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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Eu conto como foi - Camacho Costa

A crónica de domingo de Carlos Castro

05 de julho de 2009 às 12:00

CAMACHO COSTA

Um actor cheio de versatilidade 

Versátil e talentoso passou pelos palcos com uma mão cheia de tudo. Da poesia declamada até os momentos de humor inesquecíveis Um fazedor de sonhos para o imaginário colectivo.

Foi crítico de cinema no extinto 'DL' e ainda no 'Expresso'. As suas farpas não deixavam ninguém indiferente. E foi Artur Semedo que o leva até Nicholson e a estreia do actor é no Adoque  na celebrada revista '1926 Noves Fora Nada'.

A partir daí nunca mais parou. A sua comicidade é notória e o hilariante actor passa a ser requisitado para o teatro de revista onde intervém nas rábulas de referência política e social, e ao lado de grandes mestres como Salvador, Solnado, José Viana ou Nicolau.

Fez 'montanhas de revistas' como dizia feliz. Actuando na televisão em séries, novelas. 'Os Malucos do Riso' e a forma como caricaturava a gente boa alentejana guinda-o para a enorme popularidade.

O cinema surge com filmes de Geada, Semedo e Manso, sendo o 'Padre Pita' do maravilhoso filme de Lauro António 'Manhã Submersa' o seu grande momento.

Com a sua 'Mala Cheia de Poesia' percorreu todo o país a declamar os maiores poetas. Com que voz e talento.

Nascera em Odemira e é ali que nasceu o Teatro com o seu nome. O nome de um homem cristalino nas palavras e nos actos. Aquele ser sempre pronto a dar e ajudar. Percorreu toda uma vida a representar a sua própria vida. Ele era transparente.Bom e humorado.

A luta que teve contra o cancro foi inglória. Morreu a a 1 de Março de 2003.

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