Emídio Rangel: "Hoje em dia é a lei do menor esforço"
O jornalista é defensor da implantação da televisão digital terrestre em Portugal e lança críticas ao panorama dos canais generalistas
Emídio Rangel é defensor da implantação da televisão digital terrestre em Portugal e lança críticas ao panorama dos canais generalistas. Para o jornalista, apostar fortemente em telenovelas não é solução. É necessário alterar uma programação que considera que não mudou nos últimos 15 anos.
- Como é que avalia o panorama da televisão nacional?
- A televisão nacional está medíocre. Não a vejo capaz de dar um salto em frente. Está com uma produção muito atrasada, sem capacidade de recuperar novos formatos, novas estratégias. Em Portugal, regredimos.
- O que é que poderia despoletar uma mudança?
- É preciso que apareça uma televisão com um novo sentido. Não só com uma outra filosofia, mas que dê abertura a todas as novas tecnologias que estão ao dispor das cadeias de televisão no mundo. É preciso entrar na televisão digital terrestre e produzir nessa direcção.
- E nos canais que já existem, o que é necessário fazer para dar o salto em frente?
- Se fizermos uma comparação entre a programação dos generalistas hoje e há 15 anos, é igual, salvo algumas excepções. Parece que o mundo não mudou nada, mas mudou.
- Durante esse tempo apostou-se em telenovelas...
- Mas não chega. As pessoas fogem cada vez mais para canais temáticos. Quem é que suporta novelas das seis da tarde à meia-noite?
- As audiências mostram que as pessoas vêem.
- Acho que estão a destruir esse género fantástico que são as novelas e que não deve ser usado até à exaustão. Os portugueses gostam de novelas, e têm de se dar. Mas não sete horas seguidas. Quando eu comandava a SIC também havia, mas tínhamos outras produções. Isto é a lei do menor esforço.
- Qual é a sua opinião sobre a ‘Casa dos Segredos'?
- Não tenho nada contra reality shows. Só quando ferem direitos humanos. Se for só entretenimento puro, não tenho nada a dizer.
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