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UMA LOUCURA QUE CONTAGIOU O BRASIL

Na roupa, na forma de andar e de falar. No Brasil, um mês depois do fim de ‘Celebridade’, Darlene virou moda. A personagem interpretada por Deborah Secco uniu os brasileiros, ávidos de fama. Uma questão de identificação nacional, dizem os sociólogos…

07 de agosto de 2004 às 00:00

Mais do que apenas uma personagem de sucesso numa novela de televisão, o fenómeno Darlene foi uma loucura que contagiou o Brasil e deixou marcas. Um mês depois da exibição pela TV Globo do último capítulo de ‘Celebridade’, adolescentes e muitas mulheres adultas ainda adoptam o estilo de vestir de Darlene, com saias de pregas e folhados, meias igualmente coloridas puxadas para cima e mini-blusas e, nas conversas, a expressão ‘Dar uma de Darlene’ passou a ser sinónimo de exibicionismo, de vontade exagerada de dar nas vistas.

Se as pessoas não vão esquecer tão depressa a estouvada mas cativante Darlene, Deborah Secco também não esquecerá facilmente a personagem mais importante da sua carreira. Tão grande que saltou do pequeno ecrã para a vida real.

A jovem actriz já tinha feito outros papéis fortes, como a ambiciosa Marina, de ‘Suave Veneno’, uma devoradora de homens capaz de qualquer coisa para ficar rica, ou a quase pouco mais que adolescente Iris, de ‘Laços de Família’, igualmente disposta a tudo para conquistar o capataz da fazenda, Pedro (José Mayer), muito mais velho que ela.

Mas Darlene foi diferente de tudo, superou tudo, até as expectativas mais optimistas e ganhou força própria e transformou-se numa verdadeira mania nacional no Brasil enquanto a novela durou.

Ao invés de se assustar com tamanha repercussão, o que seria natural, Deborah Secco aproveitou cada momento, incentivou essa loucura colectiva e sorveu não os tais 15 minutos de fama a que todos temos direito, mas meses, muitos meses de fama. Ela foi capa de incontáveis revistas, mereceu páginas e mais páginas até nos mais importantes e normalmente circunspectos jornais e não saía de casa dos telespectadores.

Estes, quando não estavam a vê-la na novela, viam-na nos mais diversos programas da Globo, pois ela ia a todos, estava em todos. Só ao ‘Domingão do Faustão’ a actriz foi durante largas semanas, semana após semana. Sem papas na língua e, ao contrário de boa parte dos famosos, sem grande preocupação em esconder a sua vida particular, a cada semana provocava uma nova polémica, e voltava na semana seguinte, para responder a mais perguntas e fazer novo alarido.

IDENTIFICAÇÃO NACIONAL

A repercussão da personagem foi tanta no Brasil inteiro que, imagine-se, sociólogos, psicólogos e outros ‘ólogos’ debruçaram--se sobre o fenómeno Darlene, tentando explicá-lo. E, apesar das mais díspares explicações para tamanho impacto de uma personagem de novela televisiva, quase todos concordaram com uma coisa: Darlene fez o sucesso que fez porque os brasileiros se identificaram com ela.

Os brasileiros são loucos por fama, deslumbrados pela possibilidade de ficarem famosos da noite para o dia. Por isso, Darlene, não obstante os exageros da ficção, de repente pareceu tão real, tão familiar que passou a ser uma referência para milhões de pessoas.

E, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, o sucesso de Darlene não ficou a dever-se apenas, nem principalmente, à generosa exposição das formas siliconadas de Deborah Secco em diversos momentos da novela, nem ela agradou apenas aos homens, sempre à espera de ver uma nesga a mais de corpo.

Nos dias em que Darlene fez exposição dos seus seios, por exemplo, a audiência da novela não foi tão grande quanto em episódios em que ela se preparava para mais uma jogada para ficar famosa.

E, se os ‘matulões’ gostaram da personagem anatomicamente falando, milhões de crianças foram deslumbradas e contagiadas pela sua alegria, pelas suas atitudes irreverentes e malucas, que, apesar de tudo, continham uma ingenuidade e simplicidade que se enquadrou muito bem no universo infantil.

MANIA LUCRATIVA

Foi, realmente, uma moda nacional. Deborah Secco era chamada para tudo, ouvida sobre tudo, e, tão apegada à fama quanto Darlene, nunca se esquivava. Gigantescos ‘outdoors’ mostraram-na de biquíni nas ruas do Rio de Janeiro, promovendo a escola de samba de que é rainha da bateria; a sua vida pessoal foi devassada até ao pormenor e o seu corpo observado com mais minúcia que numa aula de anatomia.

Ela viveu cada episódio, dentro e fora da novela, com indisfarçável prazer e soube até aproveitar e lucrar mesmo com o que poderia parecer negativo. A sua fama de trocar de namorado com mais rapidez do que quem muda de camisa, por exemplo, rendeu-lhe um vantajoso contrato para um anúncio de televisão, em que se mostrava espantada com a oferta de uma empresa de telemóveis de permitir ligações entre dois números a custo quase zero, para que um namorado pudesse falar com o outro por um ano.

No anúncio, dando razão aos que a classificavam como volúvel nos relacionamentos, dizia, "um ano com o mesmo namorado? Isso é um exagero. Ainda se fosse uma semana ou duas..."

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