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‘GIRALDINHA’ ENGANA POLÍCIA COM FALSA DENÚNCIA DE ‘PARDAL’

A série ‘Arquivos do Crime – Casos Reais’, publicada pelo ‘CM’, continua hoje com o segundo volume, que conta a história de ‘Giraldinha’, a rainha das vigaristas

01 de julho de 2003 às 00:00

O "Pardal" era, a certa altura, no último quartel do século XIX, um assassino muito procurado pela polícia por lhe ter sido atribuída a autoria da morte de um homem à luz do dia, na travessa dos Remolares, em Lisboa. Havia até um prémio pela sua captura: 50 000 réis! Não se sabe se Maria Rosa, a 'Giraldinha', o conhecia ou não, mas foi aproveitando o seu nome que montou uma magnífica artimanha, quando um dia aguardava no gabinete do escrivão policial que a conduzissem à prisão do Aljube. (...)

– Eu sei onde está o "Pardal".

Todas as atenções convergiram para ela. E foram tais os pormenores que deu sobre o assassino (que tinha escutado, sem ninguém se aperceber), que o agente Feijão se comprometeu a pagar-lhe a fiança se ela lhe permitisse a captura do foragido.

De imediato, foram de trem para o Arco do Cego onde a "Giraldinha" mandou fazer alto por precaução. Tinham chegado junto de uma quinta que tinha entrada pela estrada real... e uma saída para o Largo do Leão. O agente só conhecia a entrada. "Giraldinha" tomou o comando das operações:

– O sr. Feijão fica aqui para ele não suspeitar. Daqui a dez minutos eu saio com o "Pardal" e vamos jantar àquela taberna além. Dê-nos tempo para nos sentarmos. Então, entra e deita-lhe a mão.

O agente concordou antevendo as honrarias da captura e formulando já algumas aplicações práticas para os 50 000 réis do prémio. Esperou dez minutos e nada. Um quarto de hora. Meia hora... Uma hora. Tirou-se de cautelas e entrou. Do "Pardal" nem rastos, e da "Giraldinha"... muito menos.

(Texto do livro 'A Giraldinha e os Vigaristas do Passado', disponibilizado hoje pelo Correio da Manhã, por 2,95 euros mais o preço do jornal).

MESTRES DO CONTO-DO-VIGÁRIO

Se existe um crime que sintoniza bem com as peculiaridades portuguesas é, sem dúvida, a burla com o conto-do-vigário e 'Giraldinha', de seu verdadeiro nome Maria Rosa, com intensa actividade e vasto registo criminal entre 1883 e 1894, merece o título de rainha da especialidade, como conta Artur Varatojo no segundo livro da série 'Arquivos do Crime – Casos Reais' que o Correio da Manhã disponibiliza a todos os seus leitores com a edição de hoje, terça-feira, dia 1 de Julho.

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