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'INCOMODOU-ME ESTAR AFASTADA DO JORNALISMO'

Margarida Marante vai regressar às grandes entrevistas no próximo sábado, 4 de Outubro. Depois da SIC, a apresentadora volta à renovada (por Rangel, seu marido) TSF, com 'Em Entrevista'. O primeiro convidado é Carlos Queiroz.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
'INCOMODOU-ME ESTAR AFASTADA DO JORNALISMO'
'INCOMODOU-ME ESTAR AFASTADA DO JORNALISMO' FOTO: d.r.
Correio da Manhã - Está muito ansiosa com a 'rentrée'?
Margarida Marante - Não. A única coisa que eu temo é o meio, a rádio. Fiz rádio logo no início da minha carreira, com o Miguel Sousa Tavares e com o Carneiro Jacinto - o 'Grande Júri -, ainda era o Emídio [Rangel] director da TSF. Foi ele que me convidou... mas não havia nada entre nós nessa altura (risos). A minha experiência de rádio resume-se a esse programa e não foi essa experiência que me deu grande traquejo. Espero que seja parecido com a televisão... A ansiedade tem a ver, sobretudo, com o acerto na escolha dos convidados e com a adaptação ao modelo rádio.
- Depois de deixar a SIC foi fazendo colaborações com o 'DN'. Vai continuar?
- Depois do 'Esta Semana', que rendeu à SIC o máximo de prémios de jornalismo que teve até hoje, colaborei com o 'DN Magazine'. Mas agora cortei, até antes deste acordo com a TSF. O perfil da revista não tem a ver com o estilo de entrevistas que estava a fazer e havia um desajuste entre o produto e a minha colaboração. Fazia entrevistas mais políticas e a revista está mais virada para o modelo feminino.
- Entrevistar Carlos Queiroz é sair do seu 'género'?
- Não. Vou fazer de tudo. No 'Esta Semana' também tratava temas sociais, do desporto à política.
- Quais as características comuns dos seus futuros entrevistados?
- Pessoas que tenham coisas interessantes para dizer e que estejam na ordem do dia. São dois requisitos essenciais que se concentram logo na primeira entrevista: a actualidade extrema a uma pessoa com coisas interessantes para dizer.
- Esteve afastada da televisão durante mais de dois anos. Qual o saldo?
- Já tinha estado afastada da televisão quando estive a trabalhar como advogada. Desta vez foi pior. De início soube-me bem, porque não me importo de trabalhar na rectagarda, não tenho aquelas excitações de ecrã que muita gente tem. Mas, por outro lado, incomodou-me a circunstância de estar afastada do jornalismo.
- Há alguém que ainda não tenha entrevistado e gostaria?
- Acho que já não há ninguém que eu não tenha entrevistado (risos).
PERFIL
Margarida Marante é, inquestionavelmente, uma referência quando se fala em entrevista e em televisão. Começou na imprensa, no semanário 'O Tempo' e na revista 'Opção' e estreou-se na RTP aos 19 anos. Em 1990, 21 anos mais tarde, foi despedida dos quadros da estação pública, no mesmo processo de saída de Maria Elisa.
Durante os dois anos subsequentes exerceu advocacia, mantendo no, entanto, duas colaborações com o jornal 'Expresso' e com a TSF, no programa 'Grande Júri'. Voltou à televisão pelas 'mãos' da SIC e as suas últimas grandes entrevistas foram para o ar no programa 'Esta Semana'.
Com a saída de Rangel, seu marido, de Carnaxide, para a RTP (para a qual a sua contratação nunca se viabilizou) ficou longe dos ecrãs. Regressa agora à rádio.
O APOIO DO MARIDO RANGEL
Emídio Rangel, o marido da conhecida apresentadora e responsá-vel pela reestruturação da TSF (a nova grelha é amanhã anunciada), apesar de esquivo, não pode deixar de manifestar o seu agrado no regresso da mulher a uma área que tão bem domina: "Claro que sou suspeito, mas creio ter sempre frieza na análise e a devida distância. A Margarida é, garantidamente, das melhores apresentadoras e a melhor entrevistadora em televisão. É responsável pelos momentos decisivos, em termos de entrevista, dos últimos 20 anos, tem um domínio invejável de entrevista. Profissionais deste gabarito não estarem a ser utilizados era um erro."
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