora posso dizer que é a grande experiência da minha vida", adianta Tony Carreira. Já Pedro Abrunhosa ficou admirado com os vários temas originais interpretados nos castings. "É um fenómeno que está a acontecer, em grande parte graças às redes sociais e ao YouTube. Cada vez mais há a ousadia de fazer temas originais", afirma.
A verdade é que o público é que vai decidir quem vai ganhar as batalhas semanais entre ‘A Tua Cara Não me É Estranha’ e ‘Ídolos’. Para já, o programa da TVI leva vantagem.
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