Júlio Isidro lembra Cândido Mota: "Foi dos maiores da rádio"
Radialista morreu na madrugada deste domingo, aos 82 anos.
No dia em que morreu Cândido Mota, Júlio Isidro recordou o radialista, de quem diz ter tido o privilégio de ser amigo, durante 58 anos, desde que se conheceram no Rádio Clube Português (RCP). Em entrevista à RTP, Júlio Isidro acredita que se perdeu "um dos maiores nomes da rádio dos últimos 50 anos". Para o também radialista e homem da televisão, Cândido Mota, que morreu na madrugada deste domingo, "deixa o legado, para já, de uma voz maravilhosa, que foi o que a natureza lhe deu" e o legado de ter sido um "apresentador de uma cultura extraordinária". Afirmou ainda que "a qualidade deixa sempre um legado", exceto quando "aqueles que receberem a herança forem surdos".
Júlio Isidro destaca ainda um talento, por ventura menos conhecido de Cândido Mota, com que falava "duas, três, quatro vezes por dia". "Ele escrevia prosas maravilhosas. Escrevia muitíssimo bem. E eu respondia com as minhas e depois dialogávamos um com o outro. Os nossos diálogos eram alicerçados essencialmente no respeito, admiração, nas memórias de passos que demos juntos".
Apresar de algumas diferença políticas e religiosas opostas, o apresentador destaca uma amizade com base na admiração e respeito. "Ele achava graça às nossas diferenças", recordou. "E essas diferenças serviram para que nós mantivéssemos uma amizade feita por um princípio que hoje em dia devia ser seguido por muita gente: o respeito pelos nossos colegas profissionais, um maior respeito por aqueles que nos deixaram um legado, e também o respeito pela opinião do outro e pela forma como outro age e pensa ".
Cândido Mota morreu, aos 82 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado. O antigo locutor, que estava doente há algum tempo, morreu "sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos", informou, entretanto, a filha Teresa Mota.
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