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Aroldo Martins é o responsável pela condução dos destinos da TV Record no nosso país. A estação está em Portugal desde Agosto de 2003, mas a notoriedade só chegou este ano, após o anúncio da entrada na grelha de canais da TV Cabo. A polémica em torno das ligações à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) ajudou a adensar-lhe a fama.
A vida de Aroldo Martins mudou em 2000, quando a Rede Record decidiu levar a programação da TV Record até às comunidades brasileiras residentes fora do país. Foi nesse ano que foi criada a Rede Record Internacional – constituída por TV Record Europa, TV Record América e TV Record África – que assim se juntou às oito emissoras próprias e 23 afiliadas que já integravam o grupo de comunicação sediado em São Paulo.
Cavalgando a onda da globalização, a TV Record chegou a Portugal em Agosto de 2003, integrando a lista de canais de Cabovisão, TV Tel, Bragatel e Pluricanal. Em Novembro de 2005, quando a estação se preparava para entrar na TV Cabo, a Rede Record Europa decidiu transferir a sede de Londres para Lisboa e Aroldo Martins passou a dividir a residência entre as capitais europeias.
Presidente do conselho de administração da TV Record Europa, Aroldo Martins é apontado no Brasil como bispo da IURD. Contudo, e apesar de no ‘site’ da instituição religiosa constarem declarações suas nessa condição, nega a ligação. Em Portugal apresenta-se como um advogado que nunca conheceu a barra do tribunal, exercendo actividade nas áreas da gestão e educação (ver perfil). Curiosamente, a entrada na Rede Record, segundo maior grupo de comunicação brasileiro, atrás da Globo, dá-se em 1990, pouco depois da aquisição da estação por parte de Edir Macedo, líder da IURD.
À função de gestor, Aroldo Martins soma a condição de apresentador no programa ‘Debate Público’, emitido, de segunda a sexta-feira, entre as 18h30 e as 19h30.
A TV Record iniciou emissões em São Paulo a 27 de Setembro de 1953. Paulo Machado de Carvalho, advogado e empresário brasileiro proprietário da estação, equipou o canal com aquela que era considerada a tecnologia mais avançada da época. A estreia causou grande impacto na Imprensa brasileira, com o ‘Estado de São Paulo’ a dedicar uma página do jornal a um artigo intitulado ‘Entra no ar em São Paulo uma das maiores tevês do Mundo’.
Inicialmente, o canal afirmou-se pela componente musical e, graças a programas como ‘O Fino da Bossa’, com Jair Rodrigues e Elis Regina, e ‘Jovem Guarda’, de Roberto Carlos, garantiu a liderança nos anos 60.
Na década de 70 a estação entrou em decadência, sendo adquirida por Sílvio Santos. Contudo, não reencontra o trilho do sucesso e Edir Macedo compra o canal em 1989. A linha popular recupera a TV Record, mas não a põe a disputar os lugares de topo. Só a partir de 2004, com o abandono do sensacionalismo e o recrutamento de profissionais à Globo, essencialmente na área das novelas, se elevou à condição de segunda mais vista do país.
Com a Rede Record Internacional, o grupo pretende assumir-se como um veículo da lusofonia, equiparando-se à SIC Internacional e RTP Internacional.
'NOTICIÁRIO LOCAL EM SETEMBRO'
Aroldo Martins, presidente do conselho de administração da Record Europa
Correio da Manhã – Portugal é a aposta mais forte da TV Record no mercado internacional?
Aroldo Martins – Em termos de audiência tem o maior potencial, porque são dez milhões a falar português. Por isso transferimos a nossa sede para Lisboa.
– Em termos financeiros o maior investimento foi feito no nosso país?
– Fizemos um bom investimento porque Portugal merece. Mais de um milhão de euros em estúdios, redacção, ilhas de produção e edição, que temos em Inglaterra mas em tamanho menor.
–Quantos profissionais trabalham em Portugal?
– Cerca de 50 pessoas. E vamos crescer.
– Apostando no grande sucesso que temos com as novelas no Brasil e em produções locais apresentadas por portugueses, de forma a identificar um canal de cariz estrangeiro com o telespectador local.
– Que formatos serão criados nesse sentido?
– Teremos um noticiário local em Setembro, preferencialmente em horário nocturno, mas também com uma edição matinal.
– Haverá investimento na informação desportiva?
– Um dos planos passa por formar uma equipa de comentadores para criar um programa de debate diferente do que há em Portugal, onde tudo é demasiado consensual. Programa desportivo tem de ter controvérsia e opinião diversificada.
– Vão continuar a recrutar actores portugueses para as novelas?
– Sim, mas ainda não temos nomes.
– E produzir em Portugal com elenco português?
– Porque não? Até porque a nossa filosofia é adaptar a nossa novela à realidade portuguesa.
Aroldo Martins nasceu a 3 de Julho de 1961 na cidade brasileira de São Paulo. Casado e pai de dois filhos – um rapaz de 19 anos e uma rapariga de nove – divide a sua residência entre Londres e Lisboa. Contudo, foi nos Estados Unidos que teve a sua primeira residência no exterior do Brasil. Formado em Direito, Aroldo Martins nunca exerceu as funções de advogado. Antes de chegar ao grupo Rede Record, em 1990, trabalhou para o grupo petrolífero brasileiro Petrobras e leccionou Inglês a estudantes de Comunicação Social. Como qualquer bom brasileiro, gosta de futebol, sendo adepto do Palmeiras. Em matéria televisiva os seus gostos recaem sobre a área documental, elegendo a 2: e o Canal História como estações preferidas.
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