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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Os desenhos que os miúdos adoram

Não há pai que não se queixe da fealdade de ‘Angela Anaconda’, cuja cara humana a preto-e-branco destoa num mundo animado a cores.

21 de janeiro de 2005 às 00:00

Quem sintoniza o Canal Panda, depara-se com uma estranha série de animação. Trata-se de ‘Angela Anaconda’, produção norte-americana, que retrata as aventuras de uma menina e seu grupo de amigos à mercê de uma colega déspota. Os desenhos desrespeitam a estética habitual e mostram caras humanas fotografadas a preto-e-branco, sobre pequenos corpos desenhados a cores, numa disformidade que incomoda.

Na verdade, ‘Angela Anaconda’ não deve muito à beleza e raramente acerta nos trabalhos de casa. Nanette Manoir, a inimiga, é o oposto: rica e loira, tem boas maneiras e uma vaidade sem limites. Terminado cada episódio, vence a melhor e a heroína nem sempre é Anaconda, pois ela é a mais igual à maioria.

‘Angela Anaconda’ foi considerada uma das melhores séries de televisão para crianças pela revista norte-americana ‘TV Guide’. E Crispin Sartwell, professor de Humanidades na Universidade de Maryland, Estados Unidos, classificou-a como “genial, uma união única entre cabeças fotografadas e diálogos surreais”. O autor elege a série do canal Fox Family uma das melhores “da segunda geração de ouro da animação, ao nível de ‘South Park’ e ‘Dragon Ball Z’”.

Criada por Joanna Ferrone e Susan Rose, ‘Angela Anaconda’ deve o sucesso ao facto de “mostrar que as pessoas valem por elas próprias”. “Angela é a reacção ao que vi na TV quando era pequena. Na animação, as famílias costumam ser perfeitas e tudo tem um final feliz. Sempre que via aquilo, perguntava-me o que estaria errado comigo”, refere Ferrone, que desenhou também o famoso Fido Dido.

BONS E IMPERFEITOS

A mais-valia da série é, pois, ensinar às crianças que as coisas boas nem sempre são perfeitas. “Em última análise, temos personagens que partem de estereótipos negativos para mostrar, precisamente, que a genialidade não é regra”, diz Ferrone.

Não é por acaso que Gina Lash, a melhor amiga de Angela, é uma menina gorda e gulosa, que é também a mais esperta da classe. Neste naipe de ‘normalidade’, surgem ainda Gordy Rhinehart, tímido e asmático – que ultrapassa as limitações sempre que está em jogo a vitória do grupo – e o seu oponente, Johhny Abatti, de quem todos gostam por ser independente, ousado e… dono de uma pizzaria.

“Angela é única. Agrada aos pequenos pela sua normalidade e desagrada aos pais por isso mesmo”, conclui a autora.

O grande êxito de ‘Angela Anaconda’ deve-se, sem dúvida, à aproximação ao mundo infantil. A autora, Joanna Ferrone, explica que a série recua ao universo que os adultos querem esquecer, aquele onde “as pessoas podem ser elas próprias, sem se regerem pelo que é socialmente correcto”.

“Por esse motivo, as personagens de ‘Angela Anaconda’ dão erros gramaticais e refugiam-se na fantasia. É que esta menina, a quem tudo corre da pior maneira, de repente consegue controlar a sua imaginação e isso é a sua realidade”, diz Ferrone.

E é por essa razão que aquelas figuras vivem num mundo onde tudo tem cores vivas menos a cara com que os outros nos vêem, “porque de facto isso é o menos importante”, resume a autora.

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