David Carreira em entrevista: "Os meus amores de verão duravam mês e meio porque depois tinha que regressar a França"

Aos 34 anos, David Carreira tem novo single, 'Não Vás Embora', um regresso à infância, às férias na Pampilhosa da Serra e aos amores de Verão. As imagens do passado foram recriadas através de inteligência artificial.

07 de junho de 2026 às 21:16
David Carreira
David Carreira a gravar com a roupa do pai, Tony Carreira Foto: Direitos Reservados
Filmagens decorreram em Armadouro e Pampilhosa da Serra Foto: Direitos Reservados
Novo video de David Carreira sai dia 5 de junho Foto: Direitos Reservados
O ambiente das filmagens Foto: Direitos Reservados
David Carreira Foto: Direitos Reservados
Vídeo mostra como era a aldeia há 20 anos. Foto: Direitos Reservados

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O novo single ‘Não Vás Embora’ é um tema sobre os amores de Verão. Qual foi o ponto de partida?

O que conto nesta música é a história do meu primeiro amor de verão. Há sempre um… todos tivemos! O cenário do vídeo é Armadouro, na Pampilhosa da Serra, para onde eu vinha todos os anos, de Paris, passar férias, tal como muitos outros portugueses que emigraram e regressam ao seu País e às suas raízes no Verão. E o grande desafio que colocámos foi precisamente tornar as imagens o mais próximas possível daquele tempo, com recurso à Inteligência Artificial (IA). No início ainda ponderámos se iria ser um ator a fazer de mim com 16 anos, mas depois resolvemos recorrer a essa tecnologia e, por isso, as pessoas vão poder ver-me tal como eu era com aquela idade, a minha família, e a própria aldeia onde passava férias, que era diferente. Foi desafiante e inovador, mas resolvi ir por aqui porque a implementação da IA no trabalho é algo de que toda a gente fala hoje em dia, é um tema que está muito presente na nossa sociedade. Por outro lado, quis contar uma história minha em cada videoclipe deste disco, porque é o meu décimo álbum. Cada single funciona como se fosse um episódio de uma série. Do ponto de vista técnico, como se faz? Juntaram imagens reais, antigas e atuais. Tudo o que são coisas atuais, eu com a minha idade agora, foi filmado lá em Armador e na Pampilhosa também. E tudo o que é parte do passado, o meu amor de verão na adolescência, é tudo IA. As pessoas vão poder ver-me com 16 anos, pouco antes de começar a fazer os ‘Morangos com Açúcar’.

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O resultado impressionou-o?

Sim, porque é ver-me a mim próprio, mas há muito tempo, e a recordar uma fase muito particular da minha vida. Uma vida que hoje é muito diferente: estou quase casado - estou junto com a Carolina já há nove anos – e já tenho um filho de três. Mas todos já passámos pelos amores de verão que, no meu caso, duravam um mês e meio, dois no máximo, porque eu sabia que depois tinha que regressar a França. Depois, sinto que é uma grande homenagem ao meu pai: eu estou com 34 anos, praticamente a mesma idade que o meu pai tinha quando gravou a música mais icónica dia sua carreira ‘Sonhos de Menino’, lá no Armadour. Eu também aparecia nesse videoclipe - tinha seis anos, na altura.  É bonito!... Alguns dos planos foram feitos exatamente nos mesmos sítios de ‘Sonhos de Menino’, usei a mesma roupa que ele usou há vinte e tal anos. É contar também um bocadinho da história dele, daquela que foi talvez a maior música da carreira dele e acima de tudo homenageá-lo por tudo.

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E a visada da tal paixão de Verão também entra no videoclipe? Já sabe ou vai descobrir agora?

(risos) A história é muito engraçada. Como toda a gente sabe, normalmente estas zonas do País têm tendência a ter menos jovens, porque emigram para fora de Portugal ou para os grandes centros. Esse meu primeiro amor de verão, chamava-se Patrícia… nunca mais a vi! Até  foi tema de conversa quando fomos gravar o videoclipe, porque aparentemente emigrou também e nunca mais tivemos contacto. Acho que pode ser engraçado… ela pode ver e acusar-se. Com certeza também tem a vida dela feita e é sempre giro perceber o que aconteceu às pessoas passado algum tempo. E este videoclipe está muito ligado a essa noção do tempo também – ou melhor, da passagem do tempo – e de termos a possibilidade de ver como as coisas eram e como estão agora.  

E já tem data de saída este décimo álbum?

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Não, mas será lá mais para o final do ano, mas até lá, ainda vou lançar mais algumas músicas e mostrar mais um bocadinho desta história. Mas a ideia é lançar o projeto todo no fim do ano.

Nesse tempo, quando viviam em França e vinham de férias a Portugal, o contraste devia ser enorme. Sentia-o?

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O contraste para mim era gigantesco. Porque eu passava o ano todo em França, falava maioritariamente francês e o pouco que aprendia do português era precisamente quando vinha de férias. Mas eram as melhores férias que eu podia ter! Porque me reconectavam com Portugal, com as minhas origens, com a nossa gente também, com tudo. A música, por exemplo: estando em França, eu tinha uma grande ligação com a cultura francesa.  Claro que por via do meu pai, a música e a cultura portuguesa estavam presentes, mas é completamente diferente quando vives no país. Então, para mim era tudo novo: a forma de vestir, os programas que via na televisão, os desenhos animados… imagina, lembro-me da primeira vez  que ouvi ‘O Rei Leão’ em português, porque eu só estava habituado a ouvir em francês. É pegar num miúdo de 10 anos que vive em Paris e, de repente, pô-lo no contexto muito próprio de uma aldeia portuguesa onde, hoje em dia, vivem à volta de 40 pessoas. Um choque de realidades muito grande, mas que eu amava. Ainda amo voltar lá: de cada vez que vou à Pampilhosa cantar (é o sítio mais perto que dá para montar um palco e fazer um concerto) é sempre uma sensação incrível.

E já levou lá o seu filho? Ele também gosta? Percebe essa ligação?

Já foi. Gosta mas ainda não percebe bem. Ainda é muito cedo, acho que ele ainda está numa fase de descobrir quem é o avô… a mãe e o pai já sabe, já entendeu. Já sabe que a mãe tem um nome que não é mãe e o pai também. Mas ainda é muito cedo para perceber as nossas raízes e ligações.

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E acha que vai ser cantor como o pai, o tio e o avó?

Quiçá?! Ou talvez seja ator, como a mãe! Agora há uma outra referência, para variar!  

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São já dez álbuns em 34 anos de vida. Ainda para mais na carreira de alguém que começou por fazer novelas e que nem se imaginava a cantar. Como é que isto tudo aconteceu?

Por isso é que este décimo álbum é tão especial para mim. É como se fosse a conclusão de uma etapa, de uma fase da minha vida que foram os últimos 15 anos a fazer música. Eu sou o resultado de tudo isto que vivi até chegar aqui, de todas estas influências e histórias. Filho de um homem da Beira Baixa, de uma mulher do Norte que emigraram para França, numa época em que a realidade da emigração era muito difícil, não tem nada a ver com o que se passa agora. Se calhar, por isso, é que voltei a momentos da minha infância nestas canções. Tenho uma relação muito próxima com os meus avós também. E depois tornei-me cantor muito por causa de um casting para os ‘Morangos com Açúcar’ que correu bem. E então aí a minha vida mudou e comecei a imaginar-me no palco e a ser capaz de cantar. É um álbum de conclusão, e estou cada vez mais a querer mostrar isso, porque percebo que as minhas decisões, a minha forma de ver a vida, a minha música também, está assente sobre nessas influências todas, nessas viagens, nessa realidade.

A vossa família tem sido alvo de muito carinho. Ajuda nos momentos mais difíceis?  

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Sim, claro. Muito. Nos momentos mais difíceis, nos de maior cansaço. Não há um único dia que eu não esteja na rua e não sinta esse carinho. Às vezes em coisas muito simples… basta estar no trânsito, parado num semáforo, e uma pessoa que não me conhece de lado nenhum diz-me de outro carro: “abraço, só quero que saibas que gosto muito de ti”. Coisas pequenas assim.

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