Humorista implora em tribunal por direito à eutanásia: "É insuportável!"
Claire Brosseau, de 49 anos, luta há cinco anos no Canadá para ter uma morte assistida.
A atriz e humorista canadiana Claire Brosseau, de 49 anos, entrou numa nova fase da sua batalha judicial para conseguir morrer através de suicídio assistido. Esta semana, ela marcou presença no Tribunal Superior de Justiça de Ontario, em Toronto, onde fez um novo desabafo sobre os motivos que a levaram a optar por esta decisão extrema.
Fisicamente saudável, com "uma abundância de recursos" e cercada de amigos e família, Brosseau sofre de graves transtornos bipolares, stress pós-traumático e outros problemas de saúde mental. “É insuportável! Todas as manhãs, quando acordo, penso que não vou conseguir passar o dia”, disse esta segunda-feira, dia 4, ao tribunal, segundo a Canadian Press. A atriz de Montreal que participou de dezenas de filmes ao lado de estrelas como James Franco, acrescentou ainda que não sai de casa há meses.
Brosseau afirmou que foi forçada a recorrer ao suicídio assistido após várias tentativas frustradas para acabar com a própria vida, incluindo overdose de drogas, cortes nos pulsos e até mesmo ingestão de amendoim, ao qual é gravemente alérgica, avançou o 'New York Times'. Tudo porque não consegue mais suportar o “sofrimento incessante”.
“Este é um recurso extraordinário que procuramos, mas a situação em que Claire se encontra também é extraordinária”, disse o advogado de Brosseau, Michael Fenrick, acrescentando que espera que uma data para o julgamento seja marcada antes do verão.
Os pais e a irmã de Brosseau disseram que ficaram horrorizados quando a atriz lhes contou pela primeira vez sobre os planos para a sua morte, apesar de estar fisicamente saudável. “Fiquei furiosa. Para mim, foi como desistir”, disse a irmã, Melissa Morris, de 51 anos, ao 'Times'. Já a mãe, Mary Louise Kinahan, disse: "Nenhuma mãe quer perder um filho, mas nenhuma mãe quer presenciar um sofrimento tão grande."
Diagnosticada com depressão maníaca aos 14 anos, Brosseau enfrentou desde cedo um percurso marcado por consumo de drogas, álcool e comportamentos autodestrutivos. Ao longo dos anos, recebeu ainda diagnósticos de ansiedade, ideação suicida crónica, perturbações alimentares e de personalidade, abuso de substâncias, stress pós-traumático e outras condições de saúde mental.
Brosseau está a tentar conseguir o acesso à eutanásia há cinco anos. No Canadá, a legislação permite a morte assistida desde 2016, mas impõe uma série de condições, como ter doenças físicas graves e incuráveis, e o caso dela não se encaixa.
O governo do Canadá já adiou a ampliação dos critérios de elegibilidade diversas vezes. O assunto está a ser analisado por um comité que deverá apresentar recomendações antes março de 2027.
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