Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
2

Onde andam os talentos dos concursos

Em 1994, Sara Tavares ganhou a final do ‘Chuva de Estrelas’. Desde então, vive da música. O mesmo não se pode dizer de grande parte dos participantes em concursos do género
2 de Setembro de 2011 às 00:00
Onde andam os talentos dos concursos
Onde andam os talentos dos concursos

Chuva de Estrelas’, ‘Operação Triunfo’, ‘Ídolos’, ‘Academia de Estrelas’ e ‘Uma Canção para Ti’ mostraram ao País grandes vozes, mas por onde andam os vencedores destes concursos? E os vencidos? Alguns saíram de cena depois dos seus ‘quinze minutos de fama’, muitos outros ‘perderam-se’ no anonimato de coros, em projectos, parcerias ou em bandas ainda sem grande projecção. Mas a maioria – vencedores e vencidos – continua ligada à música. Outros, às artes do espectáculo, como a representação e também a apresentação.

Sofia Barbosa venceu a primeira edição de ‘Operação Triunfo’ (RTP), em 2003. Juntou-se depois a um projecto de gospel, actuou no Casino Estoril e, no mesmo ano, lançou o álbum ‘Contrastes’. O último projecto que se conhece deste talento cabo-verdiano data de 2006: participou no musical ‘Rent’ (Teatro Sá da Bandeira, no Porto).

David Gomes venceu a segunda edição de ‘Uma Canção para Ti’ (TVI), em 2009, quanto tinha apenas 12 anos, o que lhe abriu portas para a representação, mas continua adiado o sonho de integrar a escola de música de Luís Jardim. Aluno do 9.º ano, David pretende voar mais alto. "Temos de estar preparados para tudo. Foi bom ter ganho, e depois participar na novela ‘Mar de Paixão’, porque me permitiu descobrir que quero ser cantor e actor", revela o jovem, agora com 14 anos. "Demore o tempo que demorar, quero ser muito famoso e por isso quero ir para os EUA", revela David Gomes à Correio TV.

Jessi Leal tinha 15 anos quando venceu a quarta edição de ‘Chuva de Estrelas’, continuou a estudar, licenciou-se em Comunicação Social e em Relações Públicas. Nos últimos anos, tem-se dedicado à escrita, contando já com três livros publicados – ‘Nós os Gatos’, ‘Crónicas dos Reinos Encantados’ e ‘Segredos de uma Feiticeira’.

Jorge Roque, designer de profissão, acaba de chegar dos EUA, onde esteve em formação por ter sido vencedor da última edição da ‘Operação Triunfo’, e já está a preparar o seu primeiro traba- lho a solo, "uma mistura de música ligeira, fado e jazz", revela à Correio TV. Mas continua a exercer e a viver da sua profissão como designer. "Participar na OT abriu-me muitas janelas, no sentido em que tive a oportunidade de trabalhar com nomes como Carlos do Carmo. Mas confesso que não criei muitas expectativas, apesar de ter sido uma experiência muito gratificante e em que aprendi muito", conta à Correio TV. Ainda assim, o designer espera ser um nome nas lides musicais.

Sandra Pereira, que se consagrou vencedora da última edição de ‘Ídolos’, teve a oportunidade de participar na abertura do concerto de Katy Melua em Portugal, mas antes de esperar por trabalhos a solo vai estudar para Londres, o prémio por ter ganho o ‘talent show’ da SIC.

Projectam a voz, têm carisma, cantam e encantam, mas nem todos atingem o objectivo que os levou a participar em concursos de talentos: fazer carreira musical, viver da música. Ainda assim, vencedores e vencidos dizem que o saldo da participação é positivo. Sara Tavares e João Pedro Pais são, para o produtor musical Luís Jardim, os que conseguiram vingar num país com uma cultura musical segregada por referências norte-americanas e por preferências mais populares. Apesar das dificuldades, João Pedro Pais ultrapassou as barreiras, apesar de ter saído vencido de ‘Chuva de Estrelas’. Dois anos depois do concurso, o cantor venceu com um CD de originais, e é hoje um dos artistas mais consagrados em Portugal com quatro álbuns editados. Pedro Miguéis e Manuel Marques, o conhecido actor, são outros dos talentos que apareceram em público pela primeira vez em ‘Chuva de Estrelas’. "Estes concursos são uma oportunidade, um sonho e só por isso valem a pena. Se calhar, 99 por cento desses participantes não vivem da música e nunca mais fizeram nada que tivesse a ver com a música. Em Portugal, é difícil", diz Luís Jardim, que confessa que um dia encontrou um ex-participante de ‘Ídolos’ a servir à mesa no Algarve.

Produto da ‘Operação Triunfo’ são Paulo Vintém e Edmundo. Os cantores uniram as vozes e formaram os ‘Dzrt’, com Angélico Vieira e Cifrão, uma das boys band mais populares dos últimos anos. Hoje, continuam ligados à música, tal como Vânia Fernandes, que está a trabalhar num projecto com outro ex-concorrente da OT, Emanuel. "É um trabalho no Porto", conta à Correio TV a madeirense que, além da vitória na OT, conquistou o Festival da Canção, em 2008. Actualmente, consolida a sua carreira musical enquanto termina a licenciatura na Escola Superior de Música. "O meio musical é muito complicado e, se não tivermos agentes, torna-se mais ainda. Mas não troco a OT por um Ídolos, pela formação, pelos professores com quem trabalhamos e que nos ensinam", refere. Neste momento, Vânia faz espectáculos, organiza workshops e participa em vários projectos.

Os exemplos de sucesso de vencidos quase ultrapassa os dos vencedores, como prova Filipe Gonçalves, que participou na OT e que, desde então, já editou três álbuns, enquanto coloca à prova o seu talento de repórter em programas como ‘Só Visto’, da RTP. Da ‘Academia de Estrelas’ (TVI), o casal Lilia Matos e Mané são outro exemplo de quem conseguiu viver do espectáculo. Assim como Manuel Melo (ver caixa) ou Luciana Abreu, que atingiu o êxito em ‘Floribella’.

Um exemplo mais recente é André Cruz que, após ter participado em ‘Ídolos’, em 2010, passou a ser um dos rostos da SIC K, co-apresentando ‘Pronto-a-Vestir’. "Estou a produzir música para o meu primeiro álbum de originais. O Manuel Moura dos Santos (júri de ‘Ídolos’) é meu manager, pelo que tudo está a ser feito com sensatez. Posso dizer que o saldo de ter participado no concurso não pode ser mais positivo", revela. Entretanto, gravou um vídeo-clip para a Disney e vai dar a voz a uma campanha publicitária.

Ver comentários