"A vida começa todos os dias, a certeza é relativa e a idade não nos define"

Comédia brasileira sobre amizade feminina, com Sílvia Pfeifer, Helena Fernandes e Adriana Garambone, estreia-se em março em Portugal.

17 de fevereiro de 2026 às 16:48
Sílvia Pfeifer, Helena Fernandes e Adriana Garambone celebram estreia em Portugal
Atrizes brasileiras em Portugal para estreia de comédia sobre amizade Foto: DR

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Esta peça, ‘Uma Vida de Amizade’, junta três atrizes que, na verdade, são três mulheres muito diferentes, a falar de afetos, de cumplicidade no feminino. A química necessária para levar à cena este texto tem de começar antes de chegar ao palco. Como é que foi o processo?

Helena Fernandes: Eu e a Sílvia [Pfeifer], somos amigas há mais de trinta anos, mas nunca trabalhámos juntas, será a primeira vez! Com a Adriana, outra amiga de há muitos anos, já tinha feito uma novela. Nós temos muitas experiências para dividir, e com afeto e troca, foi fácil nos encontrarmos no palco. Não perdemos, só ganhamos com esse encontro!

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Adriana Garambone: Na nossa história, realmente há um paralelo, no palco e na vida. Nós nos debruçamos sobre esse projeto, unimos forças e acreditamos na união e na parceria para que tudo acontecesse, para trazer essa história para o palco, e a peça também fala sobre isso sobre a força que há na união e na amizade entre mulheres.

Sílvia Pfeifer: A Helena e eu conhecemo-nos em 1992 e nunca mais nos ‘desgrudámos’. Acredito que temos valores e vemos a vida de maneira muito parecida, onde afeto, respeito e admiração andam junto e sempre. Conheci a Adriana há pouco anos, através da Helena. A aproximação veio também por termos pontos em comum, interesses parecidos e muito desejo de falarmos sobre questões que nos ‘atravessam’ todos os dias. Questões que consideramos muito presentes e importantes nesta fase etária. E os astros também conspiraram a nosso favor: o Fernando Philbert [encenador] achou incrível um ‘papo’ que ouviu entre nós e sugeriu levarmos ao palco. Paralelamente, o Gustavo Pinheiro [autor], ao ver uma foto nossa, ficou inspirado a retomar e desenvolver uma ideia que já tinha sobre a amizade entre três mulheres. Tudo conspirou a nosso favor!

Quando leram o texto do Gustavo Pinheiro pela primeira vez... foi paixão  à primeira vista?

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Helena: O texto teve mais do que um tratamento. Mas como as nossas ideias se alinharam, sim, foi paixão à primeira vista!

Adriana: O texto foi sendo construído ao longo dos nossos encontros e conversas. O Gustavo tinha algumas páginas escritas e muitas ideias que se foram alinhando com histórias nossas e de muitas outras mulheres.

Sílvia: Sim! O Gustavo é uma grande autor. Tem um humor inteligente, ágil e sensível. Perfeito para falarmos sobre um tema tão delicado e complexo como o ‘universo da mulher’. O Gustavo e o encenador compreenderam os inúmeros e subtis pontos que gostaríamos de abordar e enriqueceram-nos ainda mais com o seu talento e sensibilidade.

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É fácil fazer rir com estas temáticas femininas? Questões tão reais, sensíveis e sobre as quais, por vezes, nem as próprias mulheres com mais de 40 anos falam abertamente.

Sílvia: Não é fácil… aí está o desafio. Instigar a reflexão em temas que abordam as realizações (ou não) na vida afetiva, maternal, profissional, amorosa, pessoal e sexual são a mais desafiadora das intenções.

Helena: Cada pessoa que estiver assistindo, vai reagir de uma maneira diferente, num momento diferente, não controlamos isso. Nós temos é o compromisso com a verdade de cada personagem.

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Adriana: Rir é fundamental! A peça tem momentos bem engraçados e outros onde levamos o público a refletir sobre questões femininas delicadas.

Quem esperam encontrar sentado na plateia?

Helena: Mulheres, amigas, mães, filhas, irmãs e os homens também. Temos muitos temas que trazem reflexão para todos.

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Adriana: Todos! O teatro é o lugar onde as diferenças se sentam lado a lado, é para todo o Mundo!

Sílvia: Todas as mulheres, de qualquer idade ou classe! A nossa intenção é trazer ‘verdades e dúvidas’, trazer a realidade, e dividi-las com outras mulheres. Como se quiséssemos ouvi-las. E esperamos que os homens também estejam lá para ‘escutar’, pensar, compartilhar e rir.

Todas têm mais de 40 anos. Três perguntas impõem-se: o que aprenderam, do que mais se orgulham e que sonhos e desafios têm para o futuro?

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Helena: Aprendi a ser mais seletiva, tanto nas amizades, como no amor, e continuo aprendendo a cada dia! Tenho três filhos, dos quais estou muito orgulhosa e muito feliz por constatar que criei e eduquei seres humanos responsáveis, empáticos e amorosos. Tenho a certeza daquilo que não quero mais para a minha vida e quero aprender a me reinventar e mostrar que a idade é só um número. A vida está aí, para ser vivida com coragem, afeto e determinação. Sou amiga da felicidade e é isso que busco, no meu trabalho, nas minhas relações, seja amizades ou relações amorosas.

Adriana: Aprendi que a vida começa todos os dias, que a certeza é um conceito muito relativo e que a idade não nos define. Os sonhos estão aí para serem vividos por todos, a todo o momento. E, sim, tenho muito orgulho da minha trajetória e da mulher e artista que me tornei.

Sílvia: Eu aprendi que cada dia é um dia novo! Nunca estamos prontas para tudo, temos sempre que crescer e aprimorarmo-nos. Buscar aquilo em que acreditamos e lidar com o que ‘já foi’, com o que ‘já passou’. Do que me orgulho? Muitas batalhas. Algumas vitoriosas, outras nem tanto [risos]. Mas fui eu. Vivi-as de maneira inteira, verdadeira, vivendo! Na vida pessoal e profissional. Por isso, às vezes, penso: ‘Olha a Sílvia que eu fui e que sou agora...’. E concluo: que trajetória legal. Isso é uma benção e só tenho que agradecer. E certezas? Nenhuma. Apenas estar consciente que a única certeza que temos é a de viver mais este dia. Por isso, que seja da forma mais verdadeira, mais linda possível. E quando não for possível, que eu tenha a sabedoria de aceitar. Sonhos? É sempre momento para sonhar. Com os pés no chão de preferência. O que para uma pisciana como eu é quase impossível [risos]. Por último, desafios: os de sempre, somados aos desafios que a idade nos impõe. Mas vamos na fé, na força, na determinação, na coragem e muito amor.

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ESTREIA EM MARÇO

Um sorriso logo à primeira, uma gargalhada a meio e umas lágrimas de tanto rir no final. É a promessa de ‘Uma Vida de Amizade’, que segue Gilda, Yasmin e Renée, amigas de longa data que, entre um bom vinho e a cumplicidade de quem se conhece há muitos anos, vão partillhando confidências sobre a maturidade e o universo feminino, sem filtros. A peça estreia-se dia 6 de março em Braga (Espaço Vita), rumando depois ao Porto (14, no Auditório Francisco de Assis), Casino Estoril (15 março) e Águeda (19, Centro de Artes).

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