Investigação defende que Kurt Cobain terá sido assassinado
Vocalista dos Nirvana morreu em 1994, na altura classificado como suicídio.
Quase 32 anos depois da morte de Kurt Cobain, oficialmente considerada suicídio, uma equipa independente de especialistas em ciência forense analisou os relatórios da autópsia e os materiais recolhidos na cena e concluiu que existem inconsistências suficientes para a reabertura do caso, admitindo agora a possibilidade de homicídio.
Os investigadores publicaram um artigo no International Journal of Forensic Science, no qual apresentam dez pontos de evidência que, segundo dizem, sugerem que o vocalista dos Nirvana poderá ter sido confrontado por um ou mais agressores, forçado a uma overdose de heroína para o incapacitar e, depois, atingido com um disparo na cabeça. De acordo com essa tese, a arma teria sido colocada nos seus braços e uma carta de suicídio deixada no local.
"Trata-se de um homicídio. Precisamos fazer algo a respeito disso", afirmou o investigador Brian Burnett ao 'Daily Mail', explicando que a conclusão resulta de uma análise exaustiva dos dados da autópsia, que revelou sinais considerados incompatíveis com uma morte por arma de fogo.
Segundo a versão oficial, Kurt Cobain morreu a 5 de abril de 1994, aos 27 anos, vítima de um ferimento auto-infligido por espingarda, na sua casa em Seattle, onde vivia com a mulher, a cantora Courtney Love, e a filha de ambos, Frances Bean Cobain. O Instituto Médico Legal do Condado de King classificou a morte como suicídio.
No entanto, a investigadora Michelle Wilkins, que integra a equipa independente, aponta vários elementos que, na sua opinião, levantam dúvidas. "Há coisas na autópsia que nos fazem pensar: 'Espere, esta pessoa não morreu tão rapidamente por causa de um tiro'. A necrose do cérebro e do fígado ocorre numa overdose. Não ocorre numa morte por espingarda", afirmou, referindo danos em órgãos associados à falta de oxigénio.
Wilkins considera ainda que a cena poderá ter sido encenada para parecer um suicídio. "O recibo da arma está no bolso dele. O recibo dos cartuchos está no bolso dele. Os cartuchos estão enfileirados aos seus pés", apontou, acrescentando: "Supõe-se que devemos acreditar que ele fechou as agulhas e colocou tudo em ordem depois de se injetar três vezes, porque é isso que alguém faz enquanto está a morrer". Para a especialista, "os suicídios são complicados, e esta foi uma cena muito limpa".
A polícia que investigou o caso afirmou na altura que Cobain teria injetado em si mesmo uma quantidade de heroína dez vezes superior ao habitual, mesmo para um utilizador. A equipa independente defende que isso o teria deixado fisicamente incapacitado antes do disparo fatal. "Ele estava a morrer de overdose, mal conseguia respirar, o sangue não estava a circular corretamente. Isso significa que o cérebro e o fígado não estavam a receber oxigénio, estavam a sofrer com a falta de nutrientes e a morrer", explicou Wilkins.
Outro ponto levantado é a possibilidade de o corpo ter sido movido. "Há sangue também na parte inferior da camisa dele. A única maneira de o sangue ter chegado à camisa é se Kurt foi levantado e a cabeça estava para baixo", disse Wilkins, sublinhando que não havia sangue na mão nem no resto da camisa, apenas uma grande mancha na parte inferior.
A carta de suicídio também foi alvo de análise. Segundo os investigadores, o início da mensagem parece ser da autoria de Cobain e refere-se sobretudo à sua saída dos Nirvana, não mencionando diretamente o suicídio. Já as últimas quatro linhas apresentam, dizem, diferenças na escrita: "Se olharem com atenção verão que as últimas quatro linhas estão escritas de forma diferente… o texto é um pouco diferente, maior e mais rabiscado", apontam.
Em resposta a este investigação, o Instituto Médico Legal do Condado de King defendeu o trabalho realizado na altura da morte do cantor: "O Instituto trabalhou em conjunto com a polícia local, realizou uma autópsia completa e seguiu todos os procedimentos para chegar à conclusão de que a causa da morte foi suicídio. Estamos sempre abertos a rever as conclusões caso surjam novas provas, mas até ao momento não encontrámos nada que justifique a reabertura do caso." Também o Departamento de Polícia de Seattle disse à referida publicação que o caso não será reaberto. "O nosso detetive concluiu que ele cometeu suicídio e essa continua a ser a posição do departamento", afirmou um porta-voz.
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