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Dali saem as ideias, os amores e desamores das telenovelas da TVI. Na Casa da Criação, um andar alto num prédio antigo e bem conservado da Rua do Alecrim, com vista privilegiada para o Tejo, contrastam a antiguidade do património com a juventude das equipas, com menos de 30 anos, que escrevem os argumentos e os diálogos daqueles que são, afinal, os programas mais vistos na televisão portuguesa.
Adriano Luz é, há quase três anos, director da Casa da Criação, empresa de escrita para ficção pertencente à NBP, produtora de telenovelas, que, há cerca de ano e meio, transitou de S. João do Estoril para Lisboa.
“A minha função aqui é pensar em estratégias para a empresa. A Casa da Criação escreve fundamentalmente novelas. Mas também desenvolve projectos nas áreas de cinema, teatro e documentário, o que completa o trabalho dos autores, que são 16, distribuídos por três equipas”, esclarece o director. São essas três equipas que estão a escrever as três novas novelas da TVI, com estreia marcada para a rentrée, ‘Deixa-me Amar’, ‘Morangos com Açúcar V’ e ‘Imperius’.
OS NOVOS PROJECTOS
Adaptada de uma história sul-americana, ‘Deixa-me Amar’ que agora estreia e substitui ‘Doce Fugitiva’, sendo a equipa de autores coordenada por Inês Gomes. A quinta série de ‘Morangos com Açúcar’, desenvolvida por três guionistas, coordenados por Pedro Lopes, substitui ‘Morangos com Açúcar - Férias de Verão IV’.
Ainda muito na génese está ‘Imperius’,uma novela original escrita pela equipa de António Barreira que substituirá ‘Ilha dos Amores’, em Novembro, também em horário nobre.
Quase parece que se mistura realidade com ficção, quando constatamos que, tal como a própria ‘fábrica’ das novelas da TVI, que saiu do concelho de Cascais para a capital, também o ‘Colégio da Barra’ de ‘Morangos com Açúcar’ se muda agora, nesta quinta série da novela juvenil, de Cascais, onde o colégio era particular, para Lisboa, onde o elenco estudantil frequentará uma escola pública, a Secundária Maria Amália, junto ao Marquês de Pombal.
OS NOVOS 'MORANGOS'
“Na nova série de ‘Morangos’ entram actores com carreiras consolidadas, mas também gente nova que nos surpreende. Acho que deverá haver uma maior identificação dos miúdos em relação às personagens. As famílias serão mais parecidas com as nossas, há muito realismo”, explica Pedro Lopes.
“Ao fim de cinco anos, temos quilómetros de problemas já focados na novela. Mas alguns vão-se repetindo, como comportamentos juvenis, distúrbios alimentares ou toxicodependência, porque são uma constante e não há solução para lidar com eles, apenas abordagens distintas”, acrescenta.
Para Pedro Lopes, “‘Morangos’ também tem a função de levantar várias questões e agitar as consciências, por vezes, criando polémicas. Fazer as pessoas falarem dos assuntos é um primeiro passo para chamar a atenção para o facto de que os problemas existem”.
O sucesso de ‘Morangos’, vistos por cerca de dois milhões de telespectadores por dia, obriga, considera o coordenador da equipa, “ a ter coragem para fazer a abordagem de certos temas universais, alguns mais delicados”. Pedro Lopes revela: “Ao fim destas séries todas, quisemos trazer um ambiente novo à novela. Como tudo se vai passar numa escola pública, logo aí, o tipo de personagens também muda, serão mais citadinas. E os protagonistas são cinco jovens amigos do mesmo grupo”.
Um apontamento que está de acordo com o espírito renovador é que, desta vez, não há gémeas. “Pelo menos por enquanto”, conclui o responsável pela escrita.
'DEIXA-ME AMAR'
A telenovela ‘Deixa-me Amar’, que estreia na segunda-feira, é ‘cozinhada’ por uma equipa de cinco. Inês Gomes explica como é: “A primeira coisa que fazemos, em cada mês, é a reunião de plano, na qual planificamos cerca de 20 episódios. Definimos o que vai acontecer a cada personagem ou a cada grupo de personagens”. Depois disso, diz, “divide-se a novela em núcleos familiares, de trabalho ou aqueles que se cruzam mais. Uma das pessoas da equipa fica durante uma semana, rotativamente, a organizar a estrutura do episódio e está sempre um ou dois episódios à frente do resto da equipa. Ou seja, enquanto a equipa está a escrever um episódio, a pessoa que está a fazer a estrutura, fica um ou dois passos à frente a planificar esse episódio, a dizer quais são as cenas e o que se passa em cada uma”.
Segundo a coordenadora da nova novela, “a parte escrita é dividida, mais ou menos de forma igual, conforme as linhas. Ninguém tem personagens fixas. As pessoas ficam com uma linha certa durante aquele episódio. Por exemplo, alguém fica com a linha da Lara e do Martim. Quando a linha muda, outra pessoa fica com essas personagens e, depois, ainda se faz uma revisão geral do episódio”.
SUBSTITUTA DE 'ILHAS DOS AMORES'
‘Imperius’ inova pelo seu argumento original, de António Barreira. Esta telenovela da TVI estreia em Novembro e substitui ‘Ilha dos Amores’, programa líder de audiências da televisão portuguesa.
A história é escrita por quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, todos jovens, e vai pouco à frente dos primeiros dez episódios, para que as gravações possam iniciar-se em breve, em Lisboa e em Goa.
António Barreira define à Correio TV o seu projecto: “É uma telenovela muito urbana. Vai abordar mais a relação de pré-adolescentes com os pais do que, propriamente, a infância. Não há um grande elenco infantil”.
Questionado sobre o desafio de substituir ‘Ilha dos Amores’, o autor diz encontrar “semelhança de estilo entre ambas, uma vez que ‘Imperius’ é, igualmente, uma novela muito forte, com temas mais pesados. Não é um registo de comédia”. António Barreira adianta: “Não haverá muitas caras novas nesta história. Há sobretudo pessoas experientes e, mesmo as personagens mais jovens são interpretadas por actores muito conhecidos”.
O autor frisa que “o amor, o ódio, a ambição, as pequenas e grandes vinganças estarão presentes, como em qualquer telenovela. Mas aqui será ainda muito focada a História”.
Refira-se que ‘Imperius’ passa-se em duas épocas distintas, as actuais em Portugal, as cenas de época em Goa. Para o efeito, o director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, e alguns elementos da produção, já visitaram o local, à procura de cenários e apoios logísticos.
PRODUÇÃO INOVADORA
“Acho que nunca se viu nada assim em Portugal em termos de dimensões desta produção”, garante António Barreira, falando da sua obra ‘Imperius’.
“Esperamos estar à altura de ‘Ilha dos Amores’, que acho uma excelente criação da Maria João Mira. É uma novela da qual eu sou fã. Sou noveleiro por natureza”, confessa.
O autor de ‘Tempo de Viver’ e ‘Ninguém Como Tu’ criou a Scriptmakers em Março de 2006. Desde então, a empresa de Rui Vilhena não parou de crescer e até já se aventura na escrita de peças de teatro.
“O objectivo, quando fundámos a empresa, era criar um sítio onde pudéssemos formar novos guionistas. Isto porque o mercado carece de profissionais desta área”, explica.
Actualmente, Rui Vilhena é o director artístico de todos os conteúdos produzidos pela ‘Scriptmakers’, actividade que só é possível devido aos novos talentos que ‘descobriu’. “O que andámos a plantar está agora a dar frutos. Já é possível à Scriptmakers ter grupos isolados a trabalhar em diferentes projectos, mantendo o padrão de qualidade que exigimos a nós mesmos. O meu objectivo era criar uma empresa onde pudéssemos ter ideias e discuti-las, e ter um grupo de criativos a trabalhar em áreas diferentes, não só em televisão, mas também cinema, teatro e novas tecnologias. É uma satisfação muito grande perceber que o projecto começa a criar”, confessa.
Uma grande renovação está para vir em ‘Morangos com Açúcar V’, que estreia em meados deste mês. Do elenco da série de Verão poucas caras se mantêm.
Quase tudo muda na novela juvenil da TVI. Beatriz (Teresa Ovídeo) e Sara (Joana Santos) continuam mãe e filha. Ficam os manos João (João Pedro Silva) e Pulga (David Miguel Mesquita), e o surfista Gabriel (Filipe Noronha).
De resto, pais, professores e alunos são praticamente todos interpretados por novos actores. A inexperiência de grande parte do elenco das anteriores séries de ‘Morangos’ contrasta agora com a formação de alguns actores que, também jovens, trazem ‘na bagagem’ cursos de representação.
Adriano Luz é o director da Casa da Criação, que desde há um ano e meio está sedeada em Lisboa. Ao lado do director trabalham 16 pessoa, que, divididas em três equipas, escrevem as três novas telenovelas da TVI.
ALFAMA E 'DEIXA-ME AMAR NA TVI: INÊS GOMES MOLDA MARTIM
O título ‘Deixa-me Amar’ foi escolhido pela TVI e, no genérico, ouve-se a música ‘Deixa-me Olhar’, dos Além Mar.
“Esta telenovela começou por ser uma adaptação argentina de ‘Sos Mi Vida’ para se tornar o retrato de um típico bairro de Lisboa, Alfama, e dos amores de Martim (Paulo Pires) com Lara (Paula Lobo Antunes). Há combates de kickboxing e corridas de carros”, diz Inês Gomes, coordenadora da equipa na Casa da Criação. Pena que não incida no fado.
ELE CRIOU VILÃ PARA ALEXANDRA: 'IMPERIUS' EM NOVEMBRO
Alexandra Lencastre, protagonista de ‘Imperius’, “vai ser vilã’, confirmou à Correio TV António Barreira, autor do projecto original e coordenador da equipa da ‘Casa da Criação’ que escreve os episódios.
A novela estreia em Novembro e substitui ‘Ilha dos Amores’. Decorre em duas épocas, a mais antiga em Goa. “O tema forte é o poder corruptor do dinheiro. Nunca se produziu nada assim em Portugal”, diz o autor.
AUTORA DE 'ILHA DOS AMORES' ESCREVE EM PARCERIA COM O FILHO: O ESTILO DE MARIA JOÃO MIRA
Maria João Mira, autora de ‘Ilha dos Amores’ tem a particularidade de gostar de escrever papéis femininos. A argumentista explorou esse registo em ‘Fala-me de Amor’, novela centrada na vida de quatro amigas, e voltou ao mesmo estilo em ‘Ilha dos Amores’. A novela é escrita em parceria com o filho, que reside em Londres.
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