Especialista considera que não é caso para alarmismos, mas que idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios devem ter cuidado.
Se pensava que depois das tempestades que assolaram o País o céu traria descanso e sol, prepare-se: Portugal recebe, já esta semana, poeiras do Deserto do Saara, transportadas desde o Norte de África.
O CM falou com o especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Ricardo Dias, que explicou tudo sobre este fenómeno.
O que são as poeiras do Saara e como se formam?
As poeiras do Saara são partículas finas que são levantadas da superfície do deserto por fenómenos atmosféricos e ventos fortes. Estas partículas entram em circulação na atmosfera e podem percorrer milhares de quilómetros até chegar ao destino final. São um fenómeno natural que acontece há muitos anos e já foi documentado cientificamente desde a década de 1950.
Neste caso específico, as poeiras tiveram origem numa zona pouco habitual, no Chade, onde uma tempestade levantou poeira de um lago seco. A massa de partículas foi empurrada pelos ventos através do Atlântico Norte, passando pelas Canárias e Madeira antes de chegar a Portugal Continental. Segundo o especialista, “é resultado das alterações nos fenómenos meteorológicos, com novas rotas a serem observadas”, algo que explica a variação no trajeto destas poeiras.
Porque é que estão a chegar a Portugal neste momento?
O transporte das poeiras segue “autoestradas atmosféricas”, que são rotas definidas pelos padrões de vento e pressão. Quando os sistemas meteorológicos mudam, como por exemplo a posição dos anticiclones, essas poeiras podem seguir caminhos diferentes. “Às vezes, em vez de virem pelas autoestradas, acabam por ir por estradas secundárias”, explicou o investigador, numa metáfora que ajuda a compreender o fenómeno.
Que impactos poderão ter na sociedade?
Segundo Ricardo Dias, como Portugal tem humidade elevada e há previsão de chuva, o mais evidente será a deposição de poeiras nas superfícies, por exemplo, em carros e janelas.
Quando isso acontece, as partículas depositam-se no solo em vez de permanecerem em suspensão no ar, reduzindo o risco de problemas respiratórios graves.
Isto significa que, neste caso, o risco para a saúde pública poderá ser menor do que noutros episódios mais intensos, já que as partículas permanecem menos tempo em suspensão. Ainda assim, podem verificar-se alterações na qualidade do ar e a redução temporária da visibilidade.
Que cuidados a população deve adotar?
As recomendações do especialista seguem a linha das orientações divulgadas pela Direção-Geral de Saúde. Idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem evitar exposições prolongadas ao ar livre e atividades físicas intensas no exterior.
É também aconselhável manter portas e janelas fechadas durante os períodos de maior concentração de poeiras.
Ricardo Dias sublinha, no entanto, que “já houve episódios muito mais agressivos”, com níveis de poeira bastante superiores aos expectáveis neste caso.
Há apenas riscos associados a este fenómeno?
Não. O especialista fez questão de sublinhar que estas poeiras também podem trazer benefícios. Sendo provenientes de um lago seco rico em minerais, é expectável que apresentem uma composição mineral significativa, o que pode ser benéfico para os solos agrícolas.
Além disso, podem transportar microrganismos que, em alguns casos, têm potencial benéfico para a agricultura e até interesse biotecnológico. “Muitas vezes pensamos apenas nos riscos, mas também há benefícios associados a estas poeiras”, sublinha.
Este tipo de fenómeno está a tornar-se mais frequente?
Há registos científicos desde 1953, quando uma massa de poeiras da Argélia atingiu o Alentejo. Segundo o investigador, a frequência anual não apresenta alterações claras.
O que tem mudado são as características dos episódios. “A frequência mantém-se, mas os fenómenos são cada vez mais diferentes”, afirma. Variam as rotas, a origem, a composição e, em alguns casos, a intensidade. Há uma maior diversidade e imprevisibilidade nos trajetos destas massas de poeira.
A mensagem final do especialista é clara: trata-se de um fenómeno natural, conhecido e estudado há décadas. Apesar dos cuidados necessários, não deve gerar alarmismo, sendo importante olhar para ele de forma equilibrada, reconhecendo tanto os riscos como os possíveis benefícios.
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