Epstein trocou emails com amigo psiquiatra sobre disfarces e cirurgias plásticas para escapar à lei

O Dr. Henry Jarecki, que foi acusado de violação, era confidente do pedófilo e podia estar a ajudá-lo a fugir, mostram documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

05 de abril de 2026 às 16:30
Jeffrey Epstein é fotografado num campo de golfe com o psiquiatra Henry Jarecki Foto: Departamento de Justiça dos EUA
O psiquiatra Henry Jarecki Foto: Departamento de Justiça dos EUA
Jeffrey Epstein Foto: Rick Friedman/Corbis News
Bungalows na ilha privada de Epstein nas Caraíbas Foto: House Oversight Comittee

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Emails trocados entre Jeffrey Epstein e o amigo psiquiatra Dr. Henry Jarecki revelam que os dois discutiam opções para evitar problemas com a lei, incluindo o uso de disfarces ou o recurso a cirurgias plásticas.

Uma análise do 'New York Post' aos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram um email enviado a 1 de maio de 2009 por Jarecki, amigo e confidente de longa data do predador sexual, intitulado 'E se eu for apanhado?', que inclui uma uma longa lista de itens essenciais para escapar à polícia. Os ficheiros também incluem várias fotografias de Epstein e Jarecki juntos numa ilha tropical, que pode pertencer a qualquer um deles, já que ambos tinham propriedades nas Caraíbas.

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O documento foi enviado por um assistente do médico bilionário, supostamente porque este estaria interessado em escrever um livro sobre o assunto.

“O Dr. Jarecki pediu-me que lhe enviasse as seguintes notas, juntamente com a declaração: 'Estou a pensar escrever um novo livro e preciso de um coautor'”, lê-se no texto. Na altura, Epstein estava prestes a cumprir uma sentença de 13 meses de prisão na Florida por solicitação de prostituição a uma menor, como parte de um "acordo favorável" feito em 2008.

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O email apresenta um plano para viver na clandestinidade dividido em sete pontos, que incluem "não usar cartões de crédito", "segurança de computador" para "evitar problemas" ou "ir para o estrangeiro". Uma das seções tem o título "pós-problema" e fala em "disfarces", "cirurgião plástico" e "emissão de documentos: certidão de nascimento, carteira de motorista".

O documento refere ainda “reunir provas sobre a veracidade e o caráter da(s) vítima(s) e das testemunhas de acusação (detetives particulares e internet)”. Outro ponto destaca a importância de "ter vários passaportes".

Segundo o FBI, Epstein teria usado um passaporte austríaco falso para viajar até ao Reino Unido, França e Arábia Saudita entre 1982 e 1983. O passaporte, com a foto de Epstein e o nome 'Marius Robert Fortelni', foi encontrado num cofre quando agentes federais invadiram a sua mansão no Upper East Side, em Nova Iorque, em 2019, juntamente com “pilhas de dinheiro” e “dezenas de diamantes”.

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No email de duas páginas, Jarecki fala também sobre "ter uma reserva de dinheiro pronta: quanto é suficiente?". Numa última seção, intitulada "fuga", são mencionadas leis de extradição na Alemanha, Israel e Brasil, sugerindo que o predador sexual pode ter considerado escapar para um destes países.

Jarecki, de 92 anos, só escreveu um livro depois daquele email. Trata-se de um livro de memórias intitulado 'O Caminho de um Alquimista: Como Fazer a Sorte Parecer Habilidade' (2021).

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Apesar da diferença de idade de duas décadas, os dois homens tinham uma relação próxima, conforme mostram os documentos. Jarecki viajava no jato particular de Epstein, apelidado de 'Lolita Express', e passavam tempo juntos nas Caraíbas, de acordo com os arquivos do Departamento de Justiça. O psiquiatra também escreveu uma nota no infame livro de aniversário de 50 anos de Epstein, referindo-se ao gosto do criminoso por trabalhar “em particular, ou melhor ainda, em absoluto segredo”.

Em 2024, Jarecki foi acusado de violação e tráfico sexual por uma das vítimas de Epstein, mas o psiquiatra disse que se tratou de “relacionamento consensual, não secreto e de respeito mútuo”.

A denúncia acusa Jarecki de “coagir a mulher a ser sua escrava sexual moderna” depois de esta ter sido enviada por Epstein para tratá-la de uma depressão que, segundo ela, foi resultado do abuso sexual sofrido pelo predador. O processo alega que Jarecki era o “médico de confiança” de Epstein para suas vítimas de abuso sexual e afirma que este, então com cerca de 80 anos, violou a acusadora durante a primeira consulta.

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