Em causa está o atraso salarial "nos últimos dois meses", sem qualquer aviso ou justificação.
Os trabalhadores da TSF concentraram-se esta quarta-feira junto às instalações da rádio, em Lisboa, no dia em que cumprem uma greve de 24 horas, acusando a administração da Global Media Group de "desrespeito" pelos seus profissionais.
"Respeito é de facto o que os trabalhadores estão a pedir", disse à Lusa o porta-voz dos trabalhadores da TSF, Filipe Santa-Bárbara, advertindo que o primeiro motivo se prende com o facto de "nos últimos dois meses [a administração] ter atrasado o pagamento dos salários", sem qualquer aviso ou justificação.
O segundo motivo que levou à primeira greve em 35 anos desde que a rádio TSF existe, prende-se com o facto de, "depois de meses de negociação, através do Sindicato dos Jornalistas para os ajustes salariais decorrentes da inflação", a administração não respondeu.
Em prossegue: "Decidimos aprovar a proposta da administração, embora esta ficasse aquém do desejado pelos trabalhadores", mas como era intenção da administração implementar aquelas medidas em todo o grupo e as outras marcas do grupo não aceitaram, "nunca mais tivemos resposta à negociação", que, no entanto, não foi rejeitada pelos trabalhadores da TSF.
Um terceiro motivo para pedirem "respeito", tem a ver com o facto de o anterior diretor de Informação Domingos de Andrade, que "sempre lutou pela autonomia editorial e defendeu esta redação, sair do dia para a noite", salientou o porta-voz dos trabalhadores da TSF.
"Apenas soubemos por comunicado. Foi nomeado um novo diretor o que também soubemos pelo comunicado, ao arrepio do que está previsto na lei, nomeadamente o Estatuto do Jornalista que prevê que o Conselho de Redação seja auscultado para a destituição ou para a nomeação e chegámos [assim] ao limite de ter de pedir respeito com uma greve de 24 horas aqui à porta da rádio", adiantou.
O jornalista Rui Gomes foi nomeado novo diretor-geral da TSF - Rádio Noticias, depois da saída de Domingos de Andrade de diretor editorial da rádio, segundo um comunicado da Global Media de 08 de setembro deste ano.
O anúncio do Global Media Group (GMG) surgiu um dia depois de os membros eleitos do Conselho de Redação, a Comissão Mista e os delegados sindicais da TSF terem manifestado preocupação com os desenvolvimentos no grupo, que culminou com a saída de Domingos de Andrade do Conselho de Administração.
No dia 08 de setembro, conforme informou a Administração em comunicado, Domingos de Andrade cessou funções no Conselho de Administração e, com a extinção do cargo de Diretor-Geral Editorial da Global Media Group (GMG), "não se compreende onde existe duplicação de funções executivas", refere a nota.
Durante o protesto desta quarta-feira, Filipe Santa-Bárbara afirmou à Lusa que os trabalhadores estão a dar "um sinal de força" e que na Rádio TSF e no seu site "não haverá notícias ao longo de todo o dia".
Além disso, realçou que se trata de um protesto "bastante simbólico" já que "não é só pela TSF. É também pelo jornalismo neste país".
A administração da TSF já convocou os representantes dos trabalhadores para uma reunião na quinta-feira, dia 21 de setembro, disse à Lusa o porta-voz da TSF.
Santa-Bárbara referiu ainda que estão neste protesto não só para pedirem "respeito", mas a "lutar pelo jornalismo".
"Temos um Congresso do Jornalismo no próximo ano, temos as comemorações do 25 de abril e temos um Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa] que tem sistematicamente insistido na importância do jornalismo para a Democracia portuguesa. É por isso [tudo] que estamos [também] aqui hoje", adiantou.
"Hoje o microfone [da radio TSF] desligou-se pela primeira", desde há 35 anos, lamentou.
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