“Já não tenho paciência para andar atrás de meninas”
O estilo de amante latino serviu a Joaquim de Almeida para gravar cenas escaldantes com Kim Basinger em ‘Longe da Terra Queimada’
O estilo de amante latino serviu a Joaquim de Almeida para gravar cenas escaldantes com Kim Basinger em ‘Longe da Terra Queimada’
- Está satisfeito com a recepção que o seu novo filme, ‘Longe da Terra Queimada’, teve em Veneza?
- Claro. Até mulheres de 50 anos me vieram felicitar a chorar, dizendo-me que gostariam de ter tido um ‘affaire’ com um homem assim… (risos)
- Presumo que ficou satisfeito com a performance da sua personagem...
- Sim, isto apesar de terem encurtado algumas cenas.
- Quais, por exemplo?
- Por exemplo, quando beijo o peito da Kim. Claro que não é o peito dela, mas eu tocava-lhe na cicatriz com a mão (no filme, a personagem Kim tem de tirar um peito) e ela emocionava-se. Penso que isso fica a faltar, sobretudo porque era uma cena mais longa e porque acabávamos a beijar-nos com muita emoção. Foi uma pena.
- Não deixa de ser uma cena muito forte. Foi complicada de filmar?
- Não, mas tiveram de tapar-lhe o peito com uma ligadura para o espalmar, e depois aplicaram um efeito digital para dar a ideia de que tinha sido operado. Está muito bem feito.
- Como foi o primeiro encontro com Kim Basinger?
- Eu tinha acabado de chegar do Algarve, onde tinha filmado algumas cenas do filme espanhol ‘La Conjura del Escorial’, com a Julia Ormond e o Jason Isaacs. Quando a vi nem a reconheci, pois tinha o cabelo apanhado com um rabo-de-cavalo. Ensaiámos uns minutos, mas não podíamos perder muito tempo. Por isso, decidi dar-lhe logo um beijo.
- De facto, o filme tem algumas cenas eróticas bastante ousadas com a personagem que interpreta. Houve algum ‘body double’?
- Não, é a Kim Basinger que está sempre comigo. Ela estava nervosíssima, mas chegou a dizer numa entrevista que só fez estas cenas por ser o filme que era. Mas houve outras cenas que cortaram…
- Ai sim? Quais?
- Quando estamos os dois a tomar banho, nus. Cortaram porque começaram a achar que era demasiado sexo e porque era a filha que nos via a fazer amor. Consideraram que era de mais.
- Joaquim, a Kim Basinger tem mesmo algum defeito?
- (risos) Não, não tem defeito nenhum! (risos) É tecnicamente perfeita. Até algumas mulheres me vieram perguntar se o corpo dela era mesmo assim tão perfeito…
- Naquelas cenas que envolvem maior intimidade, é possível manter um ‘low profile’?
- É evidente que não é confortável filmar uma cena de cama diante do cameraman, o tipo do som... Por outro lado, ela também tem 53 anos. Quando eu tinha vinte e tal anos estusiasmava-me mais, agora é diferente.
- Este é também um filme que poderá abrir as portas a outro tipo de personagens. Não concorda?
- Sem dúvida. Já tenho um corpo grande de trabalho e muitos realizadores pegam nos meus filmes europeus para me seleccionarem para um filme ou série de televisão. Agora, eu gostava de fazer personagens mais complexas. Por isso, era importante que este filme tivesse sucesso nos Estados Unidos.
- Continua a morar em Santa Mónica?
- Sim, e não quero sair dali. Estou mesmo em frente à praia.
- E como gere o tempo que está com os seus filhos?
- Por exemplo, o meu filho mais velho esteve comigo durante um mês na África do Sul, enquanto estive a filmar a série ‘Robinson Crusoé’. A mais nova tem apenas seis anos mas já lá esteve comigo. Agora, o que eu gostava era que viessem ambos passar um Natal comigo. Se as mães estiverem de acordo. Mas era giro, porque no Natal, em LA, está-se bem.
- Que idade tem o Lourenço?
- Tem 15 anos mas já anda de barba. Diz que é para engatar as miúdas… (risos)
- Ele já quer ser actor?
- Não, diz que vai tirar Gestão, e quer ter aulas de representação à parte. Eu acho bem. Mas tirando Gestão nos Estados Unidos tem trabalho no Mundo inteiro. E como sou cidadão da Califórnia só pago metade. Por isso, fica-me até mais barato do que a Escola Americana em Portugal.
- Terão um dia nacionalidade americana?
- Sim, é isso que eu penso. Um dia terão a ‘carta verde’.
- E não terão, em breve, uma ‘nova mãe’?...
- Não, eu separei-me há pouco tempo da minha namorada. É complicado ter uma relação com outra mulher, sobretudo quando há filhos, e continuar a ter esta vida. Eu não estava preparado para aceitar. Percebo perfeitamente a situação dela mas também a minha…
- Mas era algo que lhe agradava ter, essa estabilidade?
- Um tipo chega aos 52 anos e já não tem paciência para andar atrás de meninas. Mas hei-de encontrar outra (risos). A vida é assim.
- E o que faz para se manter em forma?
- Agora voltei ao ginásio. Mas ando também um pouco de bicicleta na praia. Faço todos os dias 16 km. Também não posso fazer muito mais, porque fui operado à cervical. Foram muitos anos de cavalos e brincadeiras… O que tenho é mais atenção à dieta. Para não engordar… (risos)
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