Eu conto como foi: Duo Ouro Negro
Os rapazes de Angola
Foi o empresário Ribeiro Braga que os viu em Luanda num espectáculo fervilhante. De tal modo ficou impressionado que os contratou para dar a conhecer o celebrado Duo Ouro Negro. São eles o Raul Indipwo e Milo Machahon.
O sucesso do duo foi tremendo logo de início. Músicas ritmadas, com um sabor de ritmo de Verão, como se falava na altura. Era a rebita, ou o ‘Kwela’. E outros modos de (en)cantar.
A geração dos anos 60/70 estava perdidamente rendida aos artistas, que faziam furor por toda a parte. Eles marcaram, a par de Amália, toda uma época, em todo o mundo. Actuaram nas mais nobres salas ao lado de grandes artistas internacionais. Até o principado do Mónaco, ainda com Grace Kelly viva, prestou uma homenagem maravilhosa aos portugueses que nasceram em Angola.
As canções? Quem não se lembra, canta, ou trauteia, aqueles momentos? De ‘Muxima’ a ‘Kuricutela’ e tantos outros sucessos? Canções lindas, que nos Festivais da RTP passaram como favoritas do público. Gravaram centenas de discos, todos eles com a marca Top.
Foram eles que lançaram modas, até Raul na sua forma de vestir. E revelou-se um pintor muito especial de labaredas de incêndios africanos e paisagens inesquecíveis.
Em 20 de Fevereiro de 1985 Milo morre de doença prolongada, deixando um grande vazio entre todos. Antes disso voltaram a Angola e a terra que os viu nascer aplaudiu, galvanizou e homenageou os seus verdadeiros artistas.
E fica só o Raul Ouro Negro. Cantando aqui e ali, com a mesma elegância, educação e uma forma especial de saber estar. Já não era o mesmo grupo a dar o toque especial aos seus admiradores de sempre, mas as recordações ficam e a memória prevalece.
Raul morreu no dia 4 de Junho de 2006. O funeral foi seguido por milhares de pessoas, na maioria público anónimo, que prestava assim a sua última homenagem.
FUROR NA TELEVISÃO
A RTP teve um programa, ‘A Rua de Elisa’, onde o Duo Ouro Negro era a vedeta e, na altura, o pico das audiências. Também os espectáculos davam que falar. Em Paris, a ‘Grand Gala du Music – Hall Portugais’ foi inolvidável, ao lado de artistas consagrados como Amália, Carlos Paredes e Simone.
SUCESSO NA TRINDADE
O sucesso do grupo deu que falar por toda a parte. Os espectáculos eram inesquecíveis. Mas há um que ainda hoje se destaca. O do Teatro Trindade. ‘Império de Iemanjá’ foi um dos mais consagrados momentos da carreira de Raul Indipwo e Milo Machahon. Foi perfeito no seu todo. Porém não se pode esquecer. Sivuca, um artista brasileiro, também fez parte do grupo.
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