Será 2013 o ano do fim dos ‘Gato Fedorento’? O quarteto humorístico está fora da televisão, enquanto grupo, desde 2009, quando apresentou ‘Esmiúça os Sufrágios’, na SIC, e a única ligação profissional que os seus elementos mantêm entre si é o contrato publicitário com a Portugal Telecom, que termina em breve.
Ao que a Correio TV apurou, e apesar de ainda ser hipótese a renovação do acordo, é possível que os ‘Gato’ deixem de ser a imagem do Meo. As negociações prometem ser duras. É que os humoristas foram fundamentais na conquista de notoriedade do Meo, mas a sua ausência da TV nos últimos três anos diminuiu a sua própria popularidade, como, sabe a Correio TV, indicam alguns estudos de mercado feitos pela PT. Além disso, a dona do Meo tem pago os ‘Gato’ a peso de ouro: cada um recebeu da operadora cerca de 560 mil euros por um contrato de dois anos, para 2009 e 2010. Ricardo Araújo Pereira, em 2011, quando participou num encontro organizado pelo Instituto Português de Administração de Marketing, disse mesmo que "o contrato com a PT era irrecusável". "Estão a pagar a universidade das minhas filhas e elas ainda estão na primária", afirmou.
Caso não haja acordo com a PT, será que o quarteto está disposto a regressar à televisão de forma regular? Se o fizer, será uma mudança na estratégia seguida nos últimos anos, em que cada um se vê concentrado em carreiras individuais.
"Gostaria que estivessem a fazer televisão, mas eles tomaram esta opção [de estarem afastados]", diz à Correio TV Luís Marques, diretor-geral da SIC, envolvido na transferência do quarteto para a RTP, em 2005, e no regresso à SIC, em 2008.
Nuno Santos, que levou os ‘Gato’ da SIC para a RTP 1 e que, quando regressou a Carnaxide, convenceu o quarteto a fazer o mesmo caminho revela à Correio TV que tentou que os humoristas continuassem na TV, mas estes recusaram. "Já quando estava na RTP percebi que não queriam fazer televisão de forma muito regular. Depois do ‘Esmiúça’, mostrámos abertura para eles voltarem." Santos revela ainda que fez uma última abordagem quando assumiu a direção de Informação da RTP. "Tentei novamente. Disseram que não era altura", conta. Sobre um eventual retorno, não faz prognósticos, diz apenas que, se "decidirem regressar, será um acontecimento". "Acho que não têm essa vontade no imediato. Mas está sempre em aberto a possibilidade de eles voltarem".
Francisco Penim, que em 2003 foi responsável pelo lançamento dos ‘Gato’ na SIC Radical, começa por dizer que os humoristas "não são do género de se acomodarem". "Facilmente os veria juntos de novo a fazerem outras coisas. O que não quer dizer que aconteça."
Já Nuno Artur Silva, das Produções Fictícias, empresa responsável pela carreira dos ‘Gato’, não faz qualquer comentário sobre o futuro dos humoristas.
A Correio TV contactou os quatro comediantes, mas, até ao fecho desta edição, não conseguiu chegar à fala com nenhum deles.
Nos últimos anos o quarteto tem seguido diferentes caminhos. Ricardo Araújo Pereira continua a ser o elemento com maior destaque. É presença diária nas manhãs da Rádio Comercial (ver caixa), mantém uma crónica semanal na ‘Visão’ e participa no programa ‘Governo Sombra’, na TSF e TVI 24, entre outros projetos. Já José Diogo Quintela é um dos sócios da Padaria Portuguesa, projeto que arrancou em 2010 e, dois anos depois, tem já 12 lojas em Lisboa. Para este ano, há mais sete padarias a nascer na capital.
Já Tiago Dores e Miguel Góis, os membros mais discretos do grupo, não estão envolvidos em qualquer projeto com visibilidade.
Mas se os ‘Gato’ estivessem dispostos a voltar, quanto teria uma estação de pagar para os colocar em antena? Na altura em que as primeiras séries dos Gato Fedorento foram exibidas na SIC Radical, de 2003 a 2005, o quarteto recebia 1500 euros por episódio, valor que disparou depois da passagem pela RTP. Quando a SIC os voltou a contratar, em 2008, assinaram um acordo de 1,5 milhões de euros. Este foi o valor que o quarteto recebeu para fazer duas séries, de 13 episódios cada ( ‘Zé Carlos’ e ‘Esmiúça os Sufrágios’). Contas feitas, o custo por programa rondou os 57 600 euros, quase 40 vezes mais do que os primeiros 1500 euros pagos por Balsemão.
Certo é que os ‘Gato’ "fazem imensa falta", diz Nuno Santos. "Hoje até há oferta alargada de humor em Portugal. Mas eles podiam fazer a diferença."
Francisco Penim concorda, acrescentando que "ninguém que mande em conteúdos de televisão estaria no seu juízo se recusasse um programa deles. O seu humor continua a funcionar. É eficaz, abrangente", sublinha.
BIOGRAFIAS
Ricardo Araújo Pereira nasceu em Lisboa a 28 de abril de 1974 (38 anos). Licenciado em Comunicação Social, trabalhou na redação do ‘Jornal de Letras’ e ‘Artes e Ideias’. Depois, mudou-se para as Produções Fictícias, tenso sido coautor de programas de Herman José. Benfiquista e ateu, é pai de duas filhas.
José Diogo quintela nasceu a 29 de maio de 1977 (35 anos), em Lisboa. Estudou nos Estados Unidos, através de um programa de intercâmbio de estudantes, e frequentou o curso de Comunicação Social no ISCSP, que nunca concluiu. Estreou-se, depois, nas Produções Fictícias. É sportinguista e católico.
Tiago Dores nasceu a 1 de maio de 1975 (37 anos). Benfiquista e ateu, é amigo de infância de Ricardo Araújo Pereira. Licenciado pela Universidade Nova de Lisboa, tirou um curso de Economia. Trabalhou dois anos em publicidade, antes de se aventurar na escrita humorística, em 2000, quando se juntou às Produções Fictícias.
Miguel Góis nasceu a 1 de junho de 1973 – tem 39 anos. Licenciou-se em Comunicação Social, curso onde conheceu Ricardo Araújo Pereira, que o convidou para escrever o jornal da associação de estudantes. Começou a estagiar nas Produções Fictícias em 1998, no programa ‘Herman 98’, e por lá ficou. É benfiquista e ateu.
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