Se o jogo Portugal-Brasil foi um sucesso de audiência, as horas dedicadas ao Mundial na TV portuguesa têm sido enfadonhas. De jogos sem ritmo, a relatos sofríveis e reportagens insignificantes, há de tudo um pouco
O futebol não costuma ser um estímulo intelectual para os locutores televisivos. Cria frases redundantes. É o espectáculo da imagem, sobretudo desde que se tornou um desporto feito em função da televisão. Não é por acaso que o futebol pertence já ao mundo da ficção televisiva: quando num anúncio Cristiano Ronaldo visita Homer Simpson, já pouco espaço resta para olhá-lo como se não fosse puro entretenimento. O Mundial de futebol tornou-se o maior espectáculo global, porque é uma linguagem universal que todos falam. Ninguém dispensa vê-lo. E todos escutam as temíveis vuvuzelas que só conseguem ser menos insuportáveis que certos relatos televisivos. Nesta primeira fase do Mundial, em que os jogos foram na generalidade verdadeiras tentações para o sono, a sua influência nas audiências foi relativa. Um dos grandes problemas da forma como as televisões portuguesas acompanham o Mundial é que, no caso dos jogos, muitas vezes os relatores não percebem que é excelente não dizerem nada. As imagens falam por si. Quando não têm de dizer nada escusam de estar a fazer ruído referindo que o jogador xis tem 26 anos, era pedreiro na juventude e nasceu numa cidade atrás do sol posto. Os clichés abundam. Quando é Portugal a jogar comportam-se como adeptos infantis. Quando falam de países que não conhecem, dizem as maiores barbaridades. Como a RTP e a SIC apostaram muito neste Mundial temos tido reportagens inimagináveis sobre o nada. Sabe-se que são demasiadas horas dedicadas ao Mundial, mas poderia haver um esforço de contenção. O problema, claro, não é só nacional. Há dias vi uma jornalista espanhola a fazer perguntas a Vicente del Bosque que já incluíam a resposta. Em matéria de comentários após os jogos a SIC tem estado melhor: David Borges e Ribeiro Cristóvão são sensatos e colocam questões inteligentes. Mas há, claro, o melhor de tudo, que afasta a memória das insignificâncias: as imagens. Só que isso é pouco para tanto investimento.
'No Signal'
Durante anos o humor britânico foi uma referência televisiva. Dos ‘Monty Phyton’ à ‘Fawlty Towers’, do ‘Sim, sr. Ministro’ à ‘Little Britain’, a visão sarcástica, corrosiva mas, sobretudo, inteligente dos britânicos não deixava ninguém indiferente. E essa capacidade contagiante de nos pôr a rir do mundo real, mantém-se. ‘No Signal’ assenta as suas baterias críticas sobre a própria televisão. Porque esta tornou-se um alvo perfeito para o humor. Nada escapa a este programa: desde os reality shows (aqui transformados em espaços ainda mais ridículos do que são na realidade) aos documentários ou aos momentos infantis, todos são sovados, porque o pequeno ecrã está cheio de telhados de vidro. Os primeiros episódios mostraram como o humor continua a ser uma arma descomunal nestes dias de televisão triste.
A VER
'Vida Animal'
Por vezes temos visto com prazer as reportagens de Luís Henrique Pereira sobre o mundo dos animais em alguns telejornais. Pérolas que agora têm reflexo num belo espaço: ‘Vida Animal’. Merecia outro horário e mais divulgação.
A DESLIGAR
'Camilo'
Camilo de Oliveira é um dos maiores comediantes portugueses e ainda bem que está activo. Mas ‘Camilo, o Presidente’ tem um problema: muitas das situações têm pouca piada. Como se bastasse Camilo para nos rirmos.
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