Ex-comentador desportivo foi acusado de ser o mentor de um esquema para uso fraudulento de apoios comunitários que deixou o Estado 'a arder' em 42 milhões de euros.
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Manuel Serrão, principal arguido na 'Operação Maestro', acusado de ser o mentor de um esquema para uso fraudulento de apoios comunitários que deixou o Estado 'a arder' em 42 milhões de euros, foi decretado insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca do Porto (Juízo de Comércio de Vila Nova de Gaia), avança a edição desta sexta-feira do 'Negócios'.
A insolvência pessoal do empresário, decretada na passada segunda-feira, 5 de janeiro, surge cerca de dois anos depois de se ter ficado a saber que, no âmbito de uma investigação da PJ e do Ministério Público, a empresa de que Manuel Serrão foi dirigente - a Selectiva Moda - candidatava-se a fundos e contratava empresas próprias, de familiares ou amigos, num circuito fechado minado por conflitos de interesses e sem qualquer escrutínio do Estado.
Parte dos fundos terá sido usada para fins pessoais, incluindo a residência permanente de Serrão num hotel de luxo no Porto durante oito anos. No âmbito do mesmo processo foram também constituídos arguidos António Branco Mendes da Silva, que é casado com uma irmã do antigo comentador desportivo, e António Sousa Cardoso, ex-diretor-geral da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).
O requerimento da insolvência de Manuel Serrão foi feito pela massa insolvente da falida No Less, que era uma das empresas do circuito fechado da também falida ASM. De acordo com a petição inicial, a que o 'Negócios' teve acesso, Serrão assumiu como sua a dívida de 645 mil euros que o seu cunhado tinha para com aquela empresa.
Credora desta quantia, a massa insolvente da No Less ficou a saber que Serrão “não é titular de bens, móveis ou imóveis que garantam o pagamento da dívida em causa, desconhecendo-se a existência de contas bancárias ou outros bens patrimoniais que garantam esse pagamento”.
Manuel Serrão tornou-se conhecido dos portugueses com a participação no programa televisivo 'A Noite da Má Língua', ao lado de Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink e Rita Blanco, afirmando-se no panorama mediático com uma voz tonitruante na defesa do Norte e do FC Porto. Nascido na Invicta, Manuel Serrão foi dirigente estudantil e da Juventude Centrista, tendo em 1975, quando tinha 16 anos, sido preso pelo COPCON, acusado de ligações à rede bombista do MDLP.
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