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Jornalista queria grande homenagem

O Raul gostava de uma grande homenagem e de um grande funeral. Tinha uma profunda mágoa por a RTP se ter esquecido dele na comemoração dos 50 anos”, afirma Duarte Siopa, jornalista e amigo íntimo de Raul Durão, que morreu anteontem à noite, aos 65 anos, vítima de cancro.

10 de outubro de 2007 às 00:00

O jornalista, que noticiou em primeira mão a morte de Sá Carneiro, deu entrada, sexta-feira, no Hospital dos Capuchos, com complicações várias. Como relatou ao CM Duarte Siopa, “na última semana esteve em casa, muito incomodado, porque não gostava de depender de ninguém. Sofreu imenso”.

Raul Durão estava doente há algum tempo. Em 2004 foi sujeito à primeira intervenção cirúrgica aos intestinos. No ano passado o seu estado de saúde complicou-se e foi novamente operado. “Queria que o recordassem como um ‘gentleman’ e não como uma pessoa debilitada”, lembra o amigo.

No momento em que Duarte Siopa se mudou para a zona da Expo, em Lisboa, convenceu Raul Durão a comprar uma casa ao lado da dele. A relação de amizade, “tornou-se ainda mais forte”. Foi aliás Raul Durão que levou Siopa, Jorge Gabriel e Nuno Santos para a estação pública.

Raul Durão entrou na Emissora Nacional com apenas 20 anos. Trabalhou ao lado Alexandre Pais, actual director do ‘Record’ e dos já desaparecidos Pedro Moutinho, Maria Leonor e Dom Vicente da Câmara. “Mais importante do que a carreira, brilhante, foi a sua vida, de príncipe. Príncipe na formação, príncipe na conduta, príncipe na amizade”, escreve Alexandre Pais.

No programa ‘Fátima’, na SIC. Ana Maria Lucas lembrou os tempos de juventude do apresentador: “Começou por fazer trabalhos de manequim para ganhar uns trocos. Cruzou-se comigo várias vezes até entrar na rádio”, recordou a ex-miss Portugal.

Em 1971 entrou para a RTP, onde apresentou o ‘Bom Dia Portugal’. Esteve ainda, à frente de ‘Magazine Informativo’, ‘Ponto por Ponto’ e ‘Estrada Viva’. Há cinco anos reformou-se da estação pública, mas foi desafiado pelo actual director de programas, Nuno Santos, a colaborar pontualmente com a RTP. Durão lamentou a Siopa, “a ingratidão da RTP”, que se esqueceu dele, nos 50 anos da estação.

O corpo de Raul Durão está em câmara ardente na Basílica da Estrela e segue às 15h30 para a cemitério dos Olivais, onde será cremado.

Raul Durão nasceu a 9 de Setembro de 1942 em Lisboa. Ficou conhecido como o homem que comunicou ao País a queda do avião Cessna que transportava Francisco Sá Carneiro. Começou a carreira como locutor de rádio na extinta Emissora Nacional, mais tarde ingressou na RTP. Apresentou noticiários, magazines e espectáculos de variedades. ‘Bom dia Portugal’ e ‘Ponto por Ponto’ fazem parte do currículo de Raul Durão, que estava casado com Fernanda Branco.

POPULAR ENTRE AS MULHERES

Raul Durão é lembrado como um homem bonito e popular entre as mulheres. Fernanda Branco foi “o seu grande amor”, define Duarte Siopa. Porém teve outros romances, alguns com mulheres conhecidas do grande público. Teresa Guilherme foi uma delas. Com apenas 18 anos saiu de casa para ir viver com o jornalista. “Vivemos juntos muitos anos”, afirmou em tempos a apresentadora e produtora ao CM. No entanto, Pilar foi a primeira paixão do jornalista, com quem casou e teve dois filhos, Pedro e Mónica. Depois de se divorciar da primeira mulher, Raul Durão casou com Manuela, com quem teve Sofia, a filha que lhe deu o único neto. Apesar de se ter separado de Fernanda, para viver um romance com Elsa Raposo, foi ao lado da mãe de Tomás, filho do casal e hoje com 16 anos, que acabou a vida. Tomás, o filho mais novo, era “a grande preocupação do Raul”, lembra o amigo. O CM tentou contactar Teresa Guilherme, que esteve indisponível por se encontrar em Cannes. Elsa Raposo também esteve incontactável.

"UM SER HUMANO EXCEPCIONAL" Maria Elisa, jornalista e apresentadora

“O Raul foi das primeiras pessoas que conheci quando cheguei à RTP. Entregava-se ao trabalho com serenidade e fazia tudo parecer fácil. Foi exemplar a cobertura do funeral de Francisco Sá Carneiro. Mas é a pessoa que era que mais me vai fazer falta. O Raúl foi um ser humano excepcional. Nunca prejudicou ninguém. Nunca! E isto é raro no meio profissional.”

"RAUL ERA A MELHOR PESSOA DO MUNDO" Eládio Clímaco, apresentador

“O Raul entrou comigo na RTP, em 1971. Ainda estávamos a fazer provas e já sentíamos a empatia e amizade que duraria pela vida fora. O Raul era a melhor pessoa do Mundo! Humano, apaziguador! Foi um grande comunicador de rádio e de TV. Improvisava e fazia o seu trabalho com alegria e com um charme fora de série. Ele era o amigo que perdi e que me vai fazer falta. Hoje é um dia triste.”

"FOI UMA BELÍSSIMA REFERÊNCIA" Helena Ramos, Apresentadora

“Perdi um colega que era uma belíssima referência e um grande amigo. Perdemos um profissional que marcou pela qualidade de trabalho que fazia, pela sua simpatia, pela sedução e relacionamento fantástico que tinha com as câmaras e por uma capacidade de improviso enorme. Era um excelente profissional. E nem sempre apreciado e valorizado como merecia. Vou ter muitas saudades.”

"EXTRAORDINÁRIO APRESENTADOR" Luís Andrade, ex-director de programas

“Sinceramente, nunca vi um funcionário da RTP ter provocado tanto, mas tanto desgosto junto dos portugueses. O Raul Durão – e sempre pensei isto, portanto, não é de agora – aliava à competência extraordinária como apresentador uma satisfação e carinho muito grandes. Com o seu desaparecimento, a televisão portuguesa fica, claramente, mais pobre.”

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