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Artigo exclusivo

Dar ao espectador a Odisseia que ele espera

De Homero a Christopher Nolan

16 de agosto de 2026 às 00:30

Especialistas na cultura grega antiga trouxeram para o espaço público o tema da adaptação de obras literárias ao cinema, a propósito da 'Odisseia' em filme de Christopher Nolan. Emily Wilson, que traduziu a Odisseia (2017), foi brutal depois de ver o filme. O pedantismo prevaleceu. Porventura far-lhe-ia bem, e aos demais helenistas ofendidos com o filme, ler o que estudiosos dos estudos fílmicos, como Brian McFarlane, David Bordwell ou Robert Rosenstone têm reflectido desde os anos 50s sobre a adaptação da palavra escrita às imagens em movimento. O nosso grande tradutor da Bíblia e de clássicos gregos, Frederico Lourenço, disse que preferia não ver o filme, talvez por saber o que aconteceu à mulher de Loth quando olhou para trás para ver Sodoma e Gomorra ardendo, desobedecendo à rigorosíssima instrução do Senhor para não o fazer — ficou feita estátua de sal; ou por conhecer o que aconteceu à pobre Eurídice, que seria resgatada dos Infernos se Orfeu a trouxesse de lá sem a olhar mas, pimba!, ele olhou e já não a pôde trazer. Ficou viúvo. Ver um filme de adaptação literária é tentação semelhante, pode matar!

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